No Caminho Francês de Santiago de Compostela 

5ª Etapa 

Logroño / Navarrete / Sotés / Ventosa / Nájera / Azofra / Cirueña  / Santo Domingo de La Calçada / Grañón / Redecilla del Camino / Castildelgado / Viloria de Rioja

Total – 67,5km

Ao sair de Logroño, após 4 Km do centro, passei pelo Parque La Grajera. Lindo!!!! 

Após pedalar através de uma sinuosa e estreita trilha em um bosque, encontrei uma tenda com uma enorme e pesada mesa. Um homem de meia-idade, barbas longas, rosto sereno e calmo, mas com um olhar expressivo e um sorriso amigo, me convidou a aproximar, oferecendo-me biscoitos, frutas etc. Ante uma leve hesitação minha, foi logo dizendo que não devia pagar nada. Era com amor que fazia aquilo, disse! Fiquei encantada. O nome dele: Marcelino Lobatto, uma pessoa emblemática e muito conhecida. Desde 1971 percorre o Caminho.

Ele me disse que já havia percorrido o caminho por várias vezes. Impressionada, perguntei quantas, e ele me disse, com um brilho no olhar: “mais de 50 vezes!” Tirou uma grande foto sua em que aparece travestido de autêntico peregrino medieval, com uma pesada túnica e um enorme cajado encimado por uma cruz metálica, que é o emblema da Ordem dos Cavaleiros Templários!

Ficaria o dia todo ouvindo suas estórias. Logo outras pessoas foram se aproximando, então ele selou minha credencial me presenteou com uma pedra com uma seta amarela e me desejou “Bueno Camino”.

Segui viagem com uma sensação boa, ainda pensando naquela pessoa que acabara de conhecer.

O primeiro povoado que avistei depois de Logroño foi Navarrete. Pouco antes de chegar à cidade, há ruínas de um hospital de peregrinos, que foi construído no final do séc. XII por Maria Ramirez. No topo da colina, ergue-se a Igreja de Assunção, magnífico edifício do século XVI.

Depois segui grande parte do caminho por entre vinhas, sem dificuldade. A região de La Rioja é uma das principais regiões de vinicultura do mundo. Nessa época do ano os vinhedos estavam carregados de cachos de uva, esperando o momento exato para serem colhidos. No trajeto foi possível comer uvas fresquinhas.

Além do vinho, a região busca o reconhecimento internacional com os pimentões, lá chamados de “pimientos riojanos” ou “pimientos najeranos”.
Essa senhor do povoado me disse que, “se vem gente a sua casa , você tem que ter um pote de pimentões”. Eu provei e adorei!

Antes de chegar a Nájera passei por Ventosa, uma pequena aldeia com a Iglesia del San Saturnino localizada no topo da colina. O nome de Nájera em árabe significa “lugar entre as rochas”. Parti para Azofra, Ciriñuela ,Cirueña. Mas estava ansiosa para chegar a Santo Domingo de La Calzada. Havia lido que na Catedral, um galo e uma galinha são mantidos vivos em um galinheiro. Curioso!!!

Próximo a Cirueña o céu começou a ficar negro e certamente ia cair uma chuva daquelas. Apressei-me para tentar evitá-la. Mas não tive sucesso! Dez minutos antes que eu chegasse à cidade começou a chover forte e eu fiquei  literalmente encharcada! Mesmo estando com proteção.

mas, cheguei bem  em Santo Domingo de La Calzada.

Santo Domingo de La Calzada tem seu nome ligado à história de um jovem monge que decidiu dedicar sua vida a cuidar de peregrinos. Conta-se que ele limpou o caminho e também construiu uma ponte de pedra sobre o rio Oja. Teria sido ele que, mais tarde, fundou o hospício local para peregrinos. Morrendo em 1109, ele foi enterrado na Igreja da cidade.

O nome da cidade também está associado a uma lenda peregrina do séc. XIV.  Uma família peregrina alemã parou na aldeia a Caminho de Santiago, e a filha do estalajadeiro caiu de amor pelo jovem e belo rapaz, que não correspondeu às expectativas da moça. Ofendida e vingativa, para simular um furto, ela escondeu na bagagem do rapaz uma taça de prata. Ele foi preso e condenado à morte por enforcamento.

Enquanto seu corpo estava na forca, o filho apareceu em sonho para seus pais e disse-lhe que ainda estava vivo, sendo apoiado por Santo Domingo, pelos pés.  No caminho de volta, a partir de Santiago, os pais foram procurar o juiz da aldeia para contar a respeito do sonho.

O juiz, muito mais interessado em festa e em um buffet de aves, não deu importância à história do casal. Depois de muita insistência, o juiz replicou que só acreditaria no sonho caso aquelas aves assadas voltassem à vida. Foi quando o galo e a galinha se recobriram de penas e saíram correndo e cacarejando. Perplexo, o juiz não teve mais dúvida da veracidade da história.

Com isso, na igreja de Santo Domingo de La Calzada,um galo e uma galinha são tradicionalmente mantidos vivos.

Estão juntos em um galinheiro de alambrado estilo gótico próximo ao altar. A cada vinte dias, as aves são trocadas. Ficam expostas somente no período entre 25 de abril e 13 de outubro. Ao entrar na igreja, se você ouvir o galo cantar, é um sinal que a sua peregrinação será bem sucedida. Daí o ditado popular: “Santo Domingo de La Calzada, donde canto la gallina después de asada”.

Assim como a chuva veio, ela foi embora, e o céu voltou a ficar lindo. Segui para Redecilla del Camino – a primeira localidade de Castilla y Leon e primeira da província de Burgos.

Após Santo Domingo de La Calzada, passei por Grañón, uma cidade que comporta um castelo levantado por Alfonso III no séc. X. Infelizmente o horário e a cansaço não permitiram que eu explorasse essa cidade.

Segui para Redecilla del Camino – a primeira localidade de Castilla y Leon e primeira da província de Burgos.

Depois Castildelgado eu finalmente cheguei a Viloria de Rioja, onde me hospedaria. Estava exausta!

Em Viloria de Rioja fiquei hospedada no Mi Hotelito, cuja proprietária, Rosaria, foi muito atenciosa. Na sua casa havia mais dois casais britânicos hospedados. Depois do jantar ficamos horas conversando e tomando vinho. Foi muito agradável!

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