De bike no Montes Apeninos – A rota histórica dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira.

///De bike no Montes Apeninos – A rota histórica dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira.

De bike no Montes Apeninos – A rota histórica dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira.

PORQUE OS Montes Apeninos – ITÁLIA? Porque foi para lá que mais de 25 mil soldados da FEB foram enviados, quase todos de origem humilde e, em sua maioria, despreparados para o combate  – e para o frio do rigoroso inverno europeu.( 2 Guerra Mundial).

Quando soube que o Clube de Cicloristusmo (www.clubedecicloturismo.com.br) estava organizando uma Expedição para lá, não tive dúvidas aderi na hora.
Poder conhecer um pouco melhor os lugares onde os brasileiros estiveram, as marcas e as memórias que eles deixaram , era uma oportunidade única. Uma viagem incrível!

Nossa cicloviagem começou em Bolonha.

A cidade tem o segundo maior centro histórico mais conservado da Europa. E a primeira coisa que notamos ao chegar lá foi a enorme quantidade de pórticos. É uma cidade fácil de achar, de se encantar. Um dos aspectos que mais surpreendem em Bologna é a harmonia entre o antigo e o novo, o jovem e o velho. A cidade tem história, arte, música, arquitetura, culinária e cultura.
Em Bolonha ficamos hospedados no Albergo Orologio localizado ao lado da Piazza Maggiore. A principal praça da cidade. Na praça ficam Fontana del Nettuno, símbolo de Bolonha construído em 1566, e uma série de belos palácios. Perfeita a localização!!! E como não bastasse, ainda fomos contemplados com uma amostra itinerante do escultor Leonardo Lucchi, exposta em frente ao hotel.

Escultura de Leonardo Lucchi

Nosso grupo, formado por 13 pessoas — Eliana, Rodrigo, Walter, Ivan, Paulo,Tereza, Martin, Cristiane, Adeney, Flavia, Vera, Arnaldo e eu —heterogêneo, mas com um objetivo em comum: pedalar em busca da história dos pracinhas brasileiros.

Bolonha – Itália

Descobri que Bolonha tem três apelidos carinhosos e curiosos :

La Rossavermelha, devido ao tom avermelhado das suas construções. A cidade tem o segundo maior centro histórico mais conservado da Europa. E a primeira coisa que notamos ao chegar lá foi a enorme quantidade de pórticos.

O outro apelido carinhoso da cidade.

La grassa — significa a gorda, por ter uma culinária rica (massas frescas, mortadela, acetato balsâmicos de 159 Euros a garrafinha, queijo etc). Nós não poderíamos deixar de visitar uma das tantas lojas especiais. Onde produtos típicos da região enchem os olhos e dão água na boca.
O terceiro apelido – La dotta significa a sábia, por ter a Universidade mais antiga da Europa ainda em funcionamento. Ela foi fundada em 1088 e é um centro internacional de estudos acadêmicos que atrai muitos estudantes de todo o mundo.
Por aqui estudaram alguns personagens da história: Dante, Bocaccio, Petrarca, e Copérnico.
Esta fonte tornou-se uma característica permanente de Bolonha desde meados do século 16. Quatro querubins e as sirenes estão localizados em quatro direções em torno de uma estátua representando os quatro cantos da terra.

Visitamos também as Torre degli Asinelli e A Torre degli Garisenda.

Durante o século 12 e o século 13, a cidade ostentava quase 200 torres semelhantes a estas, quando famílias rivais competiam para ver quem construía a mais alta. Estas duas torres tornaram-se uma espécie de símbolo da cidade.
A Torre degli Asinelli tem 97 metros e 500 degraus que levam até o topo, de onde a vista da cidade é linda e compensa o esforço.
A Torre degli Garisenda mede 48 metros, atualmente não é aberta ao público.
Foram dois dias muito produtivos. Tivemos a oportunidade de explorar a cidade, ver e entender  o porque do seus apelidos carinhosos.Agora era a agora de iniciar a nossa pedalada.

1º dia

Bologna a Rivabella – 28 km -(470m asc.)

Nos despedimos de Bologna, partimos da Piazza Maggiore e seguimos com destino a Rivabella, nosso primeiro ponto de parada. Todos prontos com suas bicicletas e alforjes.
Já saindo com as bicicletas carregadas no primeiro dia da nossa pedalada, subimos até o  Monte de Della Guardia , onde fica o Santuário de São Lucas, tradicional ponto de peregrinação dos bolonheses.
O percurso de quase quatro quilômetros dos caminhantes que sobem até o Santuário é através do impressionante Portico di San Luca que tem 658 arcadas, sendo a mais longa passagem do mundo. Até o momento, está em apreciação para figurar na lista dos Patrimônios da Humanidade da UNESCO.
Depois de contemplar a vista do Monte de Della Guardia, deixamos a cidade por uma trilha maravilhosa.
O percurso desse primeiro dia foi bem curto, cerca de 30 quilômetros até a Ponte Rivabella. Passando por uma região de pastagens e algumas vinícolas; o vento fresco nas partes altas da estrada nos deu as boas-vindas e pudemos mais uma vez sentir aquela sensação de liberdade que temos sempre que começamos uma viagem de bicicleta.
Chegada ao Admiral Park Hotel. Apesar de não ser especializado no público ciclista, ninguém olhou torto para as bicicletas. Indicaram o local onde elas passariam a noite e não tivemos problemas (essa boa vontade com o ciclista é um bom exemplo a ser seguido aqui no Brasil). Tudo resolvido, hora de relaxar e aproveitar a piscina.

2º Dia

Rivabella a Montese – 50 km (1300m asc.).
Seguimos nossa viagem por uma estrada que passa por bosques, vilarejos e campos. Tudo bem tranquilo e com pouquíssimo movimento de carros. Sempre dosando nosso ritmo, para não chegar nem muito cedo nem muito tarde a nosso destino daquele dia.
Fomos parando para tirar fotos, conversar e admirar a paisagem.
Distraídos com a beleza da paisagem nem percebemos que já estávamos no topo dos Apeninos. Ao longe víamos o traçado da estrada, que ia serpenteando entre as colinas e nos mostrando os lindos lugares que ainda iríamos conhecer de perto. E um desses lugares foi a Vinícola La Tenuta Bonzara.
Na vinícola fomos recebidos pelos jovens irmãos Silvia e Ângelo que com a recente morte do pai, assumiram os negócios da família. Muitos simpáticos, não pouparam esforços para nos dar uma aula sobre vinho e a cultura das uvas.
Depois de uma degustação, seguimos e, como a tudo que desce, tivemos que subir, e não foi fácil.
Depois da forte subida, nada como uma parada na sombra de árvores para repor as energias e seguir em frente.
No final da tarde chegamos a Montese, uma das cidades importantes onde os brasileiros lutaram. Foi a libertação dessa cidade que iniciou a quebra da linha de defesa dos nazistas. A batalha foi muito difícil com muitas perdas humanas.

Eles dão muito valor aos brasileiros lá, demonstram uma gratidão eterna ao nosso povo.

Ficamos sabendo que isso se deve à mistura de sacrifício e heroísmo protagonizada pelos Pracinhas (membros da Força Expedicionária Brasileira) para libertar a cidade, mas principalmente pela maneira como eles interagiam com a população.
Isso criou laços que duram até hoje e que podem ser vistos através de monumentos que demonstram a gratidão aos brasileiros (praticamente não há monumentos aos outros países). Fomos recebidos pelo prefeito da cidade Luciano Mazza.

3 ºdia

Uma pedalada até o Monte Castelo

A simpática e tranquila cidade de Montese foi nosso ponto de permanência por mais um dia.

Hoje faríamos uma pedalada até o Monte Castelo, mas antes nos encontramos com Mário Pereira. Filho de um combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), o único a permanecer na Itália após o fim da Segunda Guerra Mundial e que se casou com uma italiana.

Mario cresceu ouvindo as histórias do pai. Foram tantas que o menino se transformou em um adulto apaixonado por aqueles soldados que vieram de longe para combater pela liberdade na Itália. Hoje ele é guardião do Monumento Votivo Militar Brasileiro e se esforça muito para preservar e divulgar a História. Ainda na praça falou com muita emoção sobre a atuação do Brasil no combate.

Saímos de Montese e fomos contornando o monte, subindo, subindo…   cercados de árvores.Uma paisagem de tirar o folego!

No alto do monte, o Mário nos esperava.

O Mário conhece cada palmo dessas terras, cada pessoa que teve contato com a FEB. Ele mostrou, por exemplo, onde ficava a última trincheira aliada, e como foi inconcebível tentar tomar as posições alemãs com um ataque frontal…
Foi uma aula de história “in loco”. Neste lugar os soldados passaram muito frio e enfrentaram o duro inverno italiano, com roupas emprestadas dos americanos. Emocionante! No relato de Mário havia tanta paixão, que foi possível reviver a História.

 

 

Depois de muita emoção, fizemos uma pausa para um lanchinho antes de retornarmos a Montese.

De volta a Montese, fomos visitar o Museo de Montese, onde o Mário nos contou mais histórias sobre a atuação dos “Pracinhas” da FEB.

Inevitável não viajar no tempo e imaginar os tempos difíceis que passaram nessa época. Hoje saímos daqui com muito mais consciência do que foi a Segunda Guerra Mundial e da importância dos brasileiros nas batalhas travadas nos Apeninos.
Um dia muito especial pra todos nós.
No Museu, foi possível subir na torre do castelo e ter uma visão distante e incrível da área (motivo pelo qual foi um dos pontos de observação privilegiados durante a II Guerra Mundial). É quase impossível pensar que tantas batalhas sangrentas foram travadas neste cenário que hoje transmite tanta paz.

 

 

O Prefeito de Montesse Luciano Mazza

 

 

 

 

 

 

 

4º dia

Montese a Poretta-Therme – 48 km (850m asc.)

Deixamos Montese ainda sensibilizados, principalmente pela acolhida que tivemos.
Essa pequena e grande cidade ficará guardada para sempre em nossas lembranças.
Perto de Montese, em Maserno, próximo a uma pequena fazenda, há uma pedra com uma placa que marca o local onde Wolf viveu seus últimos momentos.
Por causa do fogo inimigo, não foi possível recuperar o corpo do sargento e depois, também não, porque os restos mortais não estavam mais lá, um mistério que prevalece até hoje.

 

 

 

 

Nossa próxima parada foi no Caseifício Dismano

Um pequeno laticínio da região onde vimos como é feito uma das delícias da gastronomia italiana – o queijo Parmigiano-Reggiano. Fabricado no norte da Itália, é um tipo de queijo considerado um dos mais antigos.
Inventado pelos Monges Beneditinos da Idade Média, sua receita original segue uma tradição de oito séculos e é mantida por centenas de laticínios dessa região da Itália.

 

Continuamos nossa pedalada, desta vez no caminho para o Monte Belvedere,

outro ponto importante de resistência dos nazistas; pela primeira vez, pegamos uma estradinha de terra com pedras, buracos e uma inclinação mais forte. Atingir o topo não foi fácil, empurramos em alguns trechos e pedalamos ziguezagueando em outros. É nessas horas que se sente a carga na bicicleta. Ali foi o passo mais alto de todo o percurso. Ultrapassamos um pouco a cota dos mil metros de altitude.

 

O que veio em seguida foi uma descida indescritível!!!”

A paisagem se abriu e pudemos ver a estradinha sinuosa riscando a montanha e adentrando o vale. Descemos lentamente prolongando cada momento, curtindo cada curva, aproveitando a energia de cada metro descido.

Assim que atravessamos o monte Belvedere, seguimos  ao encontro de um dos monumentos mais imponentes feito em homenagem aos pracinhas :

Liberazione,  projeto original da artista Mary Vieira . A obra mede 7 metros de altura e 14 de largura. Um dos arcos brancos, que aponta para a terra, simboliza a morte; o outro aponta para o céu, isto é, “para a transcendência que essas mortes significaram”.

Se no Brasil os pracinhas que atravessaram o Oceano Atlântico para combater na Segunda Guerra Mundial não raras vezes caem no esquecimento, a situação é diferente em território italiano.

No nosso percurso vimos vários monumentos que ajudam a preservar a memória histórica coletiva para que a guerra não seja esquecida. Ao todo, espalhados pela região, são mais de 30 monumentos destes, e o legal é que todos foram feitos por iniciativa das próprias comunidades italianas.
Seguimos nossa pedalada com destino a Porreta Termi.
Nosso pernoite foi em Porreta Termi, uma cidade de águas termais.Ficamos hospedados no Hotel Helvetia Thermal Spa com direito a relaxamento nas piscinas quentes . Antes do jantar, brindamos nossa expedição com vinho e queijos.

5 ºdia

Poretta-Therme a Pistoia – 50 km (550m asc.)

Nossa saída de Porreta-Terme foi às margens do rio Reno, por uma estrada que segue serpenteando o mesmo caminho do rio, passando por pontes e viadutos.
Logo no começo, o nosso caminho se alinhou ao Rio Reno e por ele seguimos muito tempo. Não o Rio Reno famoso, que corta diversos países da Europa. Esse é um Reno menor, exclusivo italiano, que divide a Emilia Romagna da Toscana.

 

 

A estrada é o que se pode chamar de um caminho turístico, já que todo fluxo vai por outro lugar. Ela é uma subida longa e suave. Mal percebemos o ganho de altitude.
Apenas notamos que nosso ritmo estava um pouco mais lento. Nós nos distraíamos olhando para baixo à procura do rio e das pontes antigas da ferrovia, que também se aproveita do baixo aclive desse vale.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chegando próximo a Pistoia, contornamos a cidade e fomos ao memorial da FEB.

Ali foram enterrados os corpos de soldados, mais de 400, que posteriormente foram levados ao Brasil.

No local, que é considerado solo brasileiro, há uma chama sempre acesa e uma parede com o nome de todos os soldados. Encontramos o Mário Pereira, que mais uma vez nos recebeu com carinho e nos mostrou cada canto do monumento com muito orgulho.

Mário nos contou que no mês de abril, quando se comemora a libertação das vilas e cidades, não dá conta de atender a tantos pedidos de presença em festas comemorativas.

 

Monumento Votivo Militar Brasileiro — projetado para Olavo Redig de Campos, discípulo de Oscar Niemeyer.

 

 

O memorial nos faz refletir sobre toda a nossa viagem e a história dos bravos pracinhas da FEB e suas atuações na Segunda Guerra Mundial. Foi fantástico!!!!

Do memorial fomos para o centro de Pistoia, onde pudemos sentar com calma na charmosa praça central e observar o movimento, que era principalmente de pedestres e ciclistas.
É gostoso de ver pessoas de todos os tipos e idades usando a bicicleta, com certeza o veículo mais democrático que já foi inventado.

 

 

 

 

 

 

Em Pistoia ficamos no Hotel Piccolo Ritz

6 ºdia

Pistoia a Florença – 55 km (340m asc.)
Nos despedimos de Pistoia e seguimos em direção a Florença, capital da Toscana e berço do Renascimento italiano.
O último dia foi só alegria, aproveitamos as imensas planícies da Toscana, e os pedais giraram com facilidade.

 

 

 

 

 

Acompanhamos por bastante tempo um rio caudaloso de águas claras, até chegarmos  a uma área verde já vizinha à cidade.



Adentramos um parque urbano e, sem que tivéssemos contato com trânsito nem avenidas, chegamos ao centro de Florença.

A chegada a Florença coroou nossa pedalada.

A capital da Toscana é considerada uma das cidades mais belas do mundo e o berço do Renascimento Italiano. Ficamos  felizes com o objetivo alcançado.Chegamos e seguimos direto para o Hotel . Mas ainda tínhamos  um tour guiado pela cidade, organizado pelo Clube de Cicloturismo do Brasil.
Então deixamos nossas bagagens e seguimos para explorar a cidade.

Florença tem uma beleza clássica estonteante. Todas as atrações ficam concentradas no centro antigo. Foi possível visitar: Catedral de Santa Maria del Fiore, Piazza della Signoria,Palazzo Vecchio, a Ponte Vecchio e também o mercado central.

Com vários séculos de existência (a construção começou em 1296), a Catedral da cidade tem uma belíssima fachada: mármores de várias cores, além de portões de bronze, adornados com mosaicos que retratam cenas da vida de Maria, mãe de Jesus.
A Piazza della Signoria e o Palazzo Vecchio estiveram no centro da vida política e social da cidade durante anos!
As estátuas da Piazza (a maioria são cópias) relatam os principais acontecimentos históricos de Florença.
É um dos símbolos de Florença, a única poupada pelos alemães durante o bombardeio na retirada em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E foi em Florença que nossa expedição terminou…

Foram seis dias de viagem e cerca de 250 quilômetros pedalados.
Usufruimos da gastronomia regional, das maravilhosas paisagens, da tranquilidade das estradas.Mas também conhecendo mais sobre a história que envolve os dois países. Perfeito!!!!!!!!!!!!!!!!!
Uma das coisas que aprendemos nessa viagem : ouvir as histórias  de quem as viveu ou esteve muito próximo delas é bem diferente de ler em livros.
Sabemos que toda história tem suas versões. Por isso ouvir a versão de quem esteve lá é fundamental.
Muita coisa foi escondida intencionalmente por questões políticas e até hoje ficou esquecida para nós brasileiros. Mas essa história ainda é muito viva lá.

Viajar de bicicleta nos faz pensar muito, sempre. O pedal ritmado, os movimentos constantes nos permitem uma grande concentração nos pensamentos. Nessa viagem especificamente tivemos muito assunto para refletir enquanto pedalávamos.

Nossa expedição foi organizada pelo Clube de Clicloturismo do Brasil que tem como objetivos: a difusão do cicloturismo, servir de fonte de inspiração e orientação para pessoas que pretendem fazer sua viagem de bicicleta
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2018-11-06T12:18:30+00:00

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3 Comments

  1. Fatinha Morais 8 de maio de 2016 at 15:03 - Reply

    Vera, Adorei! Obrigada por compartilhar mais essa experiência linda. Quero me organizar e ir lá ver tudo de perto. ?

  2. Fatinha Morais 8 de maio de 2016 at 15:03 - Reply

    Vera, Adorei! Obrigada por compartilhar mais essa experiência linda. Quero me organizar e ir lá ver tudo de perto. ?

  3. Vera Marques 8 de maio de 2016 at 20:44 - Reply

    Realmente foi uma experiencia e tanto!!!!Obrigada

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