Viagem de Bike

Caminho de Santiago de Compostela de bike – uma viagem solo,mas não solitária

30 de junho de 2016
Hoje eu adoro ver a reação das pessoas quando digo que pedalei SOZINHA o Caminho Francês de Santiago de Compostela – 854Km ! Uns arregalam os olhos e falam “Nossa que coragem! , outras falam ” Que loucura!” e raras almas aventureiras dizem ” Deve ter sido incrível”!

 E foi incrível.

Há quem acredita que se alguém está sozinho é por falta de opção. Quase nunca passa pela cabeça das pessoas que é justamente o contrário: uma escolha consciente de dar um tempo para ficar com você mesma, se abrir para os lugares e as pessoas e, se perigar, até se conhecer melhor. Mas a decisão de viajar sozinha implica uma serie de cuidados e planejamento. Não são apenas diferenças culturais ou questões de segurança que martelam a cabeça de quem viaja sozinho, especialmente se o viajante for uma mulher. Informações prévias fazem toda a diferença e a mais importante delas é a escolha do roteiro. E foi aí que pensei: porque não o Caminho de Santiago de Compostela?
Seguir uma das rotas consagradas na Idade Média até a capital da Galícia seria uma experiência inesquecível.
Estava com um bom preparo físico, com disposição para abrir mão do conforto e com muita curiosidade. Sou uma pessoa muito curiosa pelas coisas do mundo.Comecei então a minha busca por informações, e cada vez ficava mais segura com relação à minha escolha. Não faltaram relatos e mapas para ler e reler.
Optei por fazer o Caminho Francês apenas por pesquisar e ver que esse, entre os caminhos existentes, é o mais longo de todos, o mais conhecido e percorrido também. Normalmente as pessoas escolhem fazer de bicicleta por motivos relacionados ao tempo de travessia. Eu não tinha pressa, mesmo estando de bike.
Quanto à bike decidi alugar, uma opção mais cômoda. Não é necessário transportá-la nem na ida nem na volta,  basta contratar o aluguel no dia do início da viagem e devolvê-la no final.  Eu não tive problema com a necessidade de saber com antecedência o dia exato do término da viagem. Como havia lido que a etapa para percorrer o caminho de bike leva pelo menos 15 dias, aluguei uma por 20 dias e fui tranquila, sem pressa.  Outro cuidado que tive foi aprender sobre a mecânica; aprendi trocar pneus e cuidados com a manutenção. Afinal eu iria sozinha e sabia que oficinas só nas cidades maiores. Aprendendo sobre manutenção, percebi que não existe nada em uma bicicleta que uma mulher não possa fazer. Minha viagem começou no dia 11 de setembro de 2015 com uma rota pré-definida: pensei em cada detalhe de cada etapa e todas as possibilidades. Com mapa na mão e uma lista de albergues,
hostels e hotéis segui para minha primeira viagem de bike solo, mas não solitária.
 
O Início

Saint-Jean-Pied-de-Port

A tradução de Saint Jean Pied de Port significa “São João ao Pé da Montanha”. Faz sentido! A cidade fica num vale, praticamente aos pés dos Pirineus, está cercada de montanhas e é banhada pelo Rio Nive. É uma das cidades mais bonitas do país basco francês. Cheia de charme! Fiquei na cidade por dois dias. Tinha tempo e queria muito explorá-la com calma.
Aluguei minha bike no site www.bicigrino.com. Todo o meu contato foi com Tomas Sanches através de e-mails e, conforme planejado, minha bike chegou ao hostel onde fiquei hospedada (Hostel Gite Ultréia), sem nenhum problema. Ela vem embalada e a única coisa que precisei fazer foi colocar os pedais. Próximo ao Hostel há uma oficina de bikes e para garantir se estava tudo ok e também ajustar a bike levei-a para uma revisão.
Com a bike ajustada segui para  a oficina dos Peregrinos para obter a minha Credencial.
 
A credencial do Peregrino é indispensável e exclusiva para quem percorre o Caminho. Renovando a tradição das cartas de apresentação ou “salvos-condutos” dos peregrinos medievais, com ela é possível pernoitar em albergues especiais, igrejas e monastérios ao longo de todo caminho. Nela, há várias lacunas em branco onde devem ser marcados com carimbos os lugares em que o peregrino passe ou se
hospede, a fim de comprovar seu percurso. Fiz meu primeiro carimbo e adquiri a concha vieira, um dos símbolos dos Peregrinos.
 

Tudo pronto!!!! 

Agora é hora de começar meu caminho … 

Portão de St-Jaques
Saí de Saint Jean pelo Portão de St-Jaques. Nele se inicia todo o processo de caminhada. Em 1998, a UNESCO o decretou como patrimônio da humanidade, parte do Caminho de Santiago localizado na França. Por aqui, circulam peregrinos do mundo inteiro. Pessoas que aguardam pelo início de sua jornada e outras que já estão nela há mais dias. Pessoas que estão depositando todo tipo de sentimento nessa trajetória. Para cada um, o Caminho tem um significado. Passar alguns momentos observando tudo isso, sabendo que você também faz parte dessa movimentação, é muito prazeroso!

Etapa 1

 SJPP/Honto/Orisson/ Roncesvalles
Total – 29,6Km

Parti já pensando na dificuldade de enfrentar os Pirineus franceses.
Havia lido vários relatos a respeito deles e confesso que estava com muito medo, não só pela altimetria com alto grau de dificuldade – sair de 200 mt de altitude, para atingir os 1420 m –  o ponto mais alto -, mas por ser essa primeira etapa conhecida como um lugar onde tudo pode acontecer em questão de minutos. Muitos já morreram ali, infelizmente. Mas fui privilegiada com um dia lindo de sol; em alguns momentos o vento foi forte a ponto de fazer com que eu perdesse o equilíbrio, mas nada que atrapalhasse. Pude usufruir de paisagens belíssimas. O alto da colina é lindo e no alto você também se sente mais livre.

 
As primeiras pedaladas logo me fizeram passar pelo pequeno povoado de Hontto. O piso de asfalto, nas primeiras horas de pedal, facilitou bastante a tarefa, mesmo sendo alta a intensidade da subida. Existe outra opção, uma rota alternativa toda em asfalto passando por Valcarlos. Ela é mais acessível e geralmente utilizada por um grande número de ciclistas. Não foi o meu caso. Queria a trilha, o visual espetacular, majestosas paisagens e tudo que o caminho nos Pirineus podia proporcionar.
Optei pela Ruta de los Puertos de Cize ou Rota de Napoleão.
 
A beleza dos lugares por onde passava me enchia os olhos!!!

 Caminho continua a subir progressivamente, alternando subidas e descidas até a Cruz Thibault. Daí por diante, somente trilhas, deixando o asfalto para trás. Nessa etapa é comum, além das tradicionais setas amarelas, vermos também os sinais franceses. Eles são representados por dois traços horizontais. Um vermelho e outro branco.Quando estão na horizontal e paralelos indicam para seguir em frente; quando estão cruzados, significam que o caminho está errado.

 Cruz Thibault
 
Após a fronteira, passei pela Fonte de Rolando e me abasteci de água. Dali por diante, existem postes de madeira numerados e com a indicação do nº 112 de emergência, fincados a cada 50
metros, e que servem de referencial aos peregrinos em dias de cerração, neve ou climas inóspitos. Tudo muito bem sinalizado!
 Minha pedalada (algumas empurradas) prosseguiu tranquila até o “Collado de Bentarte” e, ao dobrar à direita, seguindo a sinalização, passei diante do “Collado de Izandorre”, onde existe um abrigo peregrino (Abrigo de Izandorre) construído para que, em casos extremos, seja possível o peregrino pernoitar.
Conversando com um peregrino fiquei sabendo que em abril três pessoas – um britânico e dois coreanos – haviam sidos resgatados aqui, devido ao acúmulo de neve.

Abrigo de Izandorre
 
Na sequência, passei pelo “Collado Lepoeder”, depois prossegui subindo por um caminho pedregoso, até atingir o ápice da elevação, a 1.429 m de altitude, o ponto de maior altimetria dessa etapa. Nem acreditava, fiquei um bom tempo ali pensando: consegui!!!!!
 

 
Cheguei ao topo: agora teria que enfrentar a descida até Roncesvalles, que é bem íngreme. Fui pedalando com extremo cuidado. A ideia de cair me apavorava

 

Chegando ao pequeno povoado, já procurei o   albergue municipal, o Real Colegiata de Santa Maria de Roncesvalles. Não havia vaga. Então selei minha credencial, fui para a oficina de turismo buscar informações. Fiquei hospedada no Hotel Roscesvalles.
 
À noite, fui visitar a igreja e assistir à missa dos peregrinos que acontece diariamente; após a cerimônia, fomos todos abençoados em meio a sonoros e afinados cantos gregorianos, entoados pelos padres celebrantes. Emocionante!

Etapa 2   

Roncesvalles / Burguete  /Espinal  / Viscaret / Zubiri  / Larrasoaña / Trinidad de Arre / Pamplona

Total – 54,5km
 
O dia amanheceu com o tempo bastante fechado e com chuva. A recepcionista do hotel me avisou sobre a meteorologia prevista para o dia – “o dia todo hoje é de fortes tormentas”. Bom, eu não tinha pressa; portanto revolvi esperar. E realmente pela manhã choveu muito. Já estava decidida a ficar mais um dia no pequeno povoado, quando, por volta do meio-dia, o sol saiu como me dizendo …vá! E eu fui.
 
Segui pedalando. Logo passei por
Burguete e depois Espinal. Em Espinal, as casas possuem decoração com brasões familiares e armas. Achei o máximo!

 

 

Após 5 km passei por Viscaret.  Foi quando começou a chover forte novamente; parei em uma lanchonete e esperei. Por sorte a tempestade não demorou a passar.

 

Segui a caminho de Zubiri.  Zubiri significa: “aldeia da ponte”, em basco. É a principal cidade do Vale do Esteribar e ainda se mantém conservada, com algumas características do século 18, apesar de ter sofrido intervenções recentes. As placas de sinalização mostram os nomes das cidades em espanhol e também em euskera, que é a língua basca. A excelente conservação dos pequenos pueblos navarros deixam tudo mais belo ainda.

 

 

Após Larrasoaña, passei por Zabaldika. Pouquíssimas casas com características dos séculos 17 e 18 e uma igreja – Igreja de Santo Estebam, datada do século 13. Em Trinidad de Arre, um pequeno povoado nos arredores de Villava. Quatro quilômetros depois de Villava e de um dia complicado – com alguns trechos difíceis por causa do barro e da chuva, eu cheguei a Pamplona – destino final da etapa de hoje.

 Pamplona
 
Cidade de fronteira também é murada. A primeira grande cidade do caminho francês, é a capital da comunidade autônoma de Navarra, e costumava ser a capital do antigo Reino de Navarra. Uma bela cidade fortificada. Aqui fiquei hospedada no Hotel Europa. Depois de me acomodar, fui explorar a cidade.
Pamplona é famosa por sua tradicional Festa de São Firmino. Essa festa acontece entre os dias 6 e 14 de julho. É tão importante para os espanhóis como o Carnaval é para nós,
brasileiros.
Então minha primeira visita foi à Praça dos Touros onde termina a corrida, ou “encierro” como é chamada pelos espanhóis.
O evento acontece todos os anos, desde 1590, em homenagem ao padroeiro da cidade. O jogo funciona assim: um grupo de malucos tem de correr dos touros por 849 metros em três ruas do centro histórico de Pamplona até a “praça de touros”. Dura de 3 a 4 minutos, tempo suficiente para causar grandes estragos: ferir os animais e as pessoas ao redor. Estima-se que 15 pessoas tenham morrido nos encierros entre 1922 e 2009. Uma tradição tão antiga quanto a própria cidade.
Praça dos Touros
 Os lenços vermelhos estão em toda cidade
 
Dizem que a cor do item, obrigatório durante os nove dias de celebração, é uma recordação do martírio de São Firmino, já que simbolizaria o sangue do santo. Outros afirmam que o vermelho é utilizado por fazer alusão à cor da bandeira de Navarra ou porque é a cor de incitamento dos touros.
 
Depois da Praça dos Touros segui caminhando até a Catedral e o Castelo
A catedral gótica francesa foi construída nos séculos 14 e 15, sobre as ruínas de uma catedral românica anterior. No século 18, foi adicionada uma fachada neoclássica. A torre norte, detém o maior sino ainda em uso na Espanha, pesando mais de dez toneladas.
 
 
           Catedral de Santa María la Real

 

segui explorando a cidade…
 
O castelo e a Fortaleza
  
Construído entre 1571 e 1645, depois da conquista castelhana, a área é hoje o pulmão verde de Pamplona. A vista é linda!

 

 

 

Etapa 3

 Pamplona / Cizur Menor / Zariquiegui / Uterga / Muruzábal / Obanos /Puente La Reina / Mañeru / Cirauqui / Lorca / Villatuerta / Estella.

Total – 51,9Km

Na Espanha, mais precisamente no Caminho de Santiago, em setembro, o dia começa a clarear aproximadamente às 8h da manhã.
Então, diferente dos peregrinos que saem muito cedo ( 6hs), eu esperava o dia clarear (me sentia mais segura). Mas, ainda pela manhã sempre encontrava muitos deles.
Pouco após a saída de Pamplona passei por Cizur Menor. O local utilizado para ser uma Comenda da Ordem de S.João de Malta também mantém um hospital de peregrinos – onde selei minha credencial. Aqui já encontrei alguns ciclistas. Um grupo de quatro alemães e um espanhol.
A partir de Cizur Menor, passei por Zariquiegui e após avistar vários moinhos de vento, comecei a subir a ladeira.
Subida moderada!

 

 

  Casal de coreanos que fez questão de uma foto minha ( e eu deles)- eu era a unica mulher de bike e sozinha que eles haviam conhecido.
 
No caminho sempre encontrava os peregrinos, gente do mundo todo. Muitas vezes quando passava ouvia um “bueno camino” ou “good way”. Um casal de coreanos fez questão de fazer uma foto minha. Eu era a única mulher de bike pedalando sozinha que eles conheciam e diziam: “you are very brave”. Cheia de reforço positivo eu seguia pedalando.
Nessa etapa a minha expectativa era chegar ao Alto do Perdão – um dos pontos mais conhecidos do Caminho de Santiago. Está a pouco mais de 700 metros de altitude. O terreno nesse trajeto se complica um pouco, pois parecia ser um terreno argiloso, por cima do qual foi colocado cascalho. A subida de bicicleta passa a ter uma dificuldade ainda
maior.
 O Alto do Perdão possui um monumento aos peregrinos, feito em ferro – um conjunto de esculturas de Vicente Galbete. Neste monumento observa-se a inscrição “Onde se cruza o caminho do vento com o das estrelas”. A vista do alto é bela!

 

Após o Alto do Perdão comecei a descer. Uma descida bem escorregadia devido aos cascalhos soltos. A bicicleta trepidou muito e como havia muitos peregrinos descendo, ter muita prudência foi o mínimo que pude fazer.

Segui passando por vários povoados sem pressa, às vezes parava e tentava me aproximar dos locais e entender um pouco da cultura e do dia a dia deles. Passei por Uterga, Muruzábal, Obanos.

   Obanos e sua Iglesia de San Juan Batista.

 

   

A Igreja de São João Batista é a guardiã da relíquia de São William de Aquitaine, 34 ossos preservados em uma cabeça de prata. Todo ano, geralmente na quinta-feira seguinte à quinta-feira  santa, os padres derramam água e vinho sobre a relíquia e em seguida oferecem ao povo. Infelizmente a igreja estava fechada.  Durante o trajeto passei por
várias plantações de uvas, pois a região de Navarra é uma das principais regiões de vinicultura da Espanha.

A próxima cidade foi Puente La Reina, outra tão esperada parada do Caminho de Santiago. A tradição diz que seu nome provém da Ponte Românica sobre o rio Arga, mandada construir, não se sabe bem ao certo, pela rainha Doña Mayor, esposa do rei Sancho El Mayor, ou então  pela rainha Doña Estefanía, esposa do rei Garcia de Nájera, com a intenção de facilitar a travessia do rio para os peregrinos.Esta magnífica estrutura é qualificada como um dos exemplares românicos mais belos de todo o trajeto. Com
110m de comprimento, 7 arcos e 5 pilares, nela antigamente se guardavam imagens de santos de devoção popular.

 

 

 

 

A Igreja Paroquial de Santiago – a principal da cidade – foi construída no séc. XII, porém quase que completamente refeita no séc. XVI. Da época original românica, conserva-se
somente a porta. Infelizmente estava fechada.

Em Mañeru, cidade seguinte, fui contemplada com uma festa local – Dia da Padroeira da cidade. No centro, em frente à igreja de San Pedro as pessoas, vestidas de vermelho e branco,  comemoravam com alegria. Foi lindo de ver! Fiquei por aqui um bom tempo, observando e tentando interagir com os locais.

 

 

 

Segui passando por vários  povoados sem pressa, às vezes parava e tentava me aproximar dos locais e entender um pouco da cultura e do cotidiano deles. Passei Cirauqui, Lorca e
Villatuerta para chegar à Estella. Destino final da etapa do dia.

Em Estella me hospedei no Albergue Oncineda, mas antes de me acomodar, fui até uma oficina para uma revisão na Bike – fui muito bem atendida. Com a bike em ordem, pude explorar a cidade com calma.

 

 

 

Visitei a Iglesia de San Pedro de la Rúa – uma igreja de meados do século XIII, com uma pequena capela dedicada a Santo André, padroeiro de Estella ; Iglesia de San Miguel ; a  Basílica de Nuestra Señora del Puy e o Palacio de los Reyes de Navarra, que foi declarado ‘Monumento Nacional’ em 1931, um museu e galeria de arte. Depois de pedalar quase 52 km e  explorar a cidade, voltei para o albergue. Estava satisfeita e merecia um bom descanso para me preparar para o dia seguinte.

 Etapa 4  

Estella/ Ayegui / Irache/Azqueta/ Villamayor/ Los Arcos / Sansol / Torres del Río / Viana / Logroño .

Total – 55,8Km

Logo depois de deixar Estella,  passei por Ayegui ; alguns quilômetros depois, encontrei um pequeno lugar chamado Irache. Além de seu belo mosteiro, outra a tração muito visitada é a Fonte do Vinho, que fornece vinho tinto e água para os peregrinos desde 1991.
Para ser sincera, eu não curti. Parece muito mais uma sacada de marketing do que outra coisa. Em frente à fonte fica o Monastério de Santa Maria de La Real de Irache.
 
No caminho literalmente não tem como passar fome ou sede. Quando não tem um povoado, tem um bar”móvel” !!!
Em Azqueta, fui à procura do  senhor Pablito (havia lido a respeito dele), que doa cajados de avelãs e é uma figura ilustre do caminho. Mas não tive o prazer de conhecê-lo.
Saindo de Azqueta, enfrentei uma subida forte até Villamayor; depois o caminho começa a ficar plano, logo chego a Los Arcos, uma vila de origem romana, possivelmente, surgida a partir do cruzamento de caminhos na fronteira entre Castela e Navarra.

Los Arcos
O destaque em Los Arcos é a magnífica Igreja de Santa Maria, ricamente decorada: com os numerosos retábulos dourados cheios de imagens, constitui uma das mais incríveis expressão do barroco Navarro, de grande riqueza e magnificência. Maravilhosa!!!!

 

 

 

 

 

 

O dia continuava belo, o céu azul, a temperatura agradável. Segui passando por Sansol e depois Torres del Rio, chegando mais tarde a Viana – a última localidade de Navarra. Sancho VII fundou-a na fronteira com Castela, com finalidades defensivas – evidentemente, cercada por paredes.
 

 

Segui pedalando até o meu destino – Logroño.
Entrando na cidade, atravessei uma grande ponte de pedra sobre o rio Ebro. Ao longo da história, essa cidade e a ponte em si tiveram uma grande importância estratégica, por ser a única passagem sobre o rio Ebro por um longo tempo. O fato de que o Caminho de Santiago atravessa a cidade acrescentou muito para o seu desenvolvimento nos tempos medievais.
Logroño é a capital da região autônoma de La Rioja, a menor de todas as dezessete que compõem a Espanha.
A localização perfeita do Hostal Entresueños onde me hospedei permitiu que eu explorasse a cidade.
Mais um dia vencido!

 

Catedral de Santa María de la Redonda

 

A catedral de Santa María de la Redonda, belíssima! Foi mencionada pela primeira vez no século XII. Reconstruída no século XVI, as duas torres (Las Gemelas = as gêmeas) foram adicionadas no século XVIII. Ela abriga a pintura de Michelangelo Buonarotti, a Crucificação.

Etapa 5

Logroño / Navarrete / Sotés / Ventosa / Nájera / Azofra / Cirueña  / Santo Domingo de La Calçada / Grañón /
Redecilla del Camino / Castildelgado / Viloria de Rioja

Total – 67,5km

 
Ao sair de Logroño, após 4 Km do centro, passei pelo Parque La Grajera. Lindo!!!!
 

 

 

 

 
Após pedalar através de uma sinuosa e estreita trilha em um bosque, encontrei uma tenda com uma enorme e pesada mesa. Um homem de meia-idade, barbas longas, rosto sereno e calmo, mas com um olhar expressivo e um sorriso amigo, me convidou a aproximar, oferecendo-me biscoitos, frutas etc. Ante uma leve hesitação minha, foi logo dizendo que não devia pagar nada. Era com amor que fazia aquilo, disse! Fiquei encantada. O nome dele: Marcelino Lobatto, uma pessoa emblemática e muito conhecida. Desde 1971
percorre o Caminho.
 
Ele me disse que já havia percorrido o caminho por várias vezes. Impressionada, perguntei quantas, e ele me disse, com um brilho no olhar: “mais de 50 vezes!” Tirou uma
grande foto sua em que aparece travestido de autêntico peregrino medieval, com uma pesada túnica e um enorme cajado encimado por uma cruz metálica, que é o
emblema da Ordem dos Cavaleiros Templários!
Ficaria o dia todo ouvindo suas estórias. Logo outras pessoas foram se aproximando, então ele selou minha credencial me presenteou com uma pedra com uma seta amarela e me desejou “Bueno Camino”.
 
Segui viagem com uma sensação boa, ainda pensando naquela pessoa que acabara de conhecer.
O primeiro povoado que avistei depois de Logroño foi Navarrete. Pouco antes de chegar à cidade, há ruínas de um hospital de peregrinos, que foi construído no final do séc. XII por Maria Ramirez. No topo da colina, ergue-se a Igreja de Assunção, magnífico edifício do século XVI.
 

 

Depois segui grande parte do  caminho por entre vinhas, sem dificuldade. A região de La Rioja é uma das principais regiões de vinicultura do mundo. Nessa época do ano os vinhedos estavam carregados de cachos de uva, esperando o momento exato para serem colhidos. No trajeto foi possível comer uvas fresquinhas.

Além do vinho, a região busca o reconhecimento internacional com os pimentões, lá chamados de “pimientos riojanos” ou “pimientos najeranos”.Essa senhora do povoado me
disse que, “se vem gente a sua casa , você tem que ter um pote de pimentões”. Eu provei e adorei!
Antes de chegar a Nájera passei por Ventosa, uma pequena aldeia com a Iglesia del San Saturnino localizada no topo da colina. O nome de Nájera em árabe significa “lugar entre as rochas”. Parti para Azofra, Ciriñuela ,Cirueña. Mas estava ansiosa para chegar a Santo Domingo de La Calzada. Havia lido que na Catedral, um galo e uma galinha são mantidos vivos em um galinheiro. Curioso!!!
 

 

 

Próximo a Cirueña o céu começou a ficar negro e certamente ia cair uma chuva daquelas. Apressei-me para tentar evitá-la. Mas não tive sucesso! Dez minutos antes que eu chegasse à  Santo Domingo de La Calzada começou a chover forte e eu fiquei literalmente encharcada!

 

Santo Domingo de La Calzada tem seu nome ligado à história de um jovem monge que decidiu dedicar sua vida a cuidar de peregrinos. Conta-se que ele limpou o caminho e também construiu uma  ponte de pedra sobre o rio Oja. Teria sido ele que, mais tarde, fundou o hospício local para peregrinos. Morrendo em 1109, ele foi enterrado na Igreja da cidade.

 

 

O nome da cidade também está associado a uma lenda peregrina do séc. XIV. Uma família peregrina alemã parou na aldeia a Caminho de Santiago, e a filha do estalajadeiro caiu de amor pelo jovem e belo rapaz, que não correspondeu às expectativas da moça. Ofendida e vingativa, para simular um furto, ela escondeu na bagagem do rapaz uma taça de prata. Ele foi preso e condenado à morte por enforcamento.

Enquanto seu corpo estava na  forca, o filho apareceu em sonho para seus pais e disse-lhe que ainda estava vivo, sendo apoiado por Santo Domingo, pelos pés.  No caminho de volta, a partir de Santiago, os pais foram procurar o juiz da aldeia para contar a respeito do sonho.
O juiz, muito mais interessado em festa e em um buffet de aves, não deu importância à história do casal. Depois de muita insistência, o juiz replicou que só acreditaria no sonho caso aquelas aves assadas voltassem à vida. Foi quando o galo e a galinha se recobriram de penas e saíram correndo e cacarejando. Perplexo, o juiz não teve mais dúvida da
veracidade da história.

Com isso, na igreja de Santo Domingo de La Calzada, um galo e uma galinha são tradicionalmente mantidos vivos. Estão juntos em um galinheiro de alambrado estilo gótico próximo ao altar. A cada vinte dias, as aves são trocadas. Ficam expostas somente no período entre 25 de abril e 13 de outubro. Ao entrar na igreja, se você ouvir o galo cantar, é um sinal que a sua peregrinação será bem sucedida. Daí o ditado popular: “Santo Domingo de La Calzada, donde canto la gallina después de
asada”.

 

 

Assim como a chuva veio, ela foi embora, e o céu voltou a ficar lindo. Após Santo Domingo de La Calzada, passei por Grañón, uma cidade que comporta um castelo levantado por Alfonso III no séc. X. Infelizmente o horário e a cansaço não permitiram que eu explorasse essa cidade. Segui para Redecilla del Camino – a primeira localidade de Castilla y Leon e primeira da província de Burgos.

 

 

 

 

 

Depois Castildelgado eu finalmente cheguei a Viloria de Rioja, onde me hospedaria. Estava exausta!

Em Viloria de Rioja fiquei hospedada no Mi Hotelito, cuja proprietária, Rosaria, foi muito atenciosa. Na sua casa havia mais dois casais britânicos hospedados. Depois do jantar ficamos horas conversando e tomando vinho. Foi muito agradável!

 

 

Etapa 6

Viloria de Rioja / Villamayor /Belorado / Tosantos / Villambistia / Espinosa del Camino / Villafranca / La pedraja/ San Juan de Ortega / Agés / Atapuerca / Olmos Atapuerca/  Villalval / Cardenuela / Orbaneja / Villafría de Burgos / Burgos

Total -60km
 
Passei por Villamayor antes de chegar à Belorado.  As magníficas igrejas de Santa Maria e São Pedro foram construídas nos séc. XVI e XVII, respectivamente.
Há um grande número de refúgios para peregrinos, o que denotam a importância dessa vila.
 
Ninhos de cegonha na torre da Igreja de Belorado

 

Interior da Igreja de Santa Maria em Belorado

 

Passei rapidamente por Tosantos e cheguei a Villambistia, uma pequena aldeia a 41 km de Burgos. A igreja de San Esteban ainda pode ser visitada, devido ao seu bom estado de conservação.

 Espinoza del Camino e Villafranca também ficaram para trás, até que cheguei a San Juan de Ortega, uma pequena aldeia no sopé de Puerto de La Pedraja.

 

 

 

 

 

 

 

San Juan de Ortega é uma das menores aldeias do Caminho, com seus não mais de 30 habitantes. Esta fantástica edificação, que se ergue solitária no alto das montanhas, entre Belorado e Burgos, é muito mais que uma igreja, é um conjunto complexo, formado por duas igrejas, dois mosteiros, um Hospital de peregrinos e algumas residências. Hoje em dia, o conjunto abriga o mais amplo albergue de todo o Caminho, com capacidade para receber centenas de peregrinos. Parei para um lanche e encontrei o Will, um ciclista britânico que no dia anterior havia me ajudado com a bike (um pequeno problema na corrente).

 

 

Segui minha viagem deixando para trás vários outros povoados, até passar por Villafría e chegar a Burgos.
Villafría e Burgos são cidades interligadas. Fui pedalando por uma ciclovia em uma larga avenida durante um bom período até chegar ao centro. No caminho encontrei um polonês, que vive em Budapeste e já havia pedalado 3.600 km. Seu destino: Santuário de Fátima, em Portugal. A bicicleta dele chamou minha atenção: ele praticamente levava uma casa junto. Laszlo Bata estava há três meses na estrada. Incrível!!!!!

Laszlo Bata 

 

Cheguei a Burgos no fim da tarde.
Hospedei-me no Hostel Monjes Peregrino.
 
 
A cidade de Burgos é uma das maiores da Espanha e eu reservei dois dias só para conhecê-la.
 
Um pouco de história:
 
Diego de Porcelos, Conde de Castilla (873 – c.885), persuadiu pessoas para que fossem viver nas planícies do norte. Ele fez um grande esforço para repovoar toda essa área e fundou Burgos em 884. 
Após a conquista de Toledo, em 1085, quando os cristãos derrotaram as tropas muçulmanas, a área começou a se desenvolver espetacularmente. A maioria dos grandes monumentos e pontos turísticos da cidade foram construídos nos dois séculos seguintes. A cidade é protegida por muros, com quatro portões monumentais: o portão de Santa Maria,o de San Juan,o de San Esteban e o de San Martin.
 
Catedral de Burgos 
 
A Catedral de Burgos é uma linda obra arquitetônica que combina vários estilos, porém o que predomina é o gótico. Sua construção começou em 1221 e teve importantes modificações nos séculos XV e XVI. Além do gótico, os estilos em seu interior são renascentista e barroco.
 

O interior da catedral
 
Um relógio diferente – Papamoscas, uma estátua articulada que abre a boca quando os sinos badalam a cada hora. Esperei a hora cheia para vê-lo. É engraçado!
No interior da catedral existem inúmeras capelas, todas dignas de uma visita.  
O arquivo da Catedral é outro que merece destaque, pois ali se encontram documentos de grande importância na história da cidade. Enfim, todo esse conjunto é uma verdadeira obra de arte que realmente vale a pena visitar.

 

 

 

 

 

À esquerda da fachada principal da Catedral, outra igreja – a de San Nicolas – chama a atenção. É uma igreja gótica construída no início do século XV, a partir de doações do próspero comerciante Burgos Gonzalo Lopez. O tesouro da Igreja é o alto retábulo monumental feito de pedra, algo raro na época. O design do altar mostra imagens de santos e apóstolos da Bíblia. Gonzalo Lopez, seu irmão, e suas esposas foram enterrados na igreja.

 

 

O Portão de Santa María,um dos quatro portões principais da cidade, construído no século XIV, é provavelmente o mais conhecido, também chamado de The Cid. Era normalmente usado, por tropas, como saída final ou entrada da cidade.

 
O arco, que lembra a fachada de um castelo gótico, foi a porta de entrada principal da cidade, sobretudo quando fazia parte das muralhas erguidas ali no século 14. Em sua fachada estão esculpidas imagens de personagens importantes da história de Burgos, como El Cid, o guerreiro mercenário que comandou a reconquista de Valência para os cristãos no século 11.

 

 

 

Também visitei o Castelo de Burgos – do castelo sobrou somente a base. Ele foi construído pelo Conde Diego de Porcelos, o fundador de Burgos. Atualmente, veem-se apenas algumas pedras que constituíram a base do castelo, isso me decepcionou muito. Há um museu interessante, que também pode ser visitado.
 

 

 

 

Do alto a vista da cidade com a Catedral é linda. Em minha opinião, foi o que mais valeu a pena, quando subi o morro.
 

 

 

Também não poderia deixar de ver o Museu da Evolução Humana, um convite para conhecermos melhor quem somos através de nossos antepassados. O museu é a casa a de um homem com meio milhão de anos. E este homem tem nome e chama-se Miguel. Trata-se de uma reconstituição feita a partir do crânio do Homo Heidelberggensis mais bem conservado em todo o mundo, encontrado em escavações na serra de Atapuerca,  nos arredores de Burgos. Miguel e vários achados deste complexo arqueológico inscrito na lista de Patrimônio da Humanidade, desde 2000, ocupam uma parte significativa do Museu da Evolução Humana.

 

Foram dois dias ótimos, pude usufruir de tudo que a cidade tinha para me oferecer. Mas era hora de seguir pedalando!
 
Etapa 7

Burgos / Villalbilla / Tardajos / Rebé de las Calzadas / Hornillos del Camino / San Bol / Hontanas  / San Antón / Castrojéris / Itero del Castillo / Puente Fitero / Itero de la Vega / Boadilla del Camino / Frómista / Problación de Campos

Total – 77,3Km

Despedida de Burgos
Saindo de Burgos passei por Villalbilla, Tardajos e deixando essa cidade, segui o caminho a Rebé de las Calzadas. Estrada muito boa, sol, temperatura agradável, sem vento, ou seja, perfeito!!!

 

Quando cheguei a Rebé de las Calzadas, estava havendo uma festa em homenagem à Padroeira da cidade. Interessante que a festa começa de manhã com serenatas para acordar as pessoas. Um integrante do grupo carrega uma bolsa de couro cheia de “pena” bebida alcoólica típica.
Essa bolsa é jogada para quem aparece na janela. A pessoa que apanha a bolsa, bebe do seu conteúdo e a devolve. E assim eles vão acordando a população para  a festa em homenagem a padroeira.

 

 

Fiquei ali,tempo suficiente para entender a festa e conversar com os meninos que tentaram me convencer a beber a “pena”.Tinha muitos quilômetros para pedalar, então recusei e segui em frente.

Hornillos del Camino, o próximo destino, cidade com apenas uma rua, a Calle Real, foi uma parada importante na rota medieval. Tem um leprosário, fundado em 1156 por Alfonso VII, e alguns outros, entre os quais, provavelmente, o mais conhecido seja Malatería de San Lazaro.

 

 

Onze quilômetros, depois cheguei a Hontanas, uma vila hospitaleira. Seu nome é derivado de suas inúmeras fontes.
Visitei a Mesón de los Franceses, a Parroquia de La Inmaculada Concepción, do século XIV.

 

cada subida vencida eu comemorava…
 
Na saída de Hontanas, segui para um lugar mágico e maravilhoso: as ruínas do antigo convento de San Antón do século XIV. O caminho passa por baixo de seus arcos e depois entra na cidade, Castrojeriz. Parei para admirar tamanha beleza.

 

Logo após cruzar o convento, já entrei em Castrojéris. 
Foi Alfonso VII que, após uma série de batalhas, aproveitou a aldeia para construir o Castelo, em 1131 entorno do qual cidade começou a tomar forma. Hospitais, hotéis e igrejas foram construídos, e até hoje podem ser visitados.

 

Em Castrojeriz visitei a Iglesia de Santo Domingo – um de seus mais belos detalhes é o portal gótico do século XVI – e a Iglesia de San Juan – construída entre os séculos 13 e 16, com a aparência de um belo castelo.
Após Castrojéris, pedalei por um tempo sem dificuldades e cheguei a um trecho muito desgastante. Uma subida com aumento de nível em aproximadamente 150 metros. No alto, um parador e uma vista fantástica! A vista do que fica para trás nesses últimos quilômetros é de arrepiar!

 

 

 

Seguindo viagem passei por Itero del Castillo, Puente Fitero e Itero de La Veja – primeira cidade na província de Palencia ,  depois  Boadilla del Camino. 

Daí adiante não há aclives consideráveis e nenhuma paisagem se repete.  Na sequência, passei a pedalar ao lado do Canal de Castilla, uma das mais importantes obras de engenharia hidráulica realizadas na Espanha, entre meados do século XVIII e o primeiro terço do século XIX. O caminho reto, com muitas árvores em sua margem esquerda, me levou depois de cinco quilômetros a Frómista.

 

Em Frómista, antes de entrar no centro, a primeira coisa com que se depara é a Ermida de Santiago, também chamada de “Otero”. Logo depois, encontro a igreja de San Martín –
pertencente ao mosteiro homônimo, construída em 1066, tendo sido fundada por Dona Mayor de Castilla, viúva de Sancho III da Navarra.

Ermita de Santiago
Igreja de San Martín

 

 

O templo, que sucumbiu em um incêndio no século XV, acabou sendo totalmente recuperado e é, sem dúvida, uma das mais belas e mais importantes edificações de estilo românico europeu.

Meu destino hoje seria Frómista, já havia pedalado 74 km , mais do que esperava por dia, mas não encontrei hospedagem. Então segui para o próximo povoado – Problación de Campos.

 

 

 

 

No povoado havia a indicação do Hostel Camino do Amanhecer. Cheguei, e a Carmem, proprietária ,me disse que não havia vaga. Já era fim da tarde e estava exausta. Perguntei a Carmem se não podia dormir no sófa e ela disse: “Se você não se importa”. E u respondi : Claro que não!!!! Só queria um lugar para dormir. Para minha surpresa ela me acomodou em um lugar fantástico e ainda me serviu uma bela paella( de cortesia).  Um Perfeito dia!!!!

 

Etapa 8

Problación de Campos / Revenga de Campos / Villarmentero de Campos /Villalcázar de Sirga / Carrión de Los Condes / Calzadilla de La Cueza  / Ledigos / Terradillo de los Templarios /Moratinos / San Nicolás de Real Camino / Sahagún

Total -58,7km

No dia  amanheceu coberta por uma neblina, mas Carmem me disse que não havia  previsão de chuva. Então segui em frente.

 

A neblina me acompanhou por uns vinte quilômetros, mas fui privilegiada porque esse é um trecho que os peregrinos denominam de “andadero” fica ao do lado da “carretera”; então segui pelo asfalto do lado deles. Apesar da neblina, sentia-me tranquila e animada.
Passei por Revenga de Campos, Villarmentero de Campos e Villalcázar de Sirga, que por muito tempo pertenceu à Ordem dos Templários. E cheguei a Carrión de los Condes.
 Entrando em Carrión os peregrinos são recebidos nos edifícios da Ermida da Misericórdia e do Convento de Santa Clara, recentemente restaurado.
Das seis igrejas que ainda estão prestando serviços, a de Santa María del Camino e a  de Santiago são as mais proeminentes.

 

 

Igreja de Santa Maria Del Camino
No caminho entre Carrión e Calzadilla de La Cueza encontrei muitos peregrinos. Devagar a neblina foi se dissipando e nos presenteou com um lindo céu azul.
A próxima cidade foi Lédigos, localizada a partir de 54 km da capital. Doña Urraca, a Imperatriz de Leão e Castela, doou essa cidade para a Igreja de Compostela no século IX. Nessa aldeia, visitei a Paróquia do Apóstolo Santiago.

 

Mais alguns quilômetros vencidos, passei pela vila de Moratinos e visitei a Las Bodegas de Moratinos. No passado foram utilizadas estas pequenas cavernas no lado da colina para armazenamento de alimentos e produção de vinho.

  

 

Em San Nicolas de Real Caminho, a última aldeia da província de Palencia. Quando cheguei havia uma festa em homenagem à Padroeira do povoado. E eu, pude mais uma vez ter contato com a cultura local. A música, a roupa, a simpatia do povo me encantaram.

 

 

Segui pedalando com destino a Sahagún,um pouco antes de chegar passei pela Ermida da Virgen del Puente- uma construção do século XII, recentemente restaurada.

 

Sahagún é conhecida como a “capital românica dos pobres” por ter sido construída de barroem vez de  pedra.  A cidade leva o nome de São Facundus (San Fagundo ou San Fagun, em espanhol).

Em Sahágun fiquei hospedada no Albergue de Peregrinos Municipal Cluny, que funciona onde era a antiga abadia da Ordem de Cluny.

 

Ruínas do Monastério San Facundo 

 

 

Igreja de San Lorenzo

 

Igrejas de San Tirso 
A cidade detém numerosos exemplos de riqueza e desenvolvimento daquela época, como as igrejas de San Tirso (século XII) e San Lorenzo (século XIII), tanto de estilo românico-mudéjar, quanto de estilo neoclássico do Trinidad (do século XVI).
 

Etapa 9

Sahagún / Bercianos del Real Camino / El Burgo Ranero / Reliegos /Mansilla de Las Mulas / Villamoros de Mansilla / Puente Villarente / Arcahueja/ León

Total – 69,9 km

Deixei Sahagún atravessando uma ponte de pedra chamada Puente del Canto (“ponte de canções ‘) sobre o rio Cea, construída em 1085, por ordem de D. Alfonso. e logo teve iniciou uma estrada apedregulhada, que seguiu reta e sempre à beira da rodovia.

 

 

Passei por Berciano del Real Camino e depois por El Burgo del Ranero e, na sequência, Reliegos, uma pequena vila com menos de 500 habitantes que vivem, grande maioria, da agricultura. A igreja Paroquial é dedicada a São Cornélio e Cipriano.  
Cheguei a Mandilla de Las Mulas localizada às margens do Rio Esla. De origem romana, foi um importante centro comercial da área. Entrei na cidade pela Porta del Castillo, que é a entrada do Caminho Francês, e onde está localizado o monumento ao peregrino.

 

Logo cheguei a Léon. Foi o dia mais tranquilo de todo o caminho – muito fácil fazer o percurso de quase 57 quilômetros que liga Sahágun à León. Não houve quase nenhum aumento de nível no percurso.

 

 

León é uma cidade que surgiu a partir do acampamento romano da Legião VII Gemina. Até mesmo o “El Codex Calixtinus” descreve León como uma “cidade cheia de todos os tipos de bens”.
Fiquei hospedada no Hostal Leon, ao lado da praça. Perfeito!
 Explorando a cidade….
Catedral de Leon, uma obra-prima do estilo gótico espanhol, projetada por arquitetos franceses no século XIII,é um belo exemplo de arquitetura gótica clássica. Suas janelas longas e gloriosas são deslumbrantes à luz do sol.

 

 

Foi em Leon que conheci Òscar Jiménez, um jovem espanhol com uma historia de vida incrível. Em 2012 foi vítima de um erro médico que o colocou em uma cadeira de roda. Com um amigo, estavam percorrendo de bike e hanbike o Caminho de Santiago. Ele é autor do livro “Impossible”. Foi fantástico conversar com ele.
Visitei a Real Colegiata de San Isidoro, um dos monumentos românicos mais destacados de toda a Espanha. Foi declarado Monumento Histórico em 1910.
O mosteiro de São Marcos, cuja construção iniciou-se em 1513, foi sede da Ordem, e seus cavaleiros tinham a missão de cuidar do Caminho de Santiago e defender os viajantes.
 Hoje é um belíssimo hotel. Um museu vivo de salões senhoriais, com um Claustro e uma Sala Capitular espetaculares, amplos e elegantes quartos, biblioteca e um magnífico
restaurante que oferece uma cuidada gastronomia tradicional.

 

Etapa 10

León / La Virgem del Camino  / Valverde de La virgem / San Minguel del Camino / Villadangos del Páramo / San Martin del camino / Hospital de Órbigo / Villares de Órbigo  / Santibañes de Valdeiglesias / San Justo de La Vega / Astorga
  
Total – 52,8
 
De Leon segui para La Virgem del Camino, depois Valverde, passando por San Miguel del Camino e chegando a Villadangos del Páramos,um vilarejo de origem romana e foi um lugar onde aconteceram vários confrontos entre o Rei Afonso e Doña Urraca.

 

 

Antes de chegar a Hospital de Órbigo, passei por San Martin del Camino.

Villares de Órbigo é uma pequena cidade com uma população de 2.400 pessoas e sua ponte, a Puente de Órbigo , de origem romana, é um dos mais antigos e famosos pontos da rota Jacobina. Ela teve diversas modificações e ampliações ao longo dos séculos.

 

Na saída de Villares de Órbigo existem duas opções para seguir em direção a Astorga, e tal bifurcação acontece logo no final da zona urbana. Não vi nenhum peregrino, então segui à direita.
Por alguns momentos pensei estar perdida, pois o caminho, além de difícil, com muitas pedras soltas, estava isolado. Confesso que comecei a ficar preocupada, mesmo vendo as setas amarelas, setas formadas por pedras, etc. Depois de pedalar muito tempo sozinha , encontrei um peregrino que me disse que a maioria dos pessoas pegam  a outra opção – à
esquerda – e ultrapassam a rodovia N-120; e depois prosseguem por um “andadero” lateral até o Cruzeiro de Santo Turíbio, onde as duas variantes voltam a se unir. Fiquei mais tranquila e segui passando por Santibañes de Valdeiglesias e San Justo de La Vega.

 

 

 

 

No caminho cruzei com David e sua esposa, proprietários da La Casa de Los Dioses, local onde o peregrino é recebido com carinho e atenção.  Pode-se descansar beber ou comer algo e deixar de doação o que achar justo.

 

Logo depois cheguei ao famoso Cruzeiro de Santo Turíbio. Já dava para ver Astorga de longe. Mas antes ainda passei por San Justo de La Vega.

 

Astorga constitui-se, sem dúvida, um dos lugares mais importantes da rota. É o ponto de encontro de dois caminhos de peregrinação: o Caminho Francês e a Vía de la Plata. De acordo com os primeiros escritos, Astorga costumava ter 25 refúgios na Idade Média.

Aqui fiquei hospedada no Hotel Astorga, localizado em frente ao Museu dos Peregrinos.

 

Quando cheguei, encontrei um casal de poloneses que estava percorrendo o caminho com seus filhos. As crianças pareciam felizes por acompanharem os pais nesta jornada.
Um dos pontos turísticos mais importantes em Astorga é o Palácio Episcopal desenhado por Gaudí, que hoje abriga o Museo de los Caminos. A construção desse palácio começou em 1889 e, por falta de pagamento a Gaudi, não foi finalizada.  O edifício somente foi concluído, em 1915, pelo arquiteto Ricardo Garcia Guereta.

 

Visita ao Museu de los Caminos


 

Visitei também a Catedral de Astorga, cuja construção foi iniciada em 1471 e dedicada a Virgem Maria, levou três anos para ser concluída. Isso fez a catedral de hoje refletir diversos estilos, como o gótico,o renascentista e o barroco. Santa Martha é a santa padroeira da cidade.

 

 

Etapa 11
 Astorga / Murias de Rechivaldo /Santa Catalina de Somoza / El Ganso / Rabanal del Camino / Foncebadón /Manjarín / El Acebo / Riego de Ambrós / Molinaseca / Campo / Ponferrada
 Total – 54,7

Saí de Astorga com um nascer do sol maravilhoso. Deixando a cidade, parei em uma pequena capela para selar minha credencial e segui em frente. Passei por Murias de Rechivaldo e Santa Catalina de Somoza. Essa última já indica o começo do Monte Irago.
Passei por Murias de Rechivaldo e Santa Catalina de Somoza. Essa última já indica o começo do Monte Irago.
Após passar rapidamente por El Ganso, cheguei a Rabanal del Camino, que está localizada no sopé do Monte Irago.

 

Finalmente, depois de seis quilômetros em forte ascensão, cheguei a Foncebadón, que já foi um local místico e temido.

 

 

Este povoado, no passado abandonado, ano após ano ressurge das cinzas, graças ao empresário Enrique Gaia, que se estabeleceu na localidade, montando um restaurante onde oferece sabores gastronômicos medievais.
Após dois quilômetros de Foncebadón, cheguei à Cruz de Ferro (Iron cruz), um dos monumentos mais simples, porém um dos mais antigos e emblemáticos do Caminho.
James,o americano que abracei forte, como se tivesse abraçando toda a minha família

Sobre um montão de pedras se levanta uma pequena Cruz de Ferro, presa no alto de um tronco de madeira de uns 5 metros de altura. Foram os romanos que construíram um altar aqui para Mercúrio, o deus dos viajantes. Só mais tarde, um eremita chamado Gaucelmo colocou uma cruz de ferro no topo do poste de madeira para trazê-lo mais perto de tradições cristãs.

De acordo com as tradições, os peregrinos trazem pedras para deixá-las aqui perto da cruz e fazer seus desejos ou se livrar de uma grande carga simbólica. O lugar, sem dúvida, traz à tona sentimentos profundos. A cruz e o lugar não têm absolutamente nada de mais. É simplesmente uma cruz sobre um poste de madeira e uma casinha de pedra. Mas o
que significa passar por ali que é importante. Todos aqueles que se envolvem com o caminho espiritualmente e religiosamente acabam entendendo o significado.
Pra mim foi momento especial, a emoção foi tão intensa que caí no choro. Um choro compulsivo. Abracei forte a pessoa que estava ao meu lado – James, um americano do Kansas -, que não entendeu nada no início. Mas abraçá-lo foi como estivesse abraçando todos que amo: meu querido e amado companheiro Zé Marques, meus filhos, minha família, a família Marques e todos os meus amigos.

 

 

o peregrino deposita a
“pedra” que veio carregando consigo desde sua terra distante, como
símbolo de suas culpas, suas dores e amarguras.
O dia estava lindo, a magia do lugar era inexplicável, então fiquei um bom tempo ali – lendo o máximo de mensagem escritas nas pedras. Foi emocionante.

Seguindo viagem, cheguei a Manjarín. Bem pertinho, é um lugar muito especial. O único habitante permanente deste lugar é Tomás, o hospitaleiro, e como ele diz: “Um dos últimos Cavaleiros Templários”. Ele serve os peregrinos durante todo o ano, alimentando-os e curando-os e dando-lhes lugar para ficar a noite. Conversei com Tomás, e logo chegaram os amigos James e Tomas – aquele que eu havia abraçado. Lembrei-me de fazer uma foto com eles.

James e seu amigo Tomas

Depois comecei a descer as trilhas pelas montanhas. A descida foi maravilhosa e a paisagem magnífica. Logo encontrei um bar “móvel”. Parei ao lado de algumas arvores frutíferas. Ainda estava extasiada. Tomei uma cerveja para comemorar!

 

 

Passei por Riego de Ambrós que é um pequeno povoado cercado por encostas pitorescas. Um de seus tesouros é a Ermida de San Sebastián e San Fabian.

 

E segui para Molinaseca. Uma cidade que sempre foi importante na história. Antigamente, ainda na época romana, serviu como um posto de controle no caminho para as minas de ouro.
Diz-se que a imperatriz Dona Urraca, que teve papel muito importante na história do século nono, também viveu aqui. 
Esta cidade é realmente uma graça. Uma de suas atrações é a Igreja de San Nicolás.

 

 

De Molinaseca, fui para Ponferrada meu destino final desta etapa.

Em Ponferrada fiquei hospedada no Hotel Aroi Bierzo Plaza.
O nome Ponferrada foi dado à cidade depois de uma ponte de ferro (pons ferrata em latim) ter sido construída sobre o rio Sil em 1082, por encomenda do pelo bispo de Astorga. Isto foi possível em um período tão remoto, devido ao fato de ser a região rica em vários minerais, incluindo ferro e ouro. (Ela tinha sido centro de mineração, mesmo nos dias do Império Romano. Algumas das minas romanas ainda são visíveis.)
Explorando a cidade, visitei o Castillo de los Templarios que, construído no século XIII, pertenceu à Ordem dos Cavaleiros Templários. A principal tarefa da ordem era proteger os peregrinos que passavam pela área de El Bierzo.
Castillo de los Templarios

 

A Torre do Relógio, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, encabeça a antiga porta da cidade, através da qual se entra na Plaza del Ayuntamiento.
Torre do Relógio
Basílica de la Encina  – a Virgen de la Encina é a padroeira da região de El Bierzo. Originalmente, a basílica foi construída no final do século 12, mas desde então tem sofrido várias alterações.
 
Basílica de la Encina 

 

Etapa 12

Ponferrada / Columbrianos /Fuentes Nuevas / Camponaraya / Cacabelos / Pieros / Villafranca Del Bierzo /Pereje / Trabadelo / La Portela de Valcarse / Ambasmestas / Vega de Valcarse /Ruitelán / Las Herrerías / La Faba / Laguna de Castilla / O Cebreiro / Liñares
 
 Total-64,2km
 
Deixei Ponferrada logo pela manhã, após selar minha credencial. Atravessei quase sem perceber dois povoados, praticamente juntos: Columbrianos e Fuentes Nuevas.
 Segui para a aldeia de Camponaraya e vistei a Iglesia de San Juan Magaz de Abajo.
 

Logo depois cheguei à Cacabelos, localizada no centro de Bierzo. Esta região é amplamente conhecida pela qualidade de seu vinho branco. 
Fui pedalando em meio a uma grande área de cultivo de uvas. No caminho encontrei o Senhor Javier, que colhe e produz o seu próprio vinho.

 

Passei por Pieros e rapidamente já estava em Villafranca del Bierzo. Uma subida não muito desgastante e depois uma descida agradável vai dando entrada à cidade.
Villafranca del Bierzo é a última  localidade importante das terras leonesas. Além de sua bela paisagem, a cidade tem diversas atrações com que se encantar. Um delas é a igreja de Santiago com a “Porta do Perdão”. Diz-se que, se alguém estiver muito fraco ou doente para continuar sua peregrinação, caminhando por estas portas terá a indulgência semelhante aos que andam todo o Caminho.

 

 

 

 

Segui minha jornada deixando para trás outra bela cidade.  Depois cheguei a Pereje e Trabadelo – um pequeno povoado do vale Valcarce, pelo qual passei rapidamente. Nesse trecho o caminho é feito pela Autovia Nacional, por um “andadero” lateral, paralelo à carretera, mas separado desta por uma mureta, que dá segurança e proteção ao peregrino. O ciclista segue pelo asfalto. 

La Portela de Valcarse e Ambasmestas foram os próximos destinos, seguidos por Vega de Valcarse,  o maior assentamento no vale do rio Valcarce.

 

 

Prosseguindo, mais acima, por um túnel, terminei de percorrer a Autovia Nacional e, ainda por asfalto, passei por Rutelán e, logo em seguida, por Las Herrerias, onde planejava pernoitar, antes de seguir para o tão temido Cebreiro. Mas quando cheguei, eram 13h e o pequeno povoado de 80 habitantes não oferecia muito. Resolvi seguir em frente e
pernoitar no próximo povoado. Foi um grande erro!!!

Saí pela esquerda e fui fazer de bike o trecho que os peregrinos fazem a pé rumo ao Cebreiro. O terreno é cheio de pedras e acaba sendo impraticável ficar montado na bike. Resolvi descer e fazer um trecho  empurrando-a.

 

 

 

Sebastian- o “anjo” do dia
Depois de uma subida íngreme, cheguei a La Faba, uma pequena aldeia encantadora, onde as maioria dos habitantes está envolvida com a indústria relacionada a criação de gado. Não havia alojamento, estava exausta, mas não tinha opção: teria que continuar até Laguna onde iniciava o pior trecho até o Cebreiro. Era a minha última esperança. Mas infelizmente não havia vaga no albergue. Quase implorei para ficar, mas o proprietário não teve o que fazer. Segui e percebi o meu grande erro. Estava exausta, empurrando a bicicleta, até que um garoto alemão – Sebastian -, percebendo o meu cansaço, se ofereceu para levar minha bike. Foi o anjo do dia. Não teria conseguido chegar ao Cebreiro sem a ajuda dele.
Para se ter uma ideia, esse trecho é tão difícil que vi cavalos levando os peregrinos. Soube depois que em Herreiras esse serviço é oferecido aos peregrinos para levá-los até Cebreiro.
Cheguei ao Cebreiro por volta de 18h. Estava muito preocupada com a hospedagem, comecei a entrar em todos os albergues e a única coisa que ouvia era “não tem vaga”. Estava tão exausta que comecei a entrar em pânico: não tinha forças para pedalar depois daquela subida difícil. Mas não teve jeito, não tinha como pernoitar ali e, como já era tarde, nem curti o lugar: entrei rapidamente na Igreja de Santa Maria, acendi uma vela, selei minha credencial e segui.

Em todos os lugares em que perguntei por hospedagem, as pessoas me diziam que o próximo lugar onde, talvez, encontrasse vaga, seria Triacastela, 20 km para frente. Resignada
segui… Mas meus anjos estavam comigo e em Linares, 5km depois encontrei, um pequeno hotel  –  Casa de Jaime. Lá reuni-me a quatro francesas muito simpáticas, jantamos juntas  e tomei um vinho. Não conseguia acreditar! No fim deu tudo certo!!!!

 
Etapa 13
Liñares / Hospital da Condesa /
Alto do Poio / Fonfría / Viduedo / Fillobal / Triacastela / San Cristovo do Real / Renche / San Martiño do Real / Samos / Aguiada / San Mamede do Camino /Sarria / Vilei / Barbadelo / Rente / Mercado da Serra / Peruscallo / Cortiñas / Brea / Morgade / Ferreiros / Mercadoiro / Moutras / Parrocha / Vilachá /Portomarín
 
 Total -65,1km
 
Um amanhecer de encher os olhos e lavar a alma!!! já tinha esquecido todos os peregues do dia anterior. Renovada e animada, segui pedalando.
Depois de muito subir novamente cheguei ao Alto do Poio. O ponto mais alto do Caminho Francês,  1335 metros após o Roncesvalles. No alto, uma homenagem aos peregrinos – uma grande escultura de um peregrino avançando contra o vento, obra do escultor galego José Maria Acuña.

 

 

Segui viagem e passei por Fonfría e Viduedo. Nesta altura da etapa, só descí – uma parte linda do caminho , com visual maravilhoso. Viduedo já estava perto de Triacastela.

 

Triacastela tem origem latina, significa “três castelos”, tendo a cidade crescido ao redor de um mosteiro fortificado, dedicado a São Pedro e São Paulo, construído no século IX, nas encostas do monte Seiro, pelo conde Gatón, de El Bierzo. No entanto, hoje não existe mais nenhuma dessas construções antigas.

 

No povoado, existe uma importante bifurcação do Caminho, e eu tinha que decidir se ia pelas trilhas que passam pelo monastério de Samos, ou se seguia pelo roteiro que passa por San Xil, desembocando ambos na cidade de Sarria. Vi uns ciclistas espanhóis seguindo por San Xil e então resolvi acompanhá-los.

 

No caminho encontrei a “Fuente dos Lameiros”, uma fonte cristalina, situada num local estilizado; parei para me refrescar e hidratar, antes de prosseguir em frente.

E logo passei por San Xil, minúsculo pueblo, que contém algumas casas disseminadas, e nada tem a oferecer.

Prossegui ainda subindo até atingir, finalmente, o Alto de Riocabo, situado a 900 m de altura, o ponto de maior altimetria dessa etapa.

Dali, eu tinha uma visão ampla de inúmeros bosques e serras, tudo impecavelmente verde, em diversas tonalidades. Na  sequência, continuei descendo, mas sempre entre matas nativas.

 

 

 

 

 

Cheguei a Sarria, seguindo por sua avenida principal. Fundada pelo último rei de Leão, Afonso IX, que morreu ali em 1230 na sua peregrinação a Santiago. É a maior cidade da Galiza no Caminho Francês, exceto Santiago de Compostela. Muitos começam o caminho em Sarria. Como para se obter a compostela, basta caminhar 100 km , é uma boa opção para aqueles que não querem ou não podem fazer mais do que isso.
Esse fato de que a compostela é concedida para quem caminha pelo menos os últimos 100 quilômetros, torna a cidade um ponto de partida bastante popular. Na verdade, mais de um terço de todos os peregrinos a pé no Caminho Francês iniciam sua peregrinação ali. Muito diferente de Saint-Jean-Pied-de-Port, onde somente 8% começam sua peregrinação.

 

 

 

 

Segui passando por Vilei e depois Barbadelo. Barbadelo era originalmente parte de um mosteiro, compartilhada por monges e freiras. O prédio não existe mais, mas, em torno de 1009 a igreja foi construída como parte do mosteiro. Esta igreja, dedicada a Santiago, ainda pode ser visitada.As próximas cidades foram: Rente, Mercado da Serra, Peruscallos, Cortiñas, Brea, Morgade e Ferreiros.
 
Até chegar  a Portomarín, meu destino final para essa etapa. Fiquei hospedada no Hostal Meson do Loyo.

 

 

 

 

 Etapa 14
 
Portomarín / Gonzar / Castromaior/ Hospital da Cruz / Ventas de Narón / Ligonde / Eireche / Lestedo / Palas derei / Carballal / San Julián del Camino / Ponte Campaña / Casanova / Leboreiro/ Furelos / Melide / Boente / Castañeda / Ribadiso de Abajo /  Arzúa
 
Total -58,8km
Saí de Portamarín com a cidade coberta por uma forte neblina. Estava começando minha 14ª etapa, ainda não acreditando que faltava pouco para finalizar minha jornada.
Passei por Gonzar e Castromaior , Hospital da Cruz, e em seguida,  Ventas de Narón. Esse é o lugar onde, logo após o túmulo de Santiago ter sido descoberto em 820, as tropas cristãs derrotaram o emir de Córdoba.
Passei por Ligonde cheguei a Eireche,nome galego que significa Igreja.
 Segui para Palas de Rei (do latim Pallatium Regis, “palácio do rei”) uma pequena cidade marcada como o fim da penúltima etapa no Codex Calixtinus. Tem como atrações a Igreja de San Tirso do século XII e o Castelo de Pambre, construído em 1375. Este último fica mais afastado, então desisti de visitá-lo. Diz-se que a famosa Rainha do século 9, Doña Urraca, também foi uma moradora do local.
Fui deixando para trás Ponte Campaña,Casanova, Campanilla. Até chegar a Leboreiro – o primeiro assentamento da província La Coruña.
Visitei a pequena igreja de Santa Maria e segui pedalando
A pequena aldeia de Furelo situada no vale do Rio de mesmo nome e sua atração principal é a ponte medieval com quatro arcos.

 

 

 

Em Melide há a união de dois caminhos: O Francês com o Primitivo. A história de Melide sempre foi ligada a Santiago de Compostela e à peregrinação. Na verdade, esta é uma das razões pelas quais a cidade existe.

 

 

Em 1320, o Arcebispo de Santiago concedeu vários privilégios à cidade. Entre outros, ela poderia construir um castelo, fortalecer a área de paredes e cobrar impostos de carga.
Visitei a Iglesia de San Antonio, a Puerta Románica de San Roque e a Iglesia de Santa María y San Pedro.

 

E antes de chegar a Arzua – meu destino final para essa etapa – passei por Bente, Ribadiso de Abajo, que possui inúmeras casas típicas com xisto da região. A região é linda e as placas indicando a proximidade com Santiago me deixava eufórica.

 Em Arzua novamente dois caminhos se encontram: O Caminho del Norte e o Caminho Francês.

Fiz reserva em um hotel rural (Casa Lucas) afastado 9 km. Havia lido a respeito e me encantei com o lugar. O Sr. Lucas, proprietário, foi me buscar em Arzua; havia combinado com ele um encontro na oficina de turismo. Chegar até sua propriedade de bike não era indicado.
O hotel superou minhas expectativas. Uma linda casa de pedra, construída no séc. XVII. A casa pertence à família a cinco gerações. Sr. Lucas e a família me receberam com muito carinho. O lugar é cheio de charme.

 

Etapa 15

 
Arzúa / A Peroxa / Calzada / Boavista / Salceda / O Xen / Ras / A brea / O Emplame / Santa Irene / A Rúa / O Pedrouso
/ Amenal / San Paio / A Lavacolla / Villamaior / San Marcos / Monte Del Gozo /Santiago de Compostela
Total -41,0km
 
Acordei emocionada, ainda não acreditando que havia chegado até aqui. Meu coração batia pelo sentimento de conquista. Tudo isso em virtude da realização de um projeto. Finalizar o caminho era concluir esse projeto idealizado que agora ia se concretizando. A expectativa e a euforia transformaram aquelas primeiras horas do dia 29 de setembro de 2015. Um dia muito especial. Despedi-me do Sr. Lucas e família e segui feliz!!!!

 

Alguns quilômetros depois de deixar Arzua, encontrei no caminho uma exposição com frases filosóficas colocadas com muito capricho na parede de uma velha casa. Não havia o nome de quem deixou, mas com certeza deve ser alguém muito especial.

Segui deixando para trás Peroxa,Calzada, Boa vista, Salceda, O Xen, O rás, A Brea, O Emplame, Santa seguindo a Compostela.

 

 

No caminho um bar curioso!!!! Como as pessoas estão chegando a Santiago elas deixam ali muito do que usaram durante o percurso: camisetas, bonés, ect. Elas escrevem mensagens, nomes e expressam ali seus sentimentos. Lindo de ver! Aqui experimentei uma cerveja artesanal de nome Peregrina.
 

 

 

Antes de chegar a Santiago de Compostela, fiz uma parada no Monte del Gozo, uma colina onde os peregrinos dos velhos tempos viram as torres da catedral de Santiago pela primeira vez. Isso ainda hoje é possível estando no monumento aos peregrinos. 
 O monumento é lindo e tem uma atmosfera especial de alegria e gratidão. Vi muitos peregrinos nos quilômetros finais. Cada um com sua história, cada um com seu sentimento de dever cumprido e cada um com a emoção que certamente preenchia o coração de todos. Todo o esforço e todo comprometimento estavam prestes a se transformar em conquista. Para mim que cheguei ali sozinha depois de várias etapas e muitos quilômetros pedalados, juntando a sensação de que estava muito próxima de Santiago, foi uma emoção contagiante.
Monte del Gozo
Quando entrei em Santiago de Compostela e cheguei ao centro histórico e na praça da catedral, parei. Fiquei
admirando a catedral, que ainda passava por reformas, e pensando em tudo que tinha vivido naqueles dias anteriores. Pensava na minha família que me apoiou 1000% e já dedicava a ela a minha conquista.

 

 

 

Depois de um tempo na praça, fui até a Oficina dos Peregrinos, onde pegaria minha Compostela, o documento emitido pela ordem que simboliza a conclusão da peregrinação pelo Caminho de Santiago. A fila já estava enorme. Entrei nela e fiquei aguardando. Depois de quase uma hora, finalmente chegou a minha vez. Saudaram-me, perguntaram meu nome, pegaram minha credencial (neste momento já estava comigo) e emitiram a tão esperada compostela. Estava feliz! Muito feliz!

 

Da oficina dos peregrinos fui direto para o Hotel Gastronômico San Miguel, onde ficaria hospedada por dois dias. Queria um banho e deixar minha bagagem.
Voltei para a Praça Obradoiro e com tempo disponível fiz o que mais gosto – sentei no chão e fiquei horas observando as pessoas que finalizam ali suas jornadas. Gente do mundo inteiro, com muitas estórias para contar.
Depois fui a catedral assistir a missa dos peregrinos. Não há palavras para descrever a beleza da Catedral. É pura emoção, simplesmente fantástica.
A catedral fica completamente tomada por pessoas que estão a passeio pela cidade de Santiago e de peregrinos que terminavam a peregrinação. É difícil encontrar espaço para assistir à missa. Foi Lindo!

 

 

 

No dia seguinte explorei a cidade…

 
Na Idade Média esta bela cidade era o terceiro mais importante local de peregrinação dos cristãos,depois de Jerusalém e de Roma. Em 813,o suposto corpo do apóstolo São Tiago teria sido encontrado aqui, fato que atraiu peregrinos de todas as partes do mundo.
Do lado da Praça fica o Hostal de los Reyes Católicos, construído pelos monarcas espanhóis para abrigar peregrinos, hoje é um hotel sofisticado com acesso apenas a quem esta
hospedada. Mas eu conversei com a recepcionista e ela permitiu minha entrada. O lugar é lindo!
Dois dias na cidade foi o suficiente para explora-la. Eu ainda tinha tempo disponível e sabia que o
Caminho Frances não terminava em Santiago e sim em Finesterra. Decidi então continuar a viagem.
 

O Caminho a Finisterra é realizado pelos peregrinos que desejam conhecer o mar e ver o “Fim do Mundo”, ou o “Fim da Terra”, ou também como é chamada “A Costa da Morte”.

 A região esta situada nos confins do velho continente em um dos pontos extremos da Europa é considerada como uma terra mágica, cheia de lendas e tradições.
 

O Cabo Finisterra, situado a cerca de 100 km a Oeste de Santiago de Compostela, é considerado por muitos o verdadeiro fim do Caminho de Santiago.

 

 

 

É uma tradição peregrina molhar os pés no oceano, queimar ou deixar algo que você carregou consigo o tempo todo durante a peregrinação, uma forma de celebrar o início de uma nova vida.

Descendo na cruz podemos observei árias marcas de roupas queimadas. Este ritual eu não fiz. Mas molhei meus pés, e joguei no mar a concha Vieira que me acompanhou por toda a viagem.  Dizem que após concluir o Caminho e chegar a Finesterre devemos joga-la no mar para que assim possamos disponibilizar o conhecimento adquirido durante o trajeto. E eu conheci muito, fiz e faço questão que toda a proteção e conhecimento que tive no meu caminho estejam disponíveis. Minha concha foi para o mar da Galiza.

 

 

 

Outra tradição que fiz questão de fazê-la: ir para alto mar e ver o por do sol, que se esconde nas águas e que renasce, tal como o peregrino que chegou a Finisterra renasce de novo…

 

 

Vi o por do sol, no dia seguinte levantei muito cedo para ver o nascer do sol. Assim minha viagem ficou completa. Foi incrível!!!!

“Felicidade só é real quando compartilhada” (Christopher McCandless). 
 
Nada mais verdadeiro.
 

 

 

 

 

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30 Comments

  • Reply Fatinha Morais 26 de abril de 2016 at 23:42

    Muito bacana seu relato. Admiro sua determinação. Aguardando novas aventuras ?.

  • Reply Arnaldo Farias 27 de abril de 2016 at 01:11

    Rever o Caminho Francês pelas letras e imagens da Vera foi mais uma emoção. Voltarei!

    • Reply Vera Marques 27 de abril de 2016 at 18:03

      obrigado prof. Arnaldo. Espero revê-lo

  • Reply Jorge Adir Souza 27 de abril de 2016 at 02:48

    Muito legal, só aumentou minha vontade de fazer o caminho!
    E agora com tendência a fazê-lo de bicicleta!
    Parabéns!

    • Reply Vera Marques 27 de abril de 2016 at 18:02

      Oi Jorge, que bom que aumentou sua vontade de sair pedalando pelo Caminho. Foi magico e foi incrivel.Obrigado.

  • Reply Vera Marques 27 de abril de 2016 at 18:04

    Que legal que gostou Fatinha. Espero encontrar você na Via Claudia.Bjs

  • Reply Fatinha Morais 27 de abril de 2016 at 18:26

    Estou programando e se tudo der certo nos veremos lá sim Vera. ???

  • Reply Unknown 14 de maio de 2016 at 02:06

    Parabéns! Foi ótimo relembrar o "Camino" através de suas belas fotos. Ainda voltaremos. Paulo/Laura Belon.

    • Reply Vera Marques 18 de maio de 2016 at 15:07

      Obrigado Paulo/Laura. espero que voltem . O caminho é magico! É incrível como quem faz uma vez quer voltar.Abs

  • Reply Peter Aguiar 10 de junho de 2016 at 14:12

    Percebi que no inicio a sua mochila estava amarrada atrás do selim, e no final você estava usando as bolsas laterais, porque mudou? No ano passado fiz o Caminho a pé. Este ano estou pensando em fazê-lo de bicicleta com a minha filha. Parabéns pelo relato.

  • Reply Vera Marques 11 de junho de 2016 at 01:26

    Oi Peter. Como vai? Teve três trechos que optei em enviar meus alforges por uma van que leva sua bagagem ate para o trecho seguinte. Um deles foi o primeiro – os Pirineus-,um trecho que muito difícil. Facilitou muito enviar os alforges pela van ate Roscenvalles. Descobri que poderia fazer la em Saint Jean de Port.Foi uma ótima opção, porque eu decidi seguir o tempo todo pela trilhas dos peregrinos.Alguns ciclistas nos trechos défices es vão pela carreteira, como estava sozinha eu me sentia muito segura com os peregrinos.

  • Reply Fábio Fiedler 16 de junho de 2016 at 06:47

    Tenho pra mim que um dia farei o caminho e, certamente, de bicicleta. Parabéns pelo relato.

    • Reply Vera Marques 18 de junho de 2016 at 22:50

      Obrigado Fabio. Vou torcer para que você faça um dia esse caminho.Abs

  • Reply Anônimo 28 de junho de 2016 at 22:41

    Oi Vera, maravilhoso seu Caminho! Fotos belíssimas, com informações detalhadas, que me fizeram voltar no tempo, vez que transitei pelo roteiro Francês em 2001, 2004 e 2014. E, coincidentemente, agora em maio, fui a pé até Finisterra.
    Efetivamente, seu relato é detalhado e contém dados preciosos. Parabéns pelo seu excelente trabalho, adorei o conteúdo. Abraço forte e Bons Caminhos, ou melhor, Boas Pedaladas! Oswaldo Buzzo (www.oswaldobuzzo.com.br)

    • Reply Vera Marques 30 de junho de 2016 at 11:07

      Muito obrigado Oswaldo ! Você é uma pessoa que admiro muito, eu li do que você escreveu ante de ir viajar. Sigo seus passos. Ter um feedback seu foi um presente. Abraços

    • Reply Vera Marques 30 de junho de 2016 at 11:13

      Muito obrigado Oswaldo ! Você é uma pessoa que admiro muito, eu li do que você escreveu ante de ir viajar. Sigo seus passos. Ter um feedback seu foi um presente. Abraços

  • Reply Unknown 1 de julho de 2016 at 19:57

    Olá Vera, Que fotos maravilhosas. Graças a este teu blog já iniciei os preparativos para fazer este caminho tal como o fizeste. Seria possível dares-me uma ideia de quanto custou este teu caminho. Obrigado. Beijinhos.

    • Reply Vera Marques 29 de setembro de 2016 at 18:28

      Obrigada. desculpe pela demora na resposta. Você pode calcular um custo de 12 a 30 Euros por dia. Muitas vezes e possível albergues gratuitos. E preço varia de 5 a 20 Euros a estadia. O menu do peregrino custa 12 Euros,mas se você fizer supermercado gastara menos ainda. Vai e sera maravilhoso!!!!

  • Reply Luis Henrique Falconi 8 de julho de 2016 at 03:28

    Vera… Muito obrigado por todo o texto, repleto de emoção e conhecimento, que me incentivam cada vez mais a seguir nessa peregrinação, por coincidência, prevista exatamente no mesmo período em que esteve lá e pelo mesmo caminho…
    Como você espero ter a coragem de seguir o caminho… Forte abraço

    • Reply Vera Marques 29 de setembro de 2016 at 18:33

      Obrigado!!!Fico feliz que de alguma maneira incentivei. VÁ tranquilo, você fará uma viagem que ficara para sempre na memoria . E com certeza votará com muita estórias para contar e isso não tem preço.Boa viagem

  • Reply vera lucia dias 9 de julho de 2016 at 23:12

    Que beleza!! Muito obrigada! Lindas fotos!

  • Reply Unknown 11 de julho de 2016 at 00:21

    Amei..Vera!! Simplesmente…Parabéns, por cada detalhe!!
    Me deu mais força e coragem!!
    Estou me preparando para ir final de abril 2017,sozinha também…estava em dúvida, caminhando ou pedalando…
    Depois de seu relato lindo, acredito que pedalando! Muito obrigada, abraços

  • Reply Anônimo 11 de julho de 2016 at 21:19

    Fantástico, viajei nas fotos muito bem tiradas e relatos espetaculares. Aula de cultura.

  • Reply Vera Marques 29 de setembro de 2016 at 18:30

    Muito obrigado! Minha intenção é mesmo compartilhar o que aprendo pelo caminhos. Abs

  • Reply peixecarneiro 5 de outubro de 2016 at 19:13

    Oi Vera, suas fotos, seus relatos e sua experiência era tudo que eu precisava para iniciar o planejamento da minha aventura pelo CAMINO no próximo ano. Parabéns e muito obrigado por compartilhar. Um abraço, Paulo C.

  • Reply Jussara 31 de outubro de 2016 at 19:06

    Como vc foi até finisterra , vou em julho de 2017 na segunda quinzena de bike eletrica pois tenho pouco tempo.

    • Reply Vera Marques 2 de novembro de 2016 at 15:16

      Oi Jussara que bom que você esta indo!!!!
      Em Santiago muitos me desencorajaram seguir de bike sozinha. Me alertaram sobre subidas e que de Santiago para frente o numero de peregrinos eram muito pouco. Mas decidi seguir…Pedalei até chegar em Ventosa.
      Ate lá não encontrei ninguém e comecei a não me sentir muito segura ( estava sozinha) e muitos haviam me alertado. Então decidi pegar um ônibus ate Finesterre. Foi bem tranquilo, pude colocar a bike no bagageiro.
      Se você tem pouco tempo uma opção e sair direto de Santiago ate Finesterre de onibus.
      Abs e boa viagem

  • Reply antonio pinho 4 de abril de 2017 at 06:54

    Minha cara, parabéns pelas suas crónicas. Invejo-a por não ter a capacidade/oportunidade de fazer as viagens que fez e fará certamente. Esta de Santiago, para mim, serviu para matar as saudades. Fiz exactamente o mesmo caminho em 2008, quando tinha a sua actual idade. http://www.forumbtt.net/showthread.php?9416-Cr%F3nica-O-Caminho-Frances-de-Santiago-de-Compostela-Setembro-2008. Espero que continue e não faça como eu pare a pensar quando volto à estrada. Bom caminho

    • Reply Vera Marques 1 de agosto de 2017 at 08:38

      Obrigado Antonio. Desculpe pela demora em responder. Estive viajando por ai logo mais sera publicado. Foram três meses pedalando, vou precisar de tempo para escrever. Abraços

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