Ciclovia do Danúbio : Viena a Budapeste 

Chegando a Viena 

Chegar de bicicleta a uma cidade como Viena é uma experiência única, ainda mais nesta pequena capital europeia cheia de história e cultura em todas as ruas e avenidas.

Eu cheguei exatamente no Stadtpark um belíssimo parque. Um dos lugares mais fotografados do parque é o monumento a Johann Strauss, uma estátua de bronze dourada que foi inaugurada em 1921 para prestar uma homenagem 0 compositor austríaco, conhecido por suas valsas.

Ainda era cedo, então aproveitei para contemplar tudo com muita calma. Havia atingido meu objetivo, minha viagem solo foi tranquila e sem nenhuma intercorrência e isso de dava uma sensação muito agradável. Dali Segui para o hotel que já havia reservado. Deixei meus alforjes e segui para o endereço onde deveria devolver a bicicleta. Não tive nenhuma dificuldade, tudo transcorreu dentro do previsto.

De volta ao hotel, aproveitei para descansar e programar a manhã seguinte. A primeira coisa seria ir até Pedal Power (https://www.pedalpower.at ).  A loja em que eu havia alugado a bicicleta. 

Assim, logo cedo com um mapa da cidade na mão, segui caminhando até a loja. Os funcionários da Pedal Power foram muito prestativos, eles me concederam informações sobre a rota de Bratislava a Budapeste, além de oferecer um mapa – Bikeline (um dos melhores guia para ciclistas).  Conversamos bastante sobre o percurso anterior (Passau – Viena) e eles se surpreenderam pelo fato de estar pedalando sozinha. Também me orientaram como explorar a cidade de bike.

Dali, segui para a Ringstrasse,

uma avenida circular que rodeia o centro de Viena, separando os bairros do Hofburg e Stephansdom do resto da cidade. Essa avenida abriga grande parte das obras arquitetônicas mais significativas da cidade e há ciclovias muito bem sinalizadas.

Seguindo por ela foi possível visitar os monumentos mais bonitos do centro da cidade, como Palácio Real Hofburg, a Prefeitura, a Bolsa, o Parlamento, o Burgtheater, a Igreja Votiva, a Universidade, o Museu de História da Arte, entre outros.

Havia reservado três dias para ficar em Viena, programei minha estada por lá e relaxei. 

Três dias foram suficientes para rever – já havia estado ali, há muitos anos atrás e conhecer novos lugares dessa cidade encantadora.

Hotel em Viena – Old Vienna Apartments

A rota da Ciclovia do Danúbio

A rota de Viena a Budapeste segue ao longo do Eurovelo 6, e ao longo do Danúbio, tem cerca de 340 km de comprimento, quase todos no asfalto, com alguns trechos em estradas de terra.

Na parte austríaca e eslovaca, o pedal segue  ao longo da margem do rio, enquanto na Hungria as estradas provinciais e nacionais correm ao longo de trilhas bem batidas; em algumas trechos, no entanto, é possível encontrar um trajeto bastante movimentado, até mesmo com veículos pesados, o que torna o percurso um pouco menos agradável.

O percurso  desde a fronteira húngara até Gyor foi recentemente renovada como parte do projeto europeu; portanto, o asfalto é excelente e permite um pedal muito tranquilo. A partir de Gyor a pista mostra seus anos e precisa prestar atenção aos buracos ou tufos de vegetação que brotam do asfalto de tempos em tempos.

O percurso é principalmente plano, com colinas às vezes um pouco íngremes. O trecho austríaco segue com ciclovias bem conservadas e bem sinalizadas, perto das margens do rio. Na Hungria o pedal segue por estradas tranquilas. Ao entrar e sair das cidades, é claro que há tráfego e é preciso atenção!

A Ciclovia do Danúbio continua no sul da Hungria, através do centro do país, onde fica a bela e histórica Budapeste, onde a famosa Ponte Széchenyi Lánchíd (Ponte das Correntes) atravessa o rio, juntando Buda e Pest.

MEU PERCURSO

 1ª Etapa –   Viena a Bratislava – 90,54km

Logo pela manhã deixei o hotel e segui em direção à rua  Praterstrasse, até chegar a uma grande rotatória , dali segui a ciclovia, atravessei uma ponte e imediatamente peguei a primeira à direita – Praternhauptallee, uma avenida arborizada, depois de alguns metros, já encontrei as sinalizações da Ciclovia do Danúbio –  placa Donauradwege e a sinalização da Eurovelo6.

Não longe de Viena está o Parque Nacional Donau-Auen uma reserva natural, com uma flora e fauna diversa e impressionante e foi por ele que pedalei por um longo tempo. O silêncio só era interrompido pelo som dos pássaros. O caminho estava em excelentes condições e havia alguns ciclistas. 

A ciclovia  agora segue por uma zona rural.

Durante o trajeto, encontrei o Castelo Eckartsau, e claro,  eu  fiz uma parada para conhecê-lo e contempla-lo. O jardim a sua volta estava lindo.

O castelo de Eckartsau

Foi a última residência do imperador Habsburgo Karl antes de emigrar para o exílio. O castelo está muito bem preservado e foi possível imaginar como o monarca viveu e que luxo ele gostava.

Depois dessa parada segui até chegar à ponte Bad Deutsch em Altenburg, novamente atravessei o Danúbio, e continuei em direção a Hainburg, ainda na Áustria. Almocei em um café com vista para o Danúbio, onde barcos e barcaças subiam e desciam lentamente o rio. 

Passei pelo centro de Hainburg para tirar algumas fotos e voltei à ciclovia  em direção a Bratislava. 

Logo vejo Bratislava à distância, antes de cruzar a fronteira da Áustria para a Eslováquia.Chegando mais uma vez ao rio Danúbio cruzei a ponte Most SNP, que me levou ao centro da capital eslovaca.

Entrei na cidade velha, onde o tráfego é restrito e as ruas são ocupadas por pedestres e cafés. Tive dificuldade em encontrar um hotel, não que não houvesse nenhum disponível, eu simplesmente não conseguia encontrar um. Então entrei em um restaurante para pedir informações – já era noite, o gerente me disse que eles tinham um apartamento disponível (Airbnb) o valor da diária não me agradou, mas como já era noite não tive escolha. Ele me levou até o apartamento (excelente), então me acomodei e descansei.

2ª Etapa   – Bratislava, Eslováquia – Mosonmagyaróvár, Hungria, – 47,43km

Depois de um saudável café da manhã, me preparei para deixar o apartamento.  Sai bem cedo, com o objetivo de explorar a cidade e visitar o seu castelo. Então planejei passar a manhã por ali.

Bratislava é a capital da Eslováquia e talvez seja a menor capital do mundo e é a única capital a estar perto de fronteira (e no caso de Bratislava, a cidade faz fronteira com a Áustria e a Hungria). Seu centro histórico é bem pequeno e charmoso.

Passei um tempo explorando as ruas da parte antiga de Bratislava, observando seus belos edifícios. Havia muitos lugares interessantes para comer, mas um especificamente me chamou a atenção – Konditorei Kormuth é uma confeitaria. O nome baseia-se numa história do Império Austro-Húngaro quando era comum ouvir a língua alemã e ver os alemães por toda Bratislava. Todo o interior inclui peças antigas originais e históricas do século XVI-XIX. As instalações são decoradas com pinturas e afrescos no estilo renascentista que se concentram na história de Bratislava. Além do belo interior histórico, os bolos feitos de acordo com receitas originais e antigas, seguindo a tradição austro-húngara, são divinos. Valeu muito para ali.

Castelo de Bratislava

Após explorar o centro segui por uma colina que me levou ao imponente Castelo de Bratislava, acima do Danúbio. O castelo é o mais importante do país e possui lindas vistas lá do alto, de onde é possível ver as fronteiras com a Áustria e Hungria. No passado, o local foi muito importante na defesa da cidade, pois fica localizado em um ótimo ponto estratégico. Em 1809 sofreu um terrível incêndio que o deixou em ruínas por meio século. Após isso passou por uma intensiva reforma e agora está como novo, branquinho lá no alto da colina.

Depois segui pedalando, novamente cruzei o Danúbio na ponte Most SNP. A ponte famosa de Bratislava. Ela foi construída durante o período da cortina de ferro nos anos 70, e na época, era uma das construções mais modernas do mundo, pois foi uma das primeiras pontes a empregar o modelo de “ponte estaiada”, que são aquelas pontes que se sustentam por meios de cabos ligados a uma torre.

Depois de atravessar a ponte, pedalei por outra ciclovia bem ao lado do Danúbio até chegar à cidade de Cunova. Durante a maior parte desse trecho (17 km), pedalei por um caminho pavimentado designado para ciclistas e pedestres ao longo da margem do rio. Como no dia anterior, passei por muitos ciclistas. As vezes me juntava com alguns deles e trocávamos algumas informações.

Logo depois, segui por pequenas ruas com uma ciclovia bem marcada. Em algum lugar do percurso passei a pedalar pela Hungria e não notei um único sinal ou indicação de que havia ido de um país para outro. Fiquei imaginando se estava na Hungria quando, em uma vila, observei que mais carros tinham placas húngaras do que austríacas.

As vilas húngaras tem os nomes de suas ruas tanto em húngaro quanto em alemão.

Achei estranho, mas depois eu me lembrei que essa área havia sido muito povoada por alemães. As pessoas das pequenas vilas me recebiam com sorrisos e saudações. As ciclovias pelas cidades eram muito bem marcadas, na maioria dos casos com uma linha pontilhada amarela mostrando o centro do caminho e, às vezes, todo o caminho era marcado em vermelho. Foi muito fácil de seguir.

O trajeto estava bem sinalizada e havia tantos ciclistas que bastava simplesmente segui alguns deles. Em pouco tempo, estava de volta à rota Eurovelo 6. No caminho encontrei vários ciclistas, que me cumprimentavam com sorrisos.  Nesse trecho não podia ver o rio, mas sabia que ele estava em algum lugar à minha esquerda e tudo o que tinha a fazer era seguir a ciclovia.

Pouco tempo depois, cheguei a Mosonmagyarovar. Seu nome longo foi criado quando duas cidades, Moson e Magyarover, foram fundidas. Cheguei à cidade bem no fim da tarde, então passei um tempo andando de bicicleta procurando um hotel, admirando os edifícios barrocos bem preservados.

Logo encontrei um hotel   ao lado da igreja – Riviéra Rooms Vendégszobák muito agradável e com uma restaurante acolhedor.Uma cerveja gelada ,completou o dia.

3ª Etapa   Mosonmagyarovar to Gyor, Hungary 49,93 Km

O percurso hoje  até Gyor era de 45 quilômetros, então não me preocupei em começar bem cedo. No café da manhã passei um tempo conversando com um ciclista alemão que fazia o mesmo trecho que eu. O inglês dele era tão ruim como o meu, mas deu para estabelecer uma pequena conversa. Ele ficou surpreso por eu estar pedalando sozinha (não sei porque). Realmente era muito raro encontrar ciclista solo, os que via estavam sempre em dupla ou grupo.

Atravessei duas das dezessete pontes de Mosonmagyarovar e logo vi a sinalização da rota Eurovelo 6. Parte da rota percorria alguns metros da estrada, um caminho pavimentado com uma linha pontilhada amarela no meio para indicar que era um caminho de mão dupla. 

Havia lido no guia que hoje  o percurso passaria por estradas rurais durante parte do dia e, por isso, pedalei feliz (adoro zona rural) por cerca de dez quilômetros até chegar a um cruzamento e não havia placas nos dizendo para onde ir. Consultei o guia, mas ele não ajudou.

Então, fiquei parada um tempo, na esperança que algum morador passasse e me orientasse. Depois de um tempo, um homem de meia-idade parou, eu mostrei o mapa para ele. Ele não falava inglês e húngaro é incompreensível para mim, mas eu entendi quando ele gesticulou que eu deveria voltar. 

Mas ainda não me parecia certo. 

Havia seguido todos as placas, portanto, decidi perguntar novamente a um outro senhor que estava passando. 

De novo tive dificuldade de entender o que ele dizia, peguei o meu guia e mostrei aonde queria chegar. Dei a ele um papel e caneta, e ele então fez um desenho me mostrando o caminho, eu realmente precisava voltar cinco quilômetros até a cidade anterior, ir à igreja, virar à direita e depois seguir até Gyor.

E assim, voltei, pedalei os cinco quilômetros até a cidade, encontrei a igreja, mas a curva à direita não parecia fazer muito sentido. Uma mulher passava, então mais uma vez pedi ajuda. Ela me apontou na direção certa e parti. Quando passei pedalando, percebi que a placa na estrada apontando para Gyor havia sido torcido no poste e estava apontando para a estrada (errada) que eu tinha seguido na primeira vez. 

Ao me aproximar de Gyor,

nas cidades mais próximas a qualidade da ciclovia diminuiu, tornando-se irregular, inclinada para o lado e com buracos que apareceram de repente.  Mas, quando cheguei em Gyor, as ciclovias eram excelentes e me levou a até o centro da cidade – uma bela praça de estilo barroco.

Győr, a segunda cidade Húngara com mais edifícios históricos depois de Budapeste. A cidade ganhou o prêmio europeu pela proteção aos edifícios históricos, em reconhecimento à reconstrução do centro barroco da cidade.

Para minha pernoite ali, havia feito uma reserva em um pequeno apartamento – Rába Apartman House. Havia combinado com a proprietária de encontrá-la no local para receber as chaves. Portando assim que cheguei na praça, enviei a ela uma mensagem e logo fui ao seu encontro. O apartamento minúsculo, mas agradável e limpo. Deixei meus alforjes e voltei para praça para explorar a cidade. Ainda era cedo.

4ª Etapa  – Györ, / Komárom, Hungria – 65,92km

Na manhã seguinte acordei muito cedo, o plano era continuar explorando o um pouco mais a cidade, antes de seguir. Mas, ao sair para pegar a bike, fechei a porta (que só abre por dentro) com as chaves lá. Foi um transtorno e atrasei muito para seguir viagem.

A saída de Györ foi um pouco confusa, eu cheguei a uma linha ferroviária abandonada, depois de atravessar as trilhas, vi que a ciclovia começava novamente. Continuei até um grande cruzamento com semáforos e logo vi a sinalização da Eurovelo6.

Segui pela ciclovia e logo cheguei às primeiras casas de Gyorszentivan, onde a ciclovia termina pouco antes da rotatória. Depois segui por uma estrada passando por Nagyhegy, em uma área residencial de casas espalhadas, atravessada por uma única rua de asfalto muito irregular. Seguindo pela estrada com pouco trafego , chego a pequena cidade –  Bony.

Uma cidade charmosa , mas o que me chamou a atenção foram as decorações em frente as casas.Encontrei algumas garotas e perguntei elas o motivo,elas me disseram que o nome da cidade deriva de um nome pessoal, de origem turca e que significa “abundância”. E que para comemorar as safras os moradores enfeitam a frente de suas casas. 

Logo após a cidade de Bony,

interpretei mal um sinal para a ciclovia para Budapeste e segui para o norte. Foi somente depois de percorrer vários quilômetros e não ver mais as sinalizações da Eurovelo 6, que comecei a acreditar que meu percurso estava errado. O meu guia me dava opção de uma variante para um outro percurso (seguir por Bana – outra Vila), o que deixou confusa.

Decidi voltar a Bony, mas logo encontrei dois ciclistas (treinando) e perguntei sobre o percurso. Eles me indicaram uma placa escrito Acs (uma cidade após Bony) e me orientaram a seguir naquela direção. Continuei por uma estrada secundária, absolutamente sem nenhum tráfego na estrada além de um carro e um trator que passava. A estrada continuou por 3 km. Nesse ponto, a estrada virou cascalho onde ficava uma única casa de fazenda. A mesma estrada de cascalho relativamente suave se transformou em uma faixa de sulcos adequada apenas para tratores agrícolas. Continuei independentemente, mas ainda preocupada, pois não via a um tempo as placas de sinalização. Em alguns pontos, a estrada quase desapareceu completamente e virou uma trilha, pensei que estava em alguma propriedade privada. Mas logo comecei a avistar, a torre de uma igreja à distância. O que me trouxe uma certa tranquilidade.

Finalmente, cheguei em Ács. Parei em uma mercearia local e comprei presunto, queijo, pão, frutas e suco. 

Deixando Ács, notei uma placa de sinalização da Eurovelo6 que havia sido modificado à mão (ou seja, um pedaço de fita adesiva cobria a seta reta) o que me fez virar à esquerda em vez de seguir em frente. Parece que a rota original foi considerada “muito difícil” pela União Europeia, portanto o mapeamento foi alterado até que o caminho fosse levado a padrões apropriados. Depois de virar à esquerda, pedalei um quilômetro antes de consultar meu mapa. Não vendo nada familiar e pensando que estava mais uma vez “perdida”, retornei à placa e pedi ajuda a um local. Ele me disse que poderia continuar sempre em frente. Não demorou muito cheguei  a cidade de Komáron , mas o meu destino o final era  Komárno, do outro lado da ponte .Tinha reserva no Hotel Bow Garden.

Há duas cidades, uma de cada lado da Ponte da Amizade. Aparentemente, após a Primeira Guerra Mundial, com o desenho de uma nova fronteira internacional entre a Hungria e a Eslováquia, essa cidade foi dividida em duas, resultando em Komárom e Komarno. São cidades  gêmeas eslovaco-húngara.

Komarno

Komarno

5ª Etapa –Komárom, / Esztergom, Hungria – 69,56 km

Deixei a cidade por volta das 9h para atravessar o Danúbio de Komarno, na Eslováquia para Komárom, na Hungria, sobre a Ponte da Amizade. 

Ao deixar o centro da cidade, passei por uma fortificação do século 16 que foi construída para proteger a cidade contra os turcos. Em seguida, passei por muitos edifícios da era soviética de aparência abandonada. Comecei a ficar um pouco preocupada se seguia na direção certa. Foi quando encontrei um rapaz de bicicleta e perguntei sobre a Ciclovia Eurovelo6. Ele foi muito prestativo e decidiu me acompanhar até chegar à ciclovia. Foi um bom trecho pedalando, quando ele me deixou, disse que era fotógrafo e perguntou se podia fazer uma foto minha. Claro, que não podia recusar, ele então sacou uma super máquina fotográfica da mochila e fez sua foto.

Eu segui por uma ciclovia maravilhosa, ampla e vazia. Embora não pudesse ver o rio Danúbio por causa das árvores, ouvia ocasionalmente barcaças ou barcos fluviais passarem. 

Um caminho muito tranquilo e aprazível. De repente uma árvore grande caída impedia a passagem. Parei para pensar como sair dali, foi quando chegou uma ciclista da minha idade e que também estava percorrendo a Ciclovia do Danúbio sozinha.

Juntas decidimos subir uma colina para poder desviar do caminho.

Conversando ela me contou sobre as dificuldades que havia tido no últimos dia. Também havia se perdido nos mesmos trechos que eu. Então me perguntou se podia seguir viagem comigo. O que foi ótimo — poder usufruir da companhia de alguém, depois de tantos dias solo.

Ela me confessou depois que estava decida terminar a viagem na próxima cidade se não tivesse me encontrado. Realmente o dia anterior dia sido muito confuso.

Seguimos pedalando até atravessar o Danúbio através da Ponte Maria-Valeria de onde, vimos a cidade de Esztergom. Desfrutamos de uma excelente vista da Basílica Primacial da Bem-Aventurada Virgem Maria Assumida no Céu e St. Adalbert. Este edifício é a estrutura mais alta da Hungria e é a 18ª maior igreja do mundo. 

Chegamos à cidade com um vento absurdo, literalmente levantando as cadeiras de bares, que estavam nas calçadas. Ficamos aliviadas por estar na cidade e não na estrada com o vento fortíssimo do momento. Paramos em um restaurante e comemoramos nosso encontro e mais um dia finalizado.

Depois seguimos para o nosso hotel. No check-in descobrimos uma coincidência incrível – nos duas nascemos no mesmo dia – 18 /08. Qual é a probabilidade de isso acontecer? Achei incrível.

Passamos uma tarde e uma noite muito agradáveis ​​visitando a Basílica, a Cidade das Águas e o antigo centro de Esztergom. 

6ª Etapa – Esztergom/ Szentendre Hungria 63,21km

Esztergom é uma cidade histórica, mais conhecida por ser o local de uma das maiores basílicas do norte da Europa. Capital da Hungria entre o final do século X e meados do século XIII, essa pequena cidade tem uma história longa e fascinante. Portanto, decidimos que passaríamos a parte da manhã, tentando conhecê-la um pouco mais do que ela tinha para nos oferecer.

Nossa primeira visita foi a Basílica. Ela realmente tem um cenário fantástico no alto de uma colina com vista para Ezstergom. É a maior igreja da Hungria e sua cúpula tem 72m de altura, o que significa que pode ser vista a quilômetros de distância. Passamos um pouco de tempo caminhando do lado de fora, olhando para todos os lados. O interior da igreja era fantástico, a cúpula parecia subir por quilômetros e a pintura sobre o altar, que se diz ser a maior pintura do mundo em uma única tela, era impressionante.

 

Deixamos a cidade por volta das 12hs. Seguimos por um caminho pavimentado ao longo das margens do Danúbio muito agradável.  As folhas pelo chão, combinadas com as belas tonalidades do outono, deixava o cenário ainda mais belo .

Logo encontramos algumas arvores partidas, o que nos deu a dimensão do vento do dia anterior. Olhando para elas, ficamos mais uma vez agradecidas de não termos encontrado com ele na estrada. Mas o dia estava lindo, então seguimos pedalando tranquilas.

Depois, pedalamos por alguns quilômetros por uma estrada movimentada, mas logo saímos dela para pegar uma balsa pelo Danúbio até a cidade de Szob. 

Nossos mapas

indicavam que esse trecho da ciclovia terminaria em cerca de um quilômetro, mas na verdade continuou um pouco mais, onde se juntou a uma trilha existente que nos levou até Nagymoros. A paisagem de Szob a Nagymoros foi espetacular, o rio atravessa montanhas íngremes e falésias. A margem direita é dominada pelas montanhas Visegrad. Decidimos nos manter do lado esquerdo do rio,no sopé das montanhas Borzsony, e  não visitar Visegrad. 

Muitas vezes parávamos para tirar fotos, observar ou simplesmente absorver a bela paisagem. Mas, precisávamos nos apressar para pegar a balsa em Vac, pois Szentendre nosso destino de hoje, estava do outro lado do rio. 

Uma ciclovia fantástica na cidade de Vac, fez com que eu não percebesse o local onde a barca atracava. Passei direto, e segui pedalando, até perceber a ausência da Val. Parei e perguntei a um morador e ele confirmou meu erro. Voltei e lá estava a Val me esperando.

O plano era visitar a cidade de Vac. Havíamos lido que valeria a pena explora-la. Mas, chegamos à cidade já era quase 17hs.Então, optamos por seguir e voltar na manhã seguinte. Também sabíamos que depois de atravessar a balsa ainda tínhamos alguns quilômetros(17Km) antes de chegar a Szentendre.

Desembargamos e seguimos pedalando por uma estrada muito estreita, sem acostamento até uma vila – Tahitótfalu, e de lá seguimos por uma estrada movimentada e muito tensa, até chegarmos novamente a uma ciclovia.

A partir dali seguimos direto até o centro de Szentendre. Chegamos à noite, portanto seguimos direto para o hotel onde ficaríamos. Nos acomodamos e saímos em busca de um restaurante. Encontramos um ótimo,ainda aberto ao lado do hotel. Um vinho e um bom jantar foram perfeitos para encerrar mais um dia.

7 Etapa – Szentendre / Budapeste 36,60 km

De Szentendre até lá seria um pedal curto. Então decidimos voltar a Vác para explorar a cidade. Mas, para chegar até lá fomos de ônibus ate a travessia de balsa. O percurso de ônibus foi de 30min.

Chegamos em Vac, e fomos ate a informação turística, como não tínhamos tanto tempo, precisamos ser pontuais na nossa visita.

Assim, após uma breve caminhada, fizemos o percurso de volta.  Depois exploramos a cidade de Szentendre  e continuamos a viagem.

Do centro histórico de Szentendre, prosseguimos rumo a Dunakeszi para novamente continuarmos ao longo da ciclovia em direção a Budapeste, faltava pouco. 

Continuamos ao longo do caminho por algumas áreas muito movimentadas, incluindo uma estrada principal para Budapeste. Foi muito estressando, não havia espaço na estrada para a bicicleta, isso fez com que pensássemos se estávamos agindo corretamente pedalando ali. Na Europa em muitas estradas são proibidas a circulação de bicicleta. Mas não havia outra solução, era seguir por ali com muito cuidado. Continuamos, até que finalmente chegamos ao lado de uma ferrovia e logo vimos a placa da Eurovelo6. Isso nos trouxe alivio. A partir dali seguimos, agora por uma excelente ciclovia ao lado do Danúbio.

Chegando à cidade primeira coisa que vimos foi o magnífico edifício do parlamento húngaro.

Não demorou muito e já estávamos na Ponte Széchenyi Lánchíd, mais conhecida pelo nome de Ponte das Correntes, e é uma das principais marcas históricas em Budapeste, literalmente atravessá-la de bike foi emocionante!

Enfim, chegamos ao nosso destino – Budapeste!

Seguimos a procura do endereço do hotel. Chegamos já noite. A Val havia feito reserva em um apartamento pelo Airbnb e para nossa surpresa o dono nos esperava com uma garrafa de vinho. Tem algo melhorar para comemorar o dia e o sucesso da nossa pelada pela Ciclovia do Danúbio?

Na manha seguinte eu deixaria a Val  e seguira para outro hotel. Mas combinamos de explorar juntas de bike alguns ponte da cidade.

E assim, foi a minha   viagem ao longo do Rio Danúbio. Duas etapas de 7 dias cada e um total de 844 km percorridos. Experiencias memoráveis ! 

Eu teria mais três dias explorar a cidade e depois seguir para a Eslovênia. Mas essa já é uma outra história.