ALPS 2 OCEAN – DOS ALPES AO OCEANO – NOVA ZELÂNDIA

A mundialmente famosa Alps 2 Ocean Cycle Trail é a mais longa ciclovia contínua da Nova Zelândia

Ela começa no Alpes do Sul, oficialmente em Mount Cook, a montanha mais alta da Nova Zelândia e se estende por mais de 300 km da vila de Aoraki / Mt Cook, através da magnífica Bacia Mackenzie e do vale de Waitaki, para terminar em Oamaru pelo Oceano Pacífico. 

 A rota é dividida em 9 etapas (Mapas de seções individuais podem ser encontrados no site https://www.alps2ocean.com/), o que permiti um planejamento de acordo com o tempo que você tem disponível . Nos planejamos fazer o percurso em 6 dias.

 A bike

Nossas bikes seguiram do Brasil embaladas em caixas de papelão em um voo da Airnewzealand ( https://www.airnewzealand-br.com/flights ) sem problemas e sem custo adicional. Nosso voo saiu de São Paulo com destino a Queenstown – nossa primeira parada no país.

No Aeroporto em Queenstown nossas bikes tiveram que passar pelo setor de Inspeção de Biossegurança – os pneus das bikes foram meticulosamente analisados, assim como as botas de trilhas das pessoas que ali estavam. O objetivo era   analisar a presença de terra. Os meus pneus estavam limpos, mas houve pessoas que tiveram suas botas desinfetadas.

Para percorrer a A2O deveríamos deixar Queenstown seguir para Twizel, a cidade distante a 199km e a mais próxima do Monte Cook.

Então optamos em ir de ônibus, seriam apenas duas horas e meia de viagem. Na rodoviária descobrimos que as bikes só poderiam ser colocadas no bagageiro desmontada e embalada. Não havia mais caixas. Assim, a solução foi ir até um supermercado e ver com o que eu poderia improvisar. Encontrei sacos pretos grossos de jardinagem e fita adesiva – problema resolvido.

Quando o ônibus chegou e nossas bikes foram acomodadas no bagageiro ficamos satisfeitos com a nossa improvisação e seguimos viagem tranquilos.

Chegando em Twizel

Twizel é uma cidade bastante agradável!  Foi construída na década de 60 com o objetivo de oferecer moradia aos trabalhadores envolvidos na  usina hidrelétrica de  Waitaki.

Atualmente, é uma base bem posicionada para o alpinismo, canoagem, ciclismo de montanha, esqui, cavalgada e caminhada. Os picos e trilhas do Mount Cook National Park podem ser acessados subindo a estrada que começa na cidade.

Assim que chegamos seguimos direto para a informação turística. Precisávamos de informação a respeito do transfer da cidade até a base do Mont. Cook e também saber sobre o helicóptero que faria a travessia do Rio Tasman. Sim, e necessário um pequeno voo de helicóptero através do rio Tasman até o parque de estacionamento do rio Jolie, de onde segue o percurso. É possível para aqueles que não querem chegar à ciclovia de helicóptero, iniciar o percurso no Lago Tekapo.

Mas nós estávamos decididos a seguir à “risca” o roteiro. Então optamos pelo helicóptero www.heliworks.nz/alps-2-ocean-cycle-trail/),caríssimo (140 dólares por pessoa), mas foi inesquecível.

Marcamos o transfer até a base do Mont. Cook e a travessia do helicóptero ali mesmo com a recepcionista da informação turística. Tudo agendado para o dia seguinte.

Na informação Turística adquire por 15 dólares o guia “Alpes2Ocean easy guide” de Brian and Diane Miller. Foi muito útil.

Dali seguimos para o High Country Lodge, Motels & Backpackers, onde ficaríamos hospedados. Um hostel muito bem localizado e com uma cozinha bem equipada.

ETAPA 1: AORAKI/MT COOK TO TWIZEL  – 77KM

Na manhã seguinte deixamos o hostel e seguimos para o local de onde partia a van que nos levaria até o Mont. Cook. A estrutura oferecida é excelente, o atendimento ótimo e as bikes são devidamente acomodadas em um recipiente apropriado.

O motorista nos deixou no White Horse Hill Campground, a 2 km ao norte de Mt Cook Village. A partir dali seguimos por uma trilha de 7,2 km que nos levou ao aeroporto de Mount Cook, onde o helicóptero faria a travessia do rio Tasman.

No heliporto fomos pesados (há limite de peso) e orientados sobre o voo. Lá encontramos um casal de ciclistas neozelandês que também faria a travessia.

Heliporto

As nossas bikes foram colocadas em um contêiner e seguiram primeiro. Depois fomos nós, eu estava tão empolgada que diante disso, o piloto resolveu fazer um voo um pouco mais demorado e nos levou para pontos onde a vistas eram simplesmente deslumbrantes. Foi um voo para ficar na memória.

Retornando a trilha

Do ponto de aterrissagem do helicóptero no Rotten Tommy, seguimos em direção ao Jollie Car Park, por cerca de 11km. Esta trilha foi difícil em alguns lugares e havia várias travessias de riacho. O dia claro, nos presenteou com vistas incríveis do Mt Cook/ Aoraki, que a 3.754 metros se eleva acima de uma série de picos de neve no Parque Nacional Mt Cook/ Aoraki. Do Jollie Car seguimos por uma estrada de cascalho até chegar na Braemar Mt.Cook Station Road.

Da Braemar Road o percurso continuou ao longo de uma estrada tranquila que segue a costa leste do Lago Pukaki. Fomos apreciando vistas deslumbrantes do Lago em direção aos Alpes do Sul.

O lago é de uma beleza indescritível. Possui uma cor azul turquesa que impressiona. Segundo informações isso ocorre porque pedras glaciais e limos finos escorreram para o lago e ficaram suspensos na água, criando esse azul mágico. A tonalidade da água parece combinar com o céu.
Ao longo da margem do lago, uma grande variedade de plantas nativas e espécies exóticas, enchiam os olhos.

Continuamos até a Hayman Road continuamos sempre margeando o Lago.Com Mt Cook/ Aoraki como pano de fundo, a rota passa sobre a represa de Pukaki. 

Depois, atravessamos uma rodovia e seguimos por uma trilha através dos Pukaki Flats – uma ampla área de pradarias secas, característica da paisagem Mackenzie, até chegarmos à cidade de Twizel. Nossa parada do dia.

Lake Ruataniwha Holiday Park

Lake Ruataniwha Holiday Park onde nos hospedamos em Twizel

ETAPA 2: TWIZEL ATÉ O LAGO OHAU LODGE 38KM

De Twizel, seguimos pela primeira vez uma estrada “normal” – a Mackenzie Drive, depois pela Nuns Veil Road, até chegarmos à Glen Lyon Road.  Após cerca de dez quilômetros, atravessamos outro canal turquesa e seguimos para o oeste, em direção ao próximo lago – o Lago Ohau. 

Ao longo deste lago (é claro, também de cor turquesa), pedalamos principalmente em uma única trilha ao longo da costa. A vista ficava cada vez melhor e mais bonita: temos mais e mais vistas do poderoso maciço dos Alpes do Sul, no Norte. Muito impressionante, apesar de os picos mais altos ainda estarem escondidos nas partes das nuvens, mas eles parecem surgir diretamente do lago. Incrivelmente bonito!

Seguimos a orla do lago, até o açude de Ohau. Logo após, uma trilha contorna do lago, onde finalmente encontramos a estrada Lake Ohau Rd. 

Não tão lindo foi o vento que enfrentamos. Um vento forte que fez com que o nosso ritmo diminuísse consideravelmente.Seguimos a estrada por mais 10 km até o chegarmos ao Lago Ohau Lodge, onde passaríamos a noite.

Nesse dia durante todo o percurso não encontramos nenhum ciclista.

ETAPA 3: LAGO OHAU LODGE PARA OMARAMA 45KM

A partir da entrada do Lake Ohau Lodge,  seguimos em direção a Tarnbrae Track, a trilha atravessa as encostas mais baixas do Parque de Conservação Ruataniwha.

As altas montanhas do maciço central dos Alpes agora podem ser vistas muito mais claramente. Quase todas as nuvens ao redor daqueles belos e poderosos picos com neve eterna desapareceram. Após cerca de seis quilômetros, deixamos o lago e subimos por uma reserva natural por um caminho estreito de cascalho cheio de pedras perigosamente soltas.

Paramos muitas vezes para absorver as vistas ao nosso redor: abaixo de nós, o lago turquesa Ohau e atrás de nós, o maciço coberto de neve. É tudo indescritivelmente bonito.

Foi ainda na subida que o pneu da bicicleta do Zé Marques furou. Paramos para consertá-lo quando a alguns metros a nossa frente dois ciclistas neozelandeses estavam sentados (eles esperavam pela terceira ciclista – uma garota). Assim que eles nos viram prontamente se ofereceram para ajudar. É impressionante a camaradagem entre os ciclistas. Foi uma surpresa agradável. rapidinho nossa bike estava pronta. A garota chegou conversamos um pouco e seguimos pedalando.

Seguimos por uma trilha que nos levou até o Freehold Creek, agora a 600 m acima do nível do mar. A partir dali a pista ficou mais estreita e foi uma subida constante até o ponto mais alto da trilha a 900m – Tarnbrae High Point

Após,

a subida tivemos uma descida por uma estrada de cascalho – nada fácil, até a cidade de Omarama. O início da descida é bastante técnico e, às vezes, até traiçoeiro, porque há muitos pedregulhos e riachos para atravessar. 

Após cerca de dez quilômetros, um vento começou soprar na nossa cara. Omarama, que pensávamos alcançar antes do meio dia, simplesmente não parece. Por volta das 3 horas da tarde, chegamos e comemos um sanduíche em frente ao supermercado local e seguimos para o Omarama Top 10 Holiday Park, onde passaríamos a noite. 

Realmente foi um dia desafiador, mas muito agradável com vistas deslumbrantes.

ETAPA 4: OMARAMA A OTEMATATA  28KM

Saindo de Omarama, seguimos pedalando para o leste, pelo Vale Waitaki, seguindo uma trilha até o topo da Chain Hills. A partir dali descemos ao lado da State Highway 83 e seguimos a beira do lago Benmore até Pumpkin Point.

Continuamos ao lado do lago até Sailors Cutting – um popular destino de barco, pesca e camping. Depois, uma curta subida na estrada até a Otematata.

Nesse dia o plano era seguir até kurow, mas uma chuva forte que começou alguns quilômetros antes de Otematata, fez com que mudasse de ideia.

Otematata não chega a ser uma cidade, a população não passa de 200 pessoas, nela existe um mercado e um hotel com restaurante e bar.

Cercados por picos escarpados e belos lagos do vale Waitaki, os primeiros habitantes da área eram maori em expedições de caça ou viajando pelo vale para alcançar as áreas do interior e as passagens nas montanhas. Otematata em Maori significa “lugar de pederneira”.

ETAPA 5 – OTEMATATA / KUROW/ CAMPBELL PARK ESTATE  63 KM

De Otematata, seguimos por uma estrada – Loch Laird Road e depois por uma trilha de cascalho ao lado do lago, até retornar novamente na Loch Laird Road em direção a represa Benmore Hydro. 

É uma estrada muito íngreme até a barragem, os últimos 800 metros foram muito difíceis. No topo da subida paramos para descansar e recuperar o folego. 

Dali continuamos pela estrada Te Akatarawa Road– bastante estreita, mas tinha muito pouco tráfego. Seguimos ao longo das margens do lago Aviemore até a represa de Aviemore. Depois de atravessar a barragem, avançamos pela a State Highway 83 até o Lago Waitaki e a Barragem Waitaki, depois do rio Awakino, continuamos à direita por uma trilha até chegar a Kurow. 

Kurow assim como Otematata, é uma pequenina cidade. Na década de 1920, a cidade era a base para a construção da represa   vizinha de Waitaki. Quando chegamos a cidade ainda era cedo e não estávamos tão cansados.  Conversando alguns moradores descobrimos que a 17 km a frente havia um alojamento – Campbell Park Estate. Decidimos seguir pedalando.

Assim que deixamos a cidade, poucos quilômetros à frente encontramos o Kurow Winery -uma vinícola. Paramos para um lanche, e logo depois aparecem os três ciclistas neozelandês – aqueles que havia nos ajudados com a bike. Foi legal reencontra-los. Conversamos um pouco e nos despedimos. Eles seguiram para Duntroon e nós fomos para o Campbell Park, pedalamos mais alguns quilômetros até um desvio (muito bem sinalizado) de 5km que nos levou ao local.

O Campbell Park Estate

é um lugar enorme, com muitas casas, incluindo vários edifícios históricos, como o castelo, os estábulos, a vila, a prisão, a cabana de Dansey – construída em 1861 pelo antigo proprietário o Sr. William Dansey.

William vendeu a propriedade em 1861 para o Hon Robert Campbell, filho de uma rica família escocesa. Robert então trouxe uma grande força de trabalho de artesãos e materiais escoceses da Escócia e da Itália e construiu “O Castelo” e estábulos em 1876.

 Em 1908, o Estate foi vendido ao Conselho de Educação da Nova Zelândia, que o utilizou como escola até 1987. A escola foi fechada e, em 1988, então o Estate passou a ser propriedade privada.

Hoje o lugar quase vazio, aluga casa para temporada e eventos. Passamos uma noite bem confortável e muito tranquila.

 ETAPA 6   CAMPBELL PARK ESTATE/  DUNTROON / OAMARU 28KM

O Campbell Park Estate estava recuado da estrada 5km, então tivemos que retornar a State Highway 83, estrada que nos levaria até Duntroon, distante apenas 15 km.

Duntroon uma pequena cidade, assim como Otematata e Kurow tem uma população reduzida e vive da agricultura.

Depois Duntroon, seguimos para o sudeste ao longo de uma trilha, passamos sobre a ponte Maerewhenua, e avançamos por várias fazendas até chegarmos em um dos pontos turísticos mais estranhos da A2O – as enormes pedras de calcário espalhadas por um gramado, apropriadamente chamado de Elephant Rocks, embora mamutes e ovelhas possam ser imaginados.

Mais esquisitices de calcário surgem à medida que a trilha avança entre penhascos e desfiladeiros, chamados Island Cliffs. Deixamos os penhascos para subir e descer um pouco e acabar no escuro de um velho túnel de trem, chamado Rakis Railway Tunnel. A antiga trilha ferroviária a seguir se transforma em um bom caminho sinuoso ao longo de um riacho.

Continuamos pela antiga linha ferroviária até Windsor Road. e por uma trilha que nos levou até Weston Road. Na estrada avançamos até a junção com Saleyards Rd.  E continuamos o percurso  descendo os Jardins Oamaru. Após atravessarmos a SH1 e depois pelo parque chegamos a rua principal de Oamaru (Thames Street). 

Dali acompanhamos as setas de sinalização da A2O ate chegarmos no Oamaru Harbour, onde a trilha termina em Friendly Bay e no Oceano Pacífico.

Ao lado do píer, há uma moldura grande em torno de um palco com a “Trilha do Ciclo do Oceano 2 Alpes” em letras douradas. Uma garota se ofereceu para tirar uma foto nossa, colocamos a nossas bicicletas no quadro e fizemos a tradicional foto. Estávamos lá quando vimos os três ciclistas neozelandeses chegando. Esperamos por eles e comemoramos juntos a nossa conquista! 

Oamaru

Oamaru é divertido! Muita arte, muita criatividade, muitos armazéns e, para os conceitos da Nova Zelândia, prédios antigos. Em um desses edifícios um tanto industriais, fica a sede (pelo menos na fachada) do movimento artístico “Steampunk”, baseado em fantasia e ficção, mas com máquinas e equipamentos antigos da revolução industrial. O dia seguinte exploramos a cidade que é um charme.  Estávamos extasiados com mais uma conquista!!!!!! A trilha A2O é de uma beleza que enche os olhos e lava a alma. Terminamos renovados.