Caminho Francês de Santiago de Compostela – 6ªEtapa

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Caminho Francês de Santiago de Compostela – 6ªEtapa

No Caminho Francês de Santiago de Compostela

 6ª Etapa 

Viloria de Rioja / Villamayor / Belorado / Tosantos / Villambistia / Espinosa del Camino / Villafranca / La pedraja/ San Juan de Ortega / Agés / Atapuerca / Olmos Atapuerca/  Villalval / Cardenuela / Orbaneja / Villafría de Burgos / Burgos

Total -60km

Passei por Villamayor antes de chegar à Belorado. As magníficas igrejas de Santa Maria e São Pedro foram construídas nos séc. XVI e XVII, respectivamente. Há um grande número de refúgios para peregrinos, o que denotam a importância dessa vila.

Passei rapidamente por Tosantos e cheguei a Villambistia, uma pequena aldeia a 41 km de Burgos. A igreja de San Esteban ainda pode ser visitada, devido ao seu bom estado de conservação.

 

 

Espinoza del Camino e Villafranca também ficaram para trás, até que cheguei a San Juan de Ortega, uma pequena aldeia no sopé de Puerto de La Pedraja.

San Juan de Ortega é uma das menores aldeias do Caminho, com seus não mais de 30 habitantes. Seu Monastério é uma fantástica edificação, que se ergue solitária no alto das montanhas, entre Belorado e Burgos, é muito mais que uma igreja, é um conjunto complexo, formado por duas igrejas, dois mosteiros, um Hospital de peregrinos e algumas residências. Hoje em dia, o conjunto abriga o mais amplo albergue de todo o Caminho, com capacidade para receber centenas de peregrinos. Parei para um lanche e encontrei o Will, um ciclista britânico que no dia anterior havia me ajudado com a bike (um pequeno problema na corrente).

Segui minha viagem deixando para trás vários outros povoados, até passar por Villafría e chegar a Burgos. Villafría e Burgos são cidades interligadas. Fui pedalando por uma ciclovia em uma larga avenida durante um bom período até chegar ao centro. No caminho encontrei um polonês, que vive em Budapeste e já havia pedalado 3.600 km. Seu destino: Santuário de Fátima, em Portugal. A bicicleta dele chamou minha atenção: ele praticamente levava uma casa junto. Laszlo Bata estava há três meses na estrada. Incrível!!!!!

Cheguei a Burgos no fim da tarde.  Hospedei-me no Hostel Monjes Peregrino.

A cidade de Burgos é uma das maiores da Espanha e eu reservei dois dias só para conhecê-la.

 

Um pouco de história:

Diego de Porcelos, Conde de Castilla (873 – c.885), persuadiu pessoas para que fossem viver nas planícies do norte. Ele fez um grande esforço para repovoar toda essa área e fundou Burgos em 884.

Após a conquista de Toledo, em 1085, quando os cristãos derrotaram as tropas muçulmanas, a área começou a se desenvolver espetacularmente. A maioria dos grandes monumentos e pontos turísticos da cidade foram construídos nos dois séculos seguintes. A cidade é protegida por muros, com quatro portões monumentais: o portão de Santa Maria,o de San Juan,  o de San Esteban e o de San Martin.

 

A Catedral de Burgos é uma linda obra arquitetônica que combina vários estilos, porém o que predomina é o gótico. Sua construção começou em 1221 e teve importantes modificações nos séculos XV e XVI. Além do gótico, os estilos em seu interior são renascentista e barroco.

Um relógio diferente – Papamoscas, uma estátua articulada que abre a boca quando os sinos badalam a cada hora. Esperei a hora cheia para vê-lo. É engraçado!

No interior da catedral existem inúmeras capelas, todas dignas de uma visita.

O arquivo da Catedral é outro que merece destaque, pois ali se encontram documentos de grande importância na história da cidade. Enfim, todo esse conjunto é uma verdadeira obra de arte que realmente vale a pena visitar.

À esquerda da fachada principal da Catedral, outra igreja – a de San Nicolas – chama a atenção. É uma igreja gótica construída no início do século XV, a partir de doações do próspero comerciante Burgos Gonzalo Lopez.

O tesouro da Igreja é o alto retábulo monumental feito de pedra, algo raro na época. O design do altar mostra imagens de santos e apóstolos da Bíblia. Gonzalo Lopez, seu irmão, e suas esposas foram enterrados na igreja.

O Portão de Santa María,

um dos quatro portões principais da cidade, construído no século XIV, é provavelmente o mais conhecido, também chamado de The Cid. Era normalmente usado, por tropas, como saída final ou entrada da cidade.

O Portão lembra a fachada de um castelo gótico, foi a porta de entrada principal da cidade, sobretudo quando fazia parte das muralhas erguidas ali no século 14. Em sua fachada estão esculpidas imagens de personagens importantes da história de Burgos, como El Cid, o guerreiro mercenário que comandou a reconquista de Valência para os cristãos no século 11.

Também visitei o Castelo de Burgos – do castelo sobrou somente a base.

Ele foi construído pelo Conde Diego de Porcelos, o fundador de Burgos. Atualmente, veem-se apenas algumas pedras que constituíram a base do castelo, isso me decepcionou muito. Há um museu interessante, que também pode ser visitado. Do alto a vista da cidade com a Catedral é linda. Em minha opinião, foi o que mais valeu a pena, quando subi o morro.

Museu da Evolução Humana

Não poderia deixar de ver o Museu da Evolução Humana, um convite para conhecermos melhor quem somos através de nossos antepassados. O museu é a casa a de um homem com meio milhão de anos. E este homem tem nome e chama-se Miguel.

Trata-se de uma reconstituição feita a partir do crânio do Homo Heidelberggensis mais bem conservado em todo o mundo, encontrado em escavações na serra de Atapuerca,  nos arredores de Burgos. Miguel e vários achados deste complexo arqueológico inscrito na lista de Patrimônio da Humanidade, desde 2000, ocupam uma parte significativa do Museu da Evolução Humana.

Foram dois dias ótimos, pude usufruir de tudo que a cidade tinha para me oferecer. Mas  era hora de seguir pedalando!

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2018-11-30T11:49:54-03:00

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