No Caminho Francês  de Santiago de Compostela

3ª Etapa

Pamplona / Cizur Menor / Zariquiegui / Uterga / Muruzábal / Obanos / Puente La Reina / Mañeru / Cirauqui / Lorca / Villatuerta / Estella.

Total – 51,9Km

Na Espanha, mais precisamente no Caminho de Santiago, nessa época do ano (setembro), o dia começa a dar as boas-vindas aproximadamente às 8h da manhã. Então, diferente dos peregrinos que saem muito cedo ( 6hs), eu esperava o dia clarear (me sentia mais segura). Mas, ainda pela manhã sempre encontrava muitos deles.

Pouco após a saída de Pamplona passei por Cizur Menor. O local utilizado para ser uma Comenda da Ordem de S. João de Malta também mantém um hospital de peregrinos – onde selei minha credencial. Aqui já encontrei alguns ciclistas. Um grupo de quatro alemães e um espanhol.

A partir de Cizur Menor, passei por Zariquiegui e após avistar vários moinhos de vento, comecei a subir a ladeira. Subida moderada!

No caminho sempre encontrava os peregrinos, gente do mundo todo. Muitas vezes quando passava ouvia um “bueno camino” ou “good way”. Um casal de coreanos fez questão de fazer uma foto minha. Eu era a única mulher de bike pedalando sozinha que eles conheciam e diziam: “you are very brave”. Cheia de reforço positivo eu seguia pedalando.

Alto do Perdão

Nessa etapa a minha expectativa era chegar ao Alto do Perdão – um dos pontos mais conhecidos do Caminho de Santiago. Está a pouco mais de 700 metros de altitude. O terreno nesse trajeto se complica um pouco, pois parecia ser um terreno argiloso, por cima do qual foi colocado cascalho. A subida de bicicleta passa a ter uma dificuldade ainda maior.

O Alto do Perdão possui um monumento aos peregrinos, feito em ferro – um conjunto de esculturas de Vicente Galbete. Neste monumento observa-se a inscrição “Onde se cruza o caminho do vento com o das estrelas”. A vista do alto é bela!

Após o Alto do Perdão comecei a descer. Uma descida bem escorregadia devido aos cascalhos soltos. A bicicleta trepidou muito e como havia muitos peregrinos descendo, ter muita prudência foi o mínimo que pude fazer.

Segui passando por vários povoados sem pressa, às vezes parava e tentava me aproximar dos locais e entender um pouco da cultura e do dia a dia deles. Passei por Uterga, Muruzábal, Obanos.

Obanos e sua Iglesia de San Juan Batista.

A Igreja de São João Batista é a guardiã da relíquia de São William de Aquitaine, 34 ossos preservados em uma cabeça de prata. Todo ano, geralmente na quinta-feira seguinte à quinta-feira santa, os padres derramam água e vinho sobre a relíquia e em seguida oferecem ao povo. Infelizmente a igreja estava fechada.

Durante o trajeto passei por várias plantações de uvas, pois a região de Navarra é uma das principais regiões de vinicultura da Espanha.

 

A próxima cidade foi Puente La Reina, outra tão esperada parada do Caminho de Santiago. A tradição diz que seu nome provém da Ponte Românica sobre o rio Arga, mandada construir, não se sabe bem ao certo, pela rainha Doña Mayor, esposa do rei Sancho El Mayor, ou então pela rainha Doña Estefanía, esposa do rei Garcia de Nájera, com a intenção de facilitar a travessia do rio para os peregrinos.Esta magnífica estrutura é qualificada como um dos exemplares românicos mais belos de todo o trajeto. Com 110m de comprimento, 7 arcos e 5 pilares, nela antigamente se guardavam imagens de santos de devoção popular.

A Igreja Paroquial de Santiago – a principal da cidade – foi construída no séc. XII, porém quase que completamente refeita no séc. XVI. Da época original românica, conserva-se somente a porta. Infelizmente estava fechada.

Mañeru

Em Mañeru, cidade seguinte,fui contemplada com uma festa local – Dia da Padroeira da cidade. No centro, em frente à igreja de San Pedro as pessoas, vestidas de vermelho e branco, comemoravam com alegria. Foi lindo de ver! Fiquei por aqui um bom tempo, observando e tentando interagir com os locais.

Segui passando por vários povoados, às vezes parava e tentava me aproximar dos locais. Passei Cirauqui, Lorca e Villatuerta para chegar à Estella. Destino final da etapa do dia.

A cidade é de origem romana, nome basco original Lizarra que significa tanto “freixo” quanto “estrela”. Por um período foi o lar dos reis de Navarra. É também conhecida como a “Toledo do Norte”, devido à sua grande quantidade de igrejas e palácios.

Em Estella me hospedei no Albergue Oncineda, mas antes de me acomodar, fui até uma oficina para uma revisão na Bike – fui muito bem atendida. Com a bike em ordem, pude explorar a cidade com calma.

Visitei a Iglesia de San Pedro de la Rúa – uma igreja de meados do século XIII, com uma pequena capela dedicada a Santo André, padroeiro de Estella ; Iglesia de San Miguel ; a  Basílica de Nuestra Señora del Puy e o Palacio de los Reyes de Navarra, que foi declarado ‘Monumento Nacional’ em 1931, um museu e galeria de arte.

Depois de pedalar quase 52 km e explorar a cidade, voltei para o albergue. Estava satisfeita e merecia um bom descanso para me preparar para o dia seguinte.

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