Viagem de Bike

Circuito do Vale Europeu : cicloturismo no Brasil

22 de maio de 2016

Cicloturismo no Valeu Europeu Catarinense  é uma experiencia incrível!!!!   As pessoas tem uma receptividade fora do comum e te recebem de braços abertos e o contato com a natureza e de tirar o folego e lavar a alma!!!!

Saímos de Araçatuba no dia 05/02/2016 em um voo com destino a Navegantes. Pois é, de Araçatuba a Timbó  ( no Vale EuropeuCatarinense)– ponto inicial do circuito – são 876 km. Chegar lá de carro seria loucura, precisávamos estar inteiros para encarar 7 dias de pedal . Então o jeito foi encarar um voo e levar as bikes no avião.
Como não há uma regra padrão para todas as empresas com relação ao transporte de bikes, liguei diretamente à Azul Linhas Aéreas e me informei a respeito de transporte das bicicletas antes de comprar os bilhetes. A única referencia feita foi sobre o peso. Não poderia ultrapassar 23 kg de bagagem. Pode-se despachar mais de um volume, desde que o peso total não exceda esse limite. Além disso, artigos esportivos são inclusos nesses limites. Então pronto!!!!! Elas pesam menos que isso.

Também há varias opções para embalar as magrelas, existem malas específicas para o transporte.

Temos uma de lona usada em uma viagem anterior, mas dessa vez decidimos levar as bikes em caixas de papelão que geralmente são jogadas fora pelas bicicletárias. Não tem segredo, protege muito bem e, não custa nada. Os pedais foram removidos e embalados, o guidão virado paralelo ao quadro e com as extremidades embaladas, e a roda dianteira removida e afixada no quadro de modo que não se solte e finalmente colocadas nas caixas.
No check-in foi tudo tranquilo, receberam as caixas com as bikes normalmente. Não paguei nenhuma taxa extra (muito bom economizar para a próxima viagem !!!).
Chegando a Navegantes, encontramos com o Laercio Schaefer. Havíamos combinado com ele o transfer do aeroporto até o Hotel em Timbó. Do aeroporto de Navegantes até Timbó são 77 Km – uma hora e meia até chegarmos lá. 
Ficamos no Timbó Park Hotel (tel.47 3281 0700). Chegamos, desembalamos as bikes, conferimos tudo – elas chegaram inteiras sem nenhum arranhão. Depois fomos ao restaurante Tapioka, onde depois de assinarmos um termo de responsabilidade, retiramos os passaportes para serem carimbados em cada localidade que passássemos. Com esse passaporte no final do circuito receberíamos um certificado de conclusão. 

 

Guia do Circuito Vale Europeu

O roteiro

Uma proposta do Clube de Cicloturismo (www.clubedecicloturismo.com.br), que existe há 15 anos no Brasil. A proposta foi feita e aceita imediatamente, houve uma adesão unânime dos municípios: Timbó, Pomerode, Indaial, Ascurra, Rodeio, Dr. Pedrinho, Rio dos Cedros, Benedito Novo e Apiúna.  
Na época (2006) foi um grande desafio para os idealizadores do circuito. Pouco se sabia sobre as estradas, estrutura e atrativos dos lugares. Foi então que Rodrigo Telles e Eliana Britto Garciarealizaram um minucioso trabalho de mapeamento em toda a região, traçaram a rota, criaram um guia com planilhas e todas as informações.

Para os idealizadores do projeto era importante existir no Brasil roteiros preparados para ciclistas, assim como é lá fora. Um dos exemplos é o Caminho de Santiago de Compostela ou Via Cláudia Augusta, só para citar alguns famosos na Europa. Eles e todos que apoiaram a ideia deixaram um legado inestimável para nós que adoramos viajar e pedalar.


No nosso circuito Europeu são 300km de estradas de terra tranquilas e lindas passando por pequenas cidades e vilarejos que tiveram origem na colonização europeia.  

É muito bem sinalizado e com infraestrutura de hospedagem entre os trechos. E outra coisa legal desse circuito é que a maior parte dele – 90% do trajeto – é feita em estradas de chão batido. São estradinhas que vão ligando as cidades pelo interior.

Assim se evita o asfalto e se aproveita muito mais a natureza, como a Cachoeira do Baú. São 35 metros de queda livre. A região toda é conhecida como o Vale das Cachoeiras. São centenas delas. Ninguém sabe ao certo quantas cachoeiras existem na região.
A viagem no circuito pode ser planejada e executada por cada viajante da maneira que lhe for mais conveniente, podendo ser dividido em 2 partes – baixa e alta. Recomenda-se reservar 3 dias para pedalar a parte baixa e 4 dias para a parte alta mas são sugeridos sete dias (ou mais) para que se desfrute o máximo possível do caminho.
A dificuldade de cada etapa é dada pelo guia oficial, em uma escala de um a cinco. A maioria das etapas fica entre três e cinco, isso já dá uma ideia que este roteiro não é para iniciantes. Em todos os dias há fortes ascensões, mas é claro que sempre é possível empurrar a bike nas subidas.
Nós seguimos exatamente o que foi sugerido no site www.clubedecicloturismo.com.br. Fizemos os 300 Km em 7 dias e uma média de 42 Km/dia.
Como era feriado de carnaval fizemos todas as reservas de hotéis antecipadamente.
Nossa pedalada

1º DIA – TIMBÓ A POMERODE
DISTÂNCIA TOTAL: 46 KM
ASCENÇÃO TOTAL: 510 METROS

link do mapa
O hotel Park do Timbó oferece para os ciclistas um lanche para ser levado no percurso. Então pegamos nossos lanchinhos, passaporte, bicicletas prontas, alforjes instalados, foto da largada e lá fomos nós, rumo a mais uma grande aventura, confiantes e cheios de expectativas.
Saímos do restaurante Tapioka, o marco zero do circuito em direção a Pomerode bem cedo. Com um dia de sol e temperatura agradável.Nos primeiros quilômetros, o chão é de paralelepípedos e asfalto, depois, terra batida e uma paisagem encantadora, estrada rural, cheiro de mato, muitos pássaros, flores, tudo que a gente gosta! Tudo indicava que teríamos um dia muito prazeroso.
A viagem foi tranquila, passamos por Rio dos Cedros e atravessamos um morro, passando pela localidade de Rio Ada para finalmente chegar a Pomerode. A subida deste morro, antes de chegar ao Rio Ada, foi o maior desafio físico do dia, mas o visual lá de cima e a mata atlântica que cobre o percurso compensam de longe o esforço.

Com a sinalização, que é feita por placas, totens ou setas amarelas juntamente com as planilhas de orientação, foi muito fácil aproveitar ao máximo tudo que o caminho tinha para oferecer.

Visitamos algumas igrejinhas que encontramos no caminho. 

 

Capela Nossa Senhora da Gloria -1948
Já quase chegando a Pomerode, passamos pela Rota Enxaimel com muitas construções do estilo enxaimel, uma técnica de construção que consiste em paredes montadas com hastes de madeira montadas em posições verticais, inclinadas ou horizontais. Várias delas estão identificadas com plaquinhas, que trazem um pouco da história da edificação. 

Foi quando vimos a Casa Siewert com uma placa escrita “aberta”.

Não tivemos dúvidas paramos e fomos recebidos por uma simpática família, representada pelo patriarca Vendelin, pelo filho Rogério, e pelos netos Júlia e Matheus, que nos contaram um pouco da história de seus antepassados, que iniciaram sua trajetória no Brasil por meio de Carl Friedrich Ferdinand Siewert, vindo da Alemanha, em 1868.

Com uma explicação bastante simples, eles revelaram um pouco da vida dos seus antepassados, ainda preservada nos dias de hoje, como eles chegaram e se estabeleceram em Pomerode. Rogério nos mostrou todas as dependências da casa, o rancho, as carroças que eram utilizadas como meio de transporte até Blumenau. 

Falou sobre a história da família, por meio de um banner que mostra a árvore genealógica.Também contou que tudo “girava” em torno da produção de milho, a qual Rogério explana com uma ilustração que mostra o quanto esse cereal era importante. “Se havia milho, a sobrevivência estava garantida, pois todas as outras coisas dependiam dele. Como a sua colheita se dava no início de janeiro, o ano estava atrelado a uma boa produção. Não havia comércio ou agropecuária para comprar farelo ou carolo, tudo era produzido por meio do milho”, enfatiza.

Ele também nos mostrou uma bike Durkopp alemã da década de 50 – linda!!!!

Segundo ele, era com ela que o pai ia se encontrar com a mãe quando eles namoravam.
Foi uma verdadeira viagem ao passado. Deixamos a família e seguimos pedalando. Se não tivesse um percurso para cumprir ficaríamos lá o dia todo.

Damasco -colhido para nós 

Chegamos a Pomerode, na Pousada Max (tel.47 3387 3070) no fim da tarde, tomamos banho, nos acomodamos e fomos direto para a rua explorar um pouco a cidade. 

 

Nossa parada foi na cervejaria Schornstein Kneipe localizada em um charmoso prédio tombado pelo patrimônio histórico e que tem uma imponente chaminé de 30 metros de altura feita de tijolos maciços artesanais. Daí vem à origem do nome Schornstein, que, em alemão, significa chaminé. É uma das atrações da cidade mais alemã do Brasil (como Pomerode é conhecida).

Ali encerramos o dia!

2º DIA – POMERODE A INDAIAL

DISTÂNCIA TOTAL: 41 KM

ASCENÇÃO TOTAL: 520 M


Saímos bem cedo de Pomerode, e logo passamos pelos bairros de Wunderwald e da Mulde (no município de Timbó).
O bairro de Wunderwald, no início do trajeto, é muito bonito. Foi lá que encontramos o Cemitério dos Imigrantes são aproximadamente 80 túmulos e para muitos o tempo foi cruel com as lápides que estão bem deterioradas. O túmulo mais antigo data de 1898, 61 anos antes da emancipação do município.
O Cemitério parou de receber sepultamentos por volta da década de 1950 e desde então passou a ser motivo de constante preocupação da comunidade para que as memórias dos que foram sepultados naquele lugar fossem preservadas. Para manter a tradição e história do local, há um projeto de revitalização. Esperamos que o projeto se concretize, afinal são 124 anos de historia submerso no verde do mato que não para de crescer.
Cemitério  dos Emigrantes envolto em neblina da manhã
Lapide  de 1933
Seguimos pedalando por estradinhas de interior, casas antigas, quase todas em estilo alemão e muito bem cuidadas, mesmo sendo simples. Encontramos pelo percurso todo pessoas cuidando dos seus jardins. Realmente a colonização faz a diferença. 

Projeto Bugio

Logo perto de Indaial vimos muitos macacos Bugio, descobrimos depois que na cidade existe um projeto – Projeto Bugio -,uma espécie de refúgio para esses bichos, além de ser um centro de estudos que atrai pesquisadores de todo o Brasil que querem saber mais desses macacos considerados “anjos da guarda” (segundo especialistas se uma epidemia acontece eles são os primeiros a morrer).
O objetivo do projeto também é sensibilizar a comunidade regional quanto à importância da conservação desta espécie de primata; e capacitar estudantes e profissionais interessados em desenvolverem estudos na área de primatologia, biologia e medicina da conservação.
Na medida em que a estrada subia o morro, ficavam para trás as casinhas e aparecem os riachos e muitas árvores.
Tivemos duas subidas longas no dia, mas não tão íngremes como a do dia anterior e com trechos planos intercalados.
Nesse trecho também é possível fazer um desvio para visitar o Morro Azul (dizem que a vista do morro é fantástica). Para chegar lá é necessário desviar alguns quilômetros do percurso (cerca de 7km de ida e outros 7km de volta, pelo mesmo caminho) e encarar uma longa e forte subida, sendo que no último trecho é necessário deixar a bicicleta e subir a pé.Não encaramos,a subida do Rio Ada do dia anterior ainda repercutia na memoria.
Seguimos até encontrar a BR470 ponto onde deveríamos cruzar a estrada para seguir pedalando.Com tráfego muito intenso de carros e caminhões, que exige o máximo cuidado, decidimos seguir pelo acostamento até encontrarmos um retorno seguro. Cruzamos a BR-470, fazendo o último trecho do trajeto, ainda em estrada de chão.
Passamos ao lado do enorme rio Itajaí-Açu, com sua força batendo nas pedras ao longo da via.

Em Indaial cruzamos a ponte dos Arcos e seguimos para o Hotel Fink (tel.47 3333 3703).

Fomos muito bem recebidos, o hotel é muito agradável e é possível lavar roupas. A proprietária oferece sua maquina de lavar roupa.

3º DIA – INDAIAL A RODEIO

DISTÂNCIA TOTAL: 28 KM

ASCENÇÃO TOTAL : 170 M

Iniciamos o nosso terceiro dia pedal. Este foi um dia com a distância mais curta – 26km. Como era o dia mais fácil do trajeto, plano e com baixa quilometragem, não nos preocupamos com o horário de chegada. 
A principal atração deste dia foi a Ponte Pênsil Warnow, logo no quilômetro 8,7 à esquerda, num desvio de 700m. Há na estrada uma placa indicando o local. A ponte é realmente impressionante! Dá para ver que ela foi feita há bastante tempo atrás (segundo um morador local na década de 40). Ela é feita de madeira e cabos de aço, é muito estreita com passagem para um carro por vez, um semáforo indica o fluxo dos veículos. Não é necessário cruzar a ponte para continuar no circuito, mas nós nos divertimos bastante travessando ( indo e vindo) de bicicleta e a vista do rio é muito bonita. Na ponte aproveitamos para tirar várias fotos e interagir com outros ciclistas que lá estavam.

Uma das coisas fantásticas de uma viagem são os encontros que ela nos proporciona.

Encontramos um grupo de ciclistas de Campo Mourão (PR), eles estavam em três pessoas (Chris, Andrea e Edu) e acampando quando não conseguiam hospedagem e um grupo de 17 pessoas (15 do Recife, 1 de Pernambuco e outra de Caruaru) eles estavam com assessoria de agencia de viagem e carro de apoio. 
O dia continuou lindo, com céu de brigadeiro, em todo o trajeto. Uma constante no circuito foi às plantações de arroz. A partir de Indaial vimos varias. Segundo as pessoas com quem conversei, leva-se, em média, quatro meses do plantio até a colheita.
As pessoas da região são muito simpáticas e receptivas. É muito interessante interagir com pessoas de cultura e hábitos diferentes dos nossos e sentir as nuances de cada um. O ritmo de vida é diferente e as perspectivas da vida também.

Passamos por Ascurra, cidadezinha pequena e simpática, que liga Indaial a Rodeio. 


A Igreja Matriz de Ascurra foi inaugurada em 1912 depois de conflitos entre os padres Salesianos e Franciscanos. A sua arquitetura é preservada desde a sua construção, que iniciou em 1907.

 

Seguimos até Rodeio e paramos na prefeitura, onde havia a placa de conclusão do terceiro dia. Entramos carimbamos o passaporte do circuito.

Como era cedo fomos ate um restaurante para o almoço e de lá seguimos para a Pousada Cama & Café Stolf( tel:47 3384 1498).

Fomos recebidos pela família da D. Irene e o Sr. Dandi.

Cascata “O Salto”

Quando chegamos nossos quartos não estavam disponíveis então Sr. Dandi – muito gentil e simpático – sugeriu que visitássemos a cachoeira Cascata “O Salto”– próximo a 2 km dali, ate que os quartos ficassem prontos. O grupo de Campo Mourão chegou e consegui hospedagem na pousada, mas só a Chris decidiu nos acompanhar. Deixamos os alforjes e seguimos de bike. Foi um presente; o calor estava intenso. Passamos à tarde lá. 
Quando voltamos nosso quarto estava pronto e a Dona Irene nos ofereceu a maquina de lavar roupa. Acomodamo-nos e depois fomos explorar a pequena cidade.

A noite o Sr. Dandi nos levou de carro para o Restaurante Rei das Trutas, ele foi muito gentil, então convidamos para que ele jantasse com a gente. 
Foi uma ótima companhia, ele nos contou muito sobre o circuito e todo o envolvimento dele e da família com o projeto e também falou sobre as culturas e tradições dos colonos. Tomamos vinho, uma truta deliciosa e um bom papo. Nada melhor para encerrar o dia.

4º DIA – RODEIO A DOUTOR PEDRINHO

DISTÂNCIA TOTAL: 48 KM 

ASCENÇÃO TOTAL: 1120 M

Pela manhã encontramos o grupo de Campo Mourão para o café, quando chegamos à cozinha D. Irene já tinha tudo pronto só pra nós, inclusive pães de queijo saindo do forno. Enquanto comíamos o Sr. Dandi disse que devido à longa subida que encararíamos já no começo, era bom não levar muita água na saída, que levássemos apenas a quantidade para a subida de 8 km e que chegando ao topo teria um bica d’água onde poderíamos nos abastecer com segurança, evitando carregar morro acima um peso desnecessário já no começo. Ótima dica!
Grupo de Campo Mourão (PR) Andrea, Edu e Chris
Dona Irena e Sr. Dandi

Iniciamos a subida para a parte alta do Circuito, sozinhos – gostamos de sair cedo.

Já o grupo de Campo Mourão seguiria mais tarde.Estávamos preparados para o dia mais puxado, muita ascensão, são 1.120 metros. Este é o trecho com a mais longa subida de todo o Circuito. Boa parte dessa subida é sombreada pela mata. 
A sinalização de inicio do percurso começava a uns 500 metros do hotel, já com o início da subida do morro do Ipiranga. São 8 quilômetros ininterruptos até o final. A paisagem muito bonita ajudou. 

Além disso, lá pela metade da subida, encontramos “O Pequeno Paraiso”.

Vimos uma casa, logo ao lado do Cristo então eu perguntei para um garoto que lá estava se ele sabia quem era o responsável pelo lugar . Ele me mostrou uma casa.
Fui até lá e um senhor simpático veio nos receber, perguntei se ele era o responsável por aquele paraíso. Ele foi prontamente confirmou.
Seu nome : Paulo Notari , 86 anos, é agricultor. Homem de muita fé ,foi logo nos dizendo : “A primeira coisa que Deus fez foi os anjos e a segunda fomo s nós. Então aqui é um pequeno paraíso da minha cabeça”.
Ele ficou acamado por um tempo e durante esse período leu a bíblia varias vezes. Nos convidou a entrar e nos mostrou uma mesa em forma de roda d’água, com um tampo de vidro e um presépio dentro que ele havia construído. Mostrou também uma maquete de um portal que deseja colocar ali. Segundo ele o portal terá 10 metros de altura e será a “porta do Céu”. A fé que ele tem impressiona.
Sr. Paulo Notari e D. Ana
Foi ele quem plantou todas as hortênsias que envolvem a estrada do Ipiranga, depois resolveu fazer o Cristo Redentor e por fim colocou mais de 60 anjos, ao longo do caminho, para protegê-lo e agradecer. Senhor muito simpático, casado com Dona Ana, que foi a primeira mulher a descer o Ipiranga de bicicleta, a muitos anos atrás.

Passamos mais de uma hora escutando as suas histórias e projetos.

Saímos de lá e notamos que passava de duas horas desde que saímos do hotel e não havíamos andando nem 10 quilômetros.

Nesse momento chegou o grupo de Campo Mourão e a partir dali seguimos juntos.

Grupo de Campo Mourão nos alcançou… e daqui seguimos juntos

As casas, mesmo nesse trajeto remoto, continuavam muito bonitas e convidativas.

Paramos em uma delas para pedir água e fomos muito bem recebidos. 
De repente o sol deu lugar a algumas nuvens negras e começou a chover e por incrível que pareça estávamos em frente de uma pequena igreja ( N.S. de Lourdes). 
Tínhamos lugar para nos abrigar.  E como o pessoal estava preparado para camping, eles tinham todo o equipamento para fazer um almoço e nos convidou. 
Nosso cozinheiro foi o Edu, uma pessoa muito gentil. Para ele estar ali fazendo o percurso, tinha um significado muito especial – ele havia superado um câncer ósseo no joelho. Foi fantástico!!!!Um exemplo de superação. Com certeza aprendemos muito nessas poucas horas de convívio.

 

 

E a chuva durou o tempo do almoço.

O sol logo apareceu, e seguimos. Caminho lindo, paisagens de tirar o fôlego e muito calor! Mas a grande subida do dia estava vencida.
Alguns quilômetros mais adiante, encontramos uma bifurcação e o desvio para a famosa Cachoeira do Zinco. Apesar de altamente recomendável visitar a a cachoeira, de mais de 70m, e apreciar a vista para o vale, que é fantástica – nós não encaramose grupo de Campo Mourão também não. Seria necessário dormir lá, uma vez que são 8 km de ida, dos quais dois de subida (200m de desnível). Nos não tínhamos essa opção e ir e voltar (16km com subida forte) estava fora de cogitação. 
Então continuamos, a estrada seguiu em boa parte plana, acompanhando um rio, mas ainda havia algumas subidas bastante íngremes. Bem próximo à estrada vimos uma Igreja construída no estilo Enxaimel, segundo o morador local a única do Brasil – Para chegar ate a Igreja era necessário um desvio do percurso ate chegar ao morro onde ela estava.

Então nós e a Chris decidimos ir visita-la e a Andreia e o Edu seguiram sozinhos.

Pena que ela não estava aberta, gostaríamos de ter entrado. Interessante que ela é Luterana, assim como a maioria das igrejas que vimos pelo caminho. Outra coisa que notamos foi que em de quase toda a região há cemitérios ao lado das igrejas. Coisas que não vemos mais hoje em dia. A vista lá de cima é realmente de tirar o folego.

Bem perto dali, uns vinte minutos mais a frente, uma bela cachoeira, ao lado da estrada, nos fez parar mais uma vez para tirar diversas fotos.
Este trajeto, além de bonito, foi muito bem pensado, a planilha manda você entrar em estradinhas pequenas, estreitas e muito mais bonitas ainda que a anterior: maravilhoso!
 

Lá pelas 17h chegamos à última subida grande do trajeto. Estávamos perto de Doutor Pedrinho e várias plantações de arroz denunciavam de onde vinha o sustento da maioria da população. 

 

 

 

De novo nos despedimos do grupo de Campo Mourão ( na esperança de reencontrá-los, pois tivemos um dia agradável na companhia deles), eles não conseguiram reservas no hotel onde ficaríamos – a Bella Pousada ( Tef.47-33880354)
Chegamos à Pousada no fim da tarde e encontramos o grupo de 17, uma galera bastante animada. Tivemos um ótimo jantar, acompanhado de vinho e muito bom papo. Fomos dormir felizes, com mais um pedal com grande altimetria nos esperando no dia seguinte!

5ºDIA– DOUTOR PEDRINHO A ALTO DOS CEDROS

DISTÂNCIA TOTAL: 43 KM

ASCENSÃO TOTAL: 860 M

http://cicloturismo.circuitovaleeuropeu.com.br/roteiros/5-doutor-pedrinho-alto-cedro/

Tomamos um ótimo café da manhã na Bella Pousada e partimos bem cedo para mais um dia de pedal. Logo na saída, a menos de 200 metros da pousada, o trajeto parece ser mais plano neste dia, mas é só impressão. Com ascensão de 860 metros, ele está cheio de descidas e subidas. Nada muito longo, mas algo constante, ao longo de todo o pedal. Já ao sair de Doutor Pedrinho, encontramos um trecho da estrada em reforma com um fluxo de caminhão muito intenso, o que atrapalhou um pouco. 

 

Bella Pousada
Mas fomos seguindo as placas amarelas eantes de começar a subir, vimos uma indicação para a Cachoeira Véu da Noiva, alcançada por trilha pela mata. Como havia muito barro (havia chovido forte na noite anterior) a trilha estava muito difícil, então deixamos a bike em um ponto e seguimos a pé. Foi uma ótima oportunidade para observar a diversidade da vegetação local. A cachoeira é realmente muito bonita. Valeu a pena fazer esse pequeno desvio!  


 

Já no alto da serra a estradinha vai diminuindo de tamanho até se tornar um gramado verde rodeado por araucárias.

No final do percurso a estrada encontra a represa, trazendo um novo e belo visual, e também uma estrada mais plana.
Havíamos combinado com o Sr. Raulino – proprietário da pousada onde passaríamos a noite – um local e o horário (15hs) para que ele nos encontrasse. Chegamos ao local e não vimos ninguém, ficamos preocupados, pois estávamos bem atrasados. Foi quando surgiu um morador local e nos disse que o Sr. Raulino estaria um pouco mais a frente, a beira da represa. Pois é, lá estava ele com um pequeno bote. Iriamos atravessar de bote !!!! Colocamos as magrelas no bote e fomos. Foi divertido.
Alto Cedros é um local de férias. Uma represa repleta de casas de veraneio em toda a sua extensão. O Raulino é uma espécie de zelador dos moradores e aluga as casas fora de temporada. Ficamos numa casa simples, mas muito acolhedora. Estávamos alojados quando chegou o grupo de Campo Mourão, a união de todos, embaixo do mesmo teto, foi muito legal.
Casa do Sr Raulino

 

De noite fomos jantar na casa do Raulino: comida caseira, bom papo e um pouco de histórias de quem vive muito isolado. Eles mesmos fazem os alimentos essenciais e, nos finais de semana, promovem uma feira entre os outros habitantes do vilarejo, para comprar, vender e trocar bens de necessidade básica.

Dormirmos cedo. O próximo dia seria mais um pedal pela parte alta do circuito.

6º DIA – ALTO DOS CEDROS A PALMEIRAS  

DISTÂNCIA TOTAL: 41 KM

ASCESÃO TOTAL: 840 M.

Tomamos o café da manhã na varanda da casa do Raulino, nosso anfitrião. Pães, bolos, sucos e tortas, tudo feito pela sua família. Um autêntico café da manhã rural!
Ali o Sr. Raulino aproveitou para carimbar os passaportes e contar um pouco de suas histórias. Ele nos ofereceu alguns sanduíches para levarmos. Saímos cedo como programado, sem o grupo de Campo Mourão.  A neblina era intensa e do barco quase não se via a represa. Chegamos à beira da estrada e nos despedimos do e Sr. Raulino.

 

 

 

 

A neblina nos acompanhou por um bom tempo.

 

 Alguns quilômetros depois comecei a ouvir o som um de um instrumento de sopro – trompete, saxofone não sabia o que, mas a musica muito linda chamou minha atenção – pensei “quem poderia estar tocando um instrumento desses, em um lugar no meio do nada”. Da estrada não tinha uma visão, então fui entrando em uma trilha e encontrei o lugar de onde a música vinha – era um trompete e o responsável por nos presentear com aquela música linda foi o Fredy – um professor de música que deixou a cidade para morar sozinho em uma casinha na montanha.

 

 

Ele estava na varanda e quando nos viu nos convidou para entrar. Foi demais ouvir sua historia de vida, ver seus instrumentos, seus LPs antigos e o cuidado com o seu pequeno espaço. Foi um privilégio, ele ficou muito feliz com a nossa visita e nos deixou mais feliz ainda. Quando saímos, ele nos disse “vou continuar a tocando até vocês terminarem essa subida”.Foi uma interação incrível!!!

 

 

Neste dia o caminho contornou as duas represas passando por uma das regiões mais belas de todo o Circuito.

À medida que a estrada se afastava um pouco da represa, começava a subir bastante, surgindo uma paisagem maravilhosa, de um extenso tapete verde de mata atlântica e alguns paredões de rocha. 

 

 

Fizemos uma parada em frente à fazenda Custodio Bona para um lanche. O Sr. Bona apareceu e foi muito gentil, contou um pouco da sua historia e como ele conduz as pedreiras ali. Disse que se quiséssemos poderíamos entrar. Agradecemos e seguimos pedalando.

 

No caminho vimos uma placa grande escrito cachoeira fixada em uma porteira fechada. Ficamos na duvida se podíamos entrar ou não. Mas resolvemos arriscar, abrimos a porteira e entramos. Foi uma decisão acertada o lugar é incrível! O responsável pela propriedade nos recebeu muito bem e nos disse ” deixo a porteira fechada ,mas é só abrir e entrar”Comprou 10 reais a entrada. Ficamos tranquilos e pensamos “que bom, não invadimos uma propriedade privada”  )
Seguimos pedalando até achar a pousada que tínhamos reservado – Cama e café Vitorino(tel.47 3057 5637) Mais uma vez fomos muito bem recebidos, por um simpático casal –  Sr. Otávio e Dona Irene –  assim que chegamos eles nos serviram um belo lanche e sucos e, ainda o Sr. Otávio se ofereceu para lavar nossas bikes.
Quando cheguei à pousada dei por falta do meu óculo e fiz um comentário a respeito, disse que provavelmente teria deixado na Fazendo do Sr. Bona, pois é o Sr. Otávio ouviu e pediu ao seu ao filho que fosse verificar. Seu filho pegou sua moto e foi ate o local conferir (ida e volta 35Km). Incrível!!!!Muito gente boa e olha que eu insisti que não era necessário.

À noite eles nos serviram um delicioso jantar, massa, galinha caipira, salada, farofa, sobremesas. Comemos muito bem e dormimos uma noite bem.

O próximo dia seria o último dia e já estávamos lamentando. 

7º DIA – PALMEIRAS A TIMBÓ DISTÂNCIA

TOTAL: 54 KM

ASCENSÃO TOTAL: 670 M

Café da manhã tomado e começamos nosso último dia de pedal. Hoje tínhamos umatemida subida longa e bem forte (segundo o guia a mais forte de todo o Circuito), na localidade de Rio Cunha, após Cedro Alto. 
Cama e café Vitorino
amanhecer
Sr.Vitorino e Dona Irene

Saímos seguindo em nosso ritmo, até que chegamos numa descida de 2,5km muito íngreme e ao final dela um lindo rio, e uma ponte coberta muito bonita. Bacana! Paramos para o nosso lanche.

Logo depois encontramos a tão temida subida.

Não teve jeito, tivemos que descer e empurrar. Ainda bem que saímos cedinho, então à temperatura amena ajudou muito. Em um terminado ponto da subida encontramos uma pequena bica de água que escorria pela rocha e foi à salvação deu para refrescar e seguir subindo. Foram apenas dois quilômetros, mas parecia uns 20Km.

subida do rio da Cunha …forte!!!!!!

Neste último dia, o percurso já volta a passar por locais mais habitados, mas ainda atravessa muitas matas, com riachos de águas cristalinas. Atravessamos a cidadezinha Benedito Novo, e seguimos a estrada acompanha o belo rio, também com mesmo nome, até alcançar o asfalto que liga Rodeio a Timbó, já a poucos quilômetros do ponto final do circuito.

O final do pedal foi uma festa, chegamos ao restaurante Tapioka em Timbó,- o ponto de partida, satisfeitos e encantados com a estrutura do Circuito. 

Muito bem planejado, rotas perfeitas, qualidade do solo. Tudo que um ciclista precisa está nesse circuito. Quisera ter outros iguais, nos só temos que agradecer os idealizadores do projeto e a todos os envolvidos na manutenção das trilhas e sinalizações. O interior de Santa Catarina é um lugar apaixonante, as pessoas são civilizadas e educadas, as cidades limpas, as casas bem cuidadas, praticamente todas com jardim na frente e alguma fruta ou horta plantada. Dá vontade de morar lá! Imperdível!! Amamos fazer o Circuito Vale Europeu juntos.
Ah !!!! a noite recebemos mesangem da Chris,Andrea e Edu,- Grupo de Campo Mourão –  que tambem finalizaram com sucesso o percurso.

Dicas para percorrer o Vale Europeu de bicicleta 

site do Clubedecicloturismo 

  • Estude o roteiro antes de sair. No site www.circuitovaleeuropeu.com.br você pode ver o perfil altimétrico de cada dia e todas as outras informações.
  • O circuito pode ser percorrido em qualquer época do ano, pois o regime de chuvas é bem distribuído. Porém, no inverno esteja preparado para um frio razoável na parte alta. Já no verão, é comum um forte calor na parte baixa.
  • No início do circuito retire seu guia e a credencial oficial. Você deve carimbar nos hotéis, restaurantes e pontos turísticos para receber um certificado de conclusão no final. Esse documento não tem prazo de validade o que permite que você faça trechos em fins de semana ou feriados, por exemplo.
  • A parte alta tem muito pouca estrutura, leve alimentos e água e esteja preparado, pois lá não aceitam cartões de crédito e quase não há pontos de sinal de celular. Faça as reservas com antecedência, pois algumas pousadas não abrem se não houver hóspedes.
  • Não caia na tentação de juntar as etapas para fazer o circuito em três ou quatro dias. Isso é até possível se você tiver um condicionamento físico atlético, porém, a maioria das pessoas se arrepende já que acabam não aproveitando quase nada do que há no caminho.
e BOA VIAGEM!!!!!

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4 Comments

  • Reply Rita lellis 23 de maio de 2016 at 23:15

    Vera Marques,sou sobrinha da Andrea e do Edu.
    Pelas suas palavras me senti com vocês na pedalada.
    Relato cheio de ternura e graciosidade com as palavras e com o caminho.
    Lindas as fotos. Lindos lugares.
    Linda tia Andrea e tio Edu.
    Beijos

  • Reply Vera Marques 24 de maio de 2016 at 01:01

    Obrigada Rita foi uma delícia poder usufruir da companhia do Grupo de Campo Mourão- como os apelidamos.Espero revê-los novamente. Bjs

  • Reply Luciana Torres 7 de março de 2018 at 18:03

    Olá Vera!
    Muito legal o seu blog! fico muito empolgada com seus relatos.
    Pretendo fazer o vale europeu em setembro, mas não sou uma
    expert nos pedais! rsrsrs
    Antes do ler seu blog, estava receosa de não conseguir finalizar o circuito,
    confesso que ainda sinto um pouco!
    Essa será minha primeira cicloviagem e tenho muitas dúvidas. Você pedala
    com pedal de grampo, ou clipada, como falam aqui em Brasília? vocês treinaram
    em trilhas para fazer o circuito? Quanto tempo antes? vc pode me enviar seu e-mail para
    que possa falar contigo?
    Desde já agradeço e mais uma vez te parabenizo pelo blog, lindo e motivador, por todos os
    desafios já conquistados.
    Abs
    Luciana Torres

    • Reply Vera Marques 12 de março de 2018 at 18:29

      Muito obrigada Luciana . E um prazer compartilhar minhas experiencias e incentivar o cicloturismo. vou responder suas perguntas por e-mail. Bjs

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