Viagem de Bike

Pedal solo : Interior da Inglaterra através da National Cycle Network – 4ª parte

3 de março de 2017

5º Rota

Honington/Ilmington/Mickleton/Honeybourne/Eveshan/Cheltenhan

71,8 km

Pedal de hoje foi sugestão da Sherell Cunningham, ela foi atenciosa organizando meu dia. Amei !!!! ( Honington a Cheltenham).

No percurso até Eveshan o cenário se repetia e as sinalizações continuavam presentes.

Parei em Eveshan conhecida pela “Batalha de Evesham” uma das duas principais batalhas da Segunda Guerra dos Barões, que ocorreu na Inglaterra no século XIII. A cidade é um charme, com pontes sobre o Rio Avon, catedral e parques lindos.

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Esta escultura maravilhosa  do escultor John McKenna  está localizada no centro da cidade de Evesham, na praça do mercado da cidade. Ela comemora a lenda da visão de Eof. A lenda conta que  ao procurar seus porcos nas margens do rio Avon, Eof, um suíno, recebeu uma visão da Virgem Maria.   O Bispo de Worcester, fundou então a grande abadia de Evesham em  701 dC no local da visão. O nome antigo da cidade ‘Eofeshamme’ reflete essa lenda. A estátua foi encomendada após um concurso de design em torno do milênio 2000.

Meu plano depois de visitar a pequena cidade seria: logo na saída pegar a rota NCN 41 até Tewkesbury onde acessaria a NCN 45 até Gloucester. Bem esse ERA o plano. Porque próximo ao vilarejo Hinton on the Green onde eu deveria virar à direita e ter acesso NCN 41, tive um minuto de distração – o que fez seguir direto. Demorei um tempo para perceber meu erro, comecei achar estranho o movimento de carros, já havia pedalado por vários e vários quilômetros e em nenhum momento o tráfego de carro foi tanto.  Então parei e conferi meu mapa – eu estava na rodovia A46. A rodovia dava acesso a Cheltenham uma cidade que estava nos meus planos visita-la depois de Gloucester.  Olhei o mapa, conferi a distancia seria apenas 22 km. Então pensei “porque não inverter o percurso?” DECIDIDAMENTE NÃO FOI UMA BOA IDEIA. Seguir pela rodovia foi muito tenso e comecei a perceber que os motoristas estranhavam a minha presença ali. ERREI FEIO. Cheguei a Cheltenhan exausta devido à tensão e fui a busca de um B&B. Dei sorte encontrei um muito charmoso e o proprietário muito atencioso. (www.abbeyhotel-cheltenham.com).

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Cheltenham era uma cidade comum e sonolenta até a descoberta de uma nascente em 1716, depois se tornou a cidade mais popular da Inglaterra devido seu SPA Pittyville Pump Room. Outro evento importante na cidade é o Festival de Cheltenham um dos eventos hípicos mais importantes do Reino Unido.

Fiquei dois dias na cidade, tempo suficiente para um descanso e seguir pedalando.

6º Rota

Cheltenhan/Gloucester/ Stroud 47 km

Desta vez conferi meus mapas mil vezes antes de partir e contei com a ajuda do proprietário da B&B que realmente me achou corajosa por estar explorando seu país, sozinha de bike.

Parti de Cheltenhan logo pela manhã. Seguindo pela NCN 41 até Gloucester seriam apenas 16,3 Km, o que permitiu que eu aproveitasse o máximo  para explorar a cidade – famosa pela sua catedral. Catedral de Gloucester foi escola de bruxaria em filmes de Harry Potter.

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Interior da Catedral. Belíssima

Em Gloucester foi fácil achar a sinalização da rota NCN 45, rota que me levaria até Stroud.  Para chegar à cidade não tive problema, mas achar o Hostal que havia reservado foi outra estória. Nos lugares por onde passei procurei sempre pelos Hostal YHA que são excelentes e alguns são antigos castelos, mansões etc. O que eu não saiba era que em alguns lugares o YHA faz parcerias, ou seja, algumas propriedades sedem para a organização alguns quartos. Em Stroud a parceria é com Hawkwood College, um colégio na zona rural

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Hawkwood College

Um lugar tão lindo, que eu decidi ficar três dias lá e pedalar aos redores da propriedade.

Um lugar que visitei foi o pequeno vilarejo Painswich distante a 7km. Além da bela e preservada arquitetura, Painswick destaca-se pelos belos jardins, especialmente o jardim da igreja, com 99 teixos podados.

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Painswich é um Charme! Passei uma tarde na pequena cidade e voltei para Stroud. De lá segui para  Birmingham de trem

O legal de pedalar pela Inglaterra é que se cansar ou o tempo não ajudar vá de trem. As bikes são bem-vindas nos trens aqui no Reino Unido, mas tem que reservar o espaço para elas com antecedência, pois cada trem de 400 passageiros tem só cinco vagas de bike. Essa é a regra. Eu não havia feito à reserva, pois não tinha a minha intenção ir de trem. Mas o dia amanheceu chuvoso e com muitas nuvens escuras. Segui até a estação e a pessoa que me atendeu foi compreensiva e permitiu que eu embarcasse sem a reserva (o espaço reservado para bikes estava vazio – sorte minha). O ticket não foi barato, custou 26 libras e a viagem durou quase duas horas (http://www.thetrainline.com.).

Birmingham é a segunda maior cidade do Reino Unido e eu decididamente estava fugindo das grandes cidades. Na  estação  decidi seguir  de trem para York, havia lido que a cidade tem muita história pra contar.

O todos problemas da opção de viajar de trem na Europa …as escadas. Em quase todas as estações de trem que conheço o acesso as plataformas  são as escadas.

Da estação de trem segui para o Hostal YHA  (www.yha.org.uk/hostel/york) .

 Pedalei um trecho da rota NCN 65.

E por dois dias explorei a cidade murada com um centro composto por estreitas ruas que abrigam uma enorme catedral medieval. Fundada pelo Império Romano ainda em tempos antes de Cristo, dominada pelos vikings no século IX, um dos centros da Guerra das Rosas no século XV.

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Sem duvida um dos principais atrativos da cidade, é Catedral de York Minster considerada uma das maiores catedrais gótica do mundo!

Famosa por seus vitrais, que chegam a 128 no total, o principal destaque fica por conta da rosácea chamada de Rose Window, que na época, por volta do ano de 1500, foi construída para comemorar a união das casas reais de York e Lancaster.

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Rose Window

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Para visitar a Catedral o ingresso custa £10, com direito a uma visita guiada, e £15 para também poder subir na torre.

Outra lugar imperdível para  visitar e  a Saint Mary’s Abbey, ou as ruínas que sobraram dela após a dissolução dos monastérios praticada por Henrique VIII no século XVI.

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Passeando pelos jardins da Saint Mary’s Abbey tive uma surpresa agradável a apresentação de como treinar e cuidar de falcões e outras aves de rapina para a caça. As aves são treinadas e acompanhadas por profissionais especializados, e as pessoas podem interagir e tirar fotos com elas.

Do jardins segui caminhando para a muralha – construída pelos romanos em 71 AC para proteger a cidade. O acesso a muralha, além de ser gratuito, pode ser feito por qualquer um dos seus quatro portões que estão em toda a sua extensão, ou melhor, na boa parte da extensão que permanece até hoje. E é justamente da muralha que se consegue as melhores fotos de quase toda a cidade e da Catedral de York Minster.

Um outro ponto de visitação é   a Torre Cliffor . O Castelo original, do tipo morro e fortificação, foi erguido neste local por Guilherme o Conquistador, que reinou a Inglaterra entre 1066 e 1087.A torre atual, geralmente descrita como “A grande torre” foi construída entre 1245 e 1262 por ordem do rei Henrique III, cercada, até 1800, por um fosso alimentado a partir do rio Foss, quando deixou de existir.

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Foi uma ótima ideia, visitar essa linda cidade que foi ocupada por romanos, vikings e normandos.

Novamente de trem segui para Stratford-upon-Avon cidade que havia me apaixonado e escolhi para descansar por uma semana depois dessa aventura toda. Voltei para o Hostal YHA.

Depois de descansada resolvi conhecer Norwich e visitar uma amiga.  Desta vez fui de ônibus.

Fiquei alguns dias e pedalei um trecho da Rota NCN 1

 

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A Catedral de Norwich

Construída em 1096, é considerada uma das mais belas catedrais europeias do estilo romanesco. O material utilizado na sua construção foi o calcário Caen, importado de propósito da Normandia.

Ao caminhar pelos vários corredores e galerias pude observar diversas esculturas, vitrais e túmulos. Algumas das pinturas originais da época normanda ainda sobrevivem.

Em Norwich finalizei minha aventura. Foi uma viagem incrível principalmente por tê-la feita sozinha, do começo ao fim. E perceber que este foi o fator mais importante, o maior desafio, e que isso muda tudo.

Pedalei por não menos do que 30 vilarejos , e todos eram incríveis! Desde a arquitetura – construções seculares (anglo saxões, tudors, períodos georgeano e vitoriano) – até os detalhes – pequenos ou grandes. Seja o cenário composto por um rio e a ponte que o “corta”, por ruas estreitas cheias de curvas, um mercado medieval, uma vista para o campo ou entrando em varias catedrais “ouvindo” o silêncio e imaginando como seriam as celebrações nos séculos passados. Cada cidadezinha um charme especial.

Pedalar pelo interior da Inglaterra foi uma grande realização!

 

 

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