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Caminho Francês de Santiago de Compostela – 12ª Etapa

16 de agosto de 2018

No Caminho Francês de Santiago de Compostela

12ª Etapa

Ponferrada / Columbrianos / Fuentes Nuevas / Camponaraya / Cacabelos / Pieros / Villafranca Del Bierzo / Pereje / Trabadelo / La Portela de Valcarse / Ambasmestas / Vega de Valcarse / Ruitelán / Las Herrerías / La Faba / Laguna de Castilla / O Cebreiro / Liñares

Total-64,2km

Deixei Ponferrada logo pela manhã, após selar minha credencial. Atravessei quase sem perceber dois povoados, praticamente juntos: Columbrianos e Fuentes Nuevas.

Segui para a aldeia de Camponaraya e vistei a Iglesia de San Juan Magaz de Abajo.

Logo depois cheguei à Cacabelos, localizada no centro de Bierzo. Esta região é amplamente conhecida pela qualidade de seu vinho branco.

Fui pedalando em meio a uma grande área de cultivo de uvas. No caminho encontrei o Senhor Javier, que colhe e produz o seu próprio vinho.

Passei por Pieros e rapidamente já estava em Villafranca del Bierzo. Uma subida não muito desgastante e depois uma descida agradável vai dando entrada à cidade.

Villafranca del Bierzo é a última localidade importante das terras leonesas. Além de sua bela paisagem, a cidade tem diversas atrações com que se encantar. Um delas é a igreja de Santiago com a “Porta do Perdão”. Diz-se que, se alguém estiver muito fraco ou doente para continuar sua peregrinação, caminhando por estas portas terá a indulgência semelhante aos que andam todo o Caminho.

Segui minha jornada deixando para trás outra bela cidade.  Depois cheguei a Pereje e Trabadelo – um pequeno povoado do vale Valcarce, pelo qual passei rapidamente. Nesse trecho o caminho é feito pela Autovia Nacional, por um “andadero” lateral, paralelo à carretera, mas separado desta por uma mureta, que dá segurança e proteção ao peregrino. O ciclista segue pelo asfalto.

La Portela de Valcarse e Ambasmestas foram os próximos destinos, seguidos por Vega de Valcarse,  o maior assentamento no vale do rio Valcarce.

Prosseguindo, mais acima, por um túnel, terminei de percorrer a Autovia Nacional e, ainda por asfalto, passei por Rutelán e, logo em seguida, por Las Herrerias, onde planejava pernoitar, antes de seguir para o tão temido Cebreiro. Mas quando cheguei, eram 13h e o pequeno povoado de 80 habitantes não oferecia muito. Resolvi seguir em frente e pernoitar no próximo povoado. Foi um grande erro!!!

Saí pela esquerda e fui fazer de bike o trecho que os peregrinos fazem a pé rumo ao Cebreiro. O terreno é cheio de pedras e acaba sendo impraticável ficar montado na bike. Resolvi descer e fazer um trecho  empurrando-a.

 

Depois de uma subida íngreme, cheguei a La Faba, uma pequena aldeia encantadora, onde as maioria dos habitantes está envolvida com a indústria relacionada a criação de gado. Não havia alojamento, estava exausta, mas não tinha opção: teria que continuar até Laguna onde iniciava o pior trecho até o Cebreiro.

Era a minha última esperança. Mas infelizmente não havia vaga no albergue. Quase implorei para ficar, mas o proprietário não teve o que fazer. Segui e percebi o meu grande erro. Estava exausta, empurrando a bicicleta, até que um garoto alemão – Sebastian -, percebendo o meu cansaço, se ofereceu para levar minha bike. Foi o anjo do dia. Não teria conseguido chegar ao Cebreiro sem a ajuda dele.

Para se ter uma ideia, esse trecho é tão difícil que vi cavalos levando os peregrinos. Soube depois que em Herreiras esse serviço é oferecido aos peregrinos para levá-los até Cebreiro.

Cheguei ao Cebreiro por volta de 18h.

Estava muito preocupada com a hospedagem, comecei a entrar em todos os albergues e a única coisa que ouvia era “não tem vaga”. Estava tão exausta que comecei a entrar em pânico: não tinha forças para pedalar depois daquela subida difícil. Mas não teve jeito, não tinha como pernoitar ali e, como já era tarde, nem curti o lugar: entrei rapidamente na Igreja de Santa Maria, acendi uma vela, selei minha credencial e segui.

No Cebreiro está a Iglesia de Santa Maria. A história dessa igreja retrata um milagre. Durante a Idade Média, o Santo Graal foi mantido lá e usado em missas. Certa ocasião, um morador, em meio à tempestade de neve na montanha,  direcionou-se ao Cebreiro para assistir à missa. Era o único presente e a missa foi celebrada para ele. Então ao final da cerimônia, deu-se ao morador um pedaço de pão e um gole de vinho. Naquele momento, o pão se transformou em carne e o vinho em sangue.  Os restos de sangue e carne ainda são mantidos na igreja em um relicário de prata.

Em todos os lugares em que perguntei por hospedagem, as pessoas me diziam que o próximo lugar onde, talvez, encontrasse vaga, seria Triacastela, 20 km para frente. Resignada segui… Mas meus anjos estavam comigo e em Linares, 5km depois encontrei, um pequeno hotel  –  Casa de Jaime. Lá reuni-me a quatro francesas muito simpáticas, jantamos juntas  e tomei um vinho. Não conseguia acreditar! No fim deu tudo certo!!!!

Exausta,aprecie o fim do dia e fui descansar e me preparar para o dia seguinte.

clique aqui 13ª Etapa

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