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Caminho Francês de Santiago de Compostela – 11ª Etapa

16 de agosto de 2018

No Caminho Francês de Santiago de Compostela

11ª Etapa

Astorga / Murias de Rechivaldo / Santa Catalina de Somoza / El Ganso / Rabanal del Camino / Foncebadón / Manjarín / El Acebo / Riego de Ambrós / Molinaseca / Campo / Ponferrada

Total – 54,7

Saí de Astorga com um nascer do sol maravilhoso. Deixando a cidade, parei em uma pequena capela para selar minha credencial e segui em frente. Passei por Murias de Rechivaldo e Santa Catalina de Somoza. Essa última já indica o começo do Monte Irago.

Após passar rapidamente por El Ganso, cheguei a Rabanal del Camino, que está localizada no sopé do Monte Irago.

Finalmente, depois de seis quilômetros em forte ascensão, cheguei a Foncebadón, que já foi um local místico e temido.

Este povoado, no passado abandonado, ano após ano ressurge das cinzas, graças ao empresário Enrique Gaia, que se estabeleceu na localidade, montando um restaurante onde oferece sabores gastronômicos medievais.

Após dois quilômetros de Foncebadón, cheguei à Cruz de Ferro (Iron cruz), um dos monumentos mais simples, porém um dos mais antigos e emblemáticos do Caminho. Sobre um montão de pedras se levanta uma pequena Cruz de Ferro, presa no alto de um tronco de madeira de uns 5 metros de altura. Foram os romanos que construíram um altar aqui para Mercúrio, o deus dos viajantes. Só mais tarde, um eremita chamado Gaucelmo colocou uma cruz de ferro no topo do poste de madeira para trazê-lo mais perto de tradições cristãs.

Cruz de Ferro

De acordo com as tradições, os peregrinos trazem pedras para deixá-las aqui perto da cruz e fazer seus desejos ou se livrar de uma grande carga simbólica. O lugar, sem dúvida, traz à tona sentimentos profundos. A cruz e o lugar não têm absolutamente nada de mais. É simplesmente uma cruz sobre um poste de madeira e uma casinha de pedra.

Mas o que significa passar por ali que é importante. Todos aqueles que se envolvem com o caminho espiritualmente e religiosamente acabam entendendo o significado.

Pra mim foi momento especial, a emoção foi tão intensa que caí no choro. Um choro compulsivo. Abracei forte a pessoa que estava ao meu lado – James, um americano do Kansas -, que não entendeu nada no início. Mas abraçá-lo foi como estivesse abraçando todos que amo: meu querido e amado companheiro Zé Marques, meus filhos, minha família, a família Marques e todos os meus amigos.

Seguindo viagem, cheguei a Manjarín. Bem pertinho, é um lugar muito especial. O único habitante permanente deste lugar é Tomás, o hospitaleiro, e como ele diz: “Um dos últimos Cavaleiros Templários”. Ele serve os peregrinos durante todo o ano, alimentando-os e curando-os e dando-lhes lugar para ficar a noite. Conversei com Tomás, e logo chegaram os amigos James e Tomas – aquele que eu havia abraçado. Lembrei-me de fazer uma foto com eles.

 

Depois comecei a descer as trilhas pelas montanhas. A descida foi maravilhosa e a paisagem magnífica. Logo encontrei um bar “móvel”. Parei ao lado de algumas arvores frutíferas. Ainda estava extasiada. Tomei uma cerveja para comemorar!

Passei por Riego de Ambrós que é um pequeno povoado cercado por encostas pitorescas.

Um de seus tesouros é a Ermida de San Sebastián e San Fabian.

E segui para Molinaseca. Uma cidade que sempre foi importante na história. Antigamente, ainda na época romana, serviu como um posto de controle no caminho para a  Igreja de San Nicolás.

De Molinaseca, fui para Ponferrada meu destino final desta etapa.

O nome Ponferrada foi dado à cidade depois de uma ponte de ferro (pons ferrata em latim) ter sido construída sobre o rio Sil em 1082, por encomenda do pelo bispo de Astorga. Isto foi possível em um período tão remoto, devido ao fato de ser a região rica em vários minerais, incluindo ferro e ouro. (Ela tinha sido centro de mineração, mesmo nos dias do Império Romano. Algumas das minas romanas ainda são visíveis.)

Explorando a cidade, visitei o Castillo de los Templarios que, construído no século XIII, pertenceu à Ordem dos Cavaleiros Templários. A principal tarefa da ordem era proteger os peregrinos que passavam pela área de El Bierzo.

A Torre do Relógio, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, encabeça a antiga porta da cidade, através da qual se entra na Plaza del Ayuntamiento.

Basílica de la Encina  – a Virgen de la Encina é a padroeira da região de El Bierzo. Originalmente, a basílica foi construída no final do século 12, mas desde então tem sofrido várias alterações.

Depois de explorar a cidade , descansei para estar pronta para a próxima etapa.

Clique aqui – 12ª Etapa

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