Patagônia : começando nossa pedalada  de El Chaltén a Ushuaia

O dia anterior foi um dia intenso, estávamos todos cansados , então foi impossível levar cedo. E ainda tínhamos que desmontar as barracas e organizar os alforges. Eu acordo cedo (idade talvez)  e sou muito rápida para organizar meus alforges, logo já estava pronta. Mas o grupo levantou mais tarde e tiveram muito trabalho na organização.

Enquanto eles se organizavam eu fui até o supermercado comprar alimentos para a viagem. Quanto voltei ,eles ainda não estavam prontos. Confesso que comecei ficar aflita ,pois já passava das 11 horas da manhã e ainda estávamos no camping. Tínhamos 115 km de pedal pela frente. Comecei a ficar preocupada, já que  quando pedalo costumo sair cedo. Além disso eu  nunca tinha pedalado esse distancia em um mesmo dia e não sabia o ritmo do grupo ( era a primeira vez que pedalava com o Alexandro e o Rafaele). Mas, eu  tinha que relaxar e esperar.

Todos prontos!!!

Saímos  de El Chaltén as 11:50hs. O céu estava limpo e e o dia lindo.

 1º dia  :  DE EL CHALTÉN A  RIO LEONA –  116 Km

Quando percebi as condições da estrada – toda plana e o vento favorável fiquei mais tranquila. Comecei a acreditar que não seria tão difícil pedalar a distância programada para o dia. Relaxei, mantive meu guidão firme e a deixei minha mente vagar.

Seguimos pedalando até chegarmos  onde a estrada cruza  com a lendária Ruta 40 – dali em diante ela seria nossa companheira por dias. Fiquei imaginando como teria sido a viagem de Che Guevara e Alberto Granado nos anos 50 do século 20 por aquelas bandas. A estrada famosa, escreveu muitas histórias quando era toda em rípio (cascalho). As paisagens inóspitas alternadas com os cumes andinos, estepes, lagoas e a fauna variada, realmente encantam.

Durante o percurso encontramos Leon, um ciclista belga de 75 anos. Ele nos parou e pude observar que ele estava ansioso por um “dedinho de prosa”.  E eu estava certa, ele nos contou que estava há dois meses viajando sozinho e que gostava de parar os ciclistas e saber um pouco deles. Gostava de anotar em seu diário o que descobria dos ciclistas que encontrava pelo trajeto, para depois compartilhar suas experiencia na internet http://www.goffinets.be/kapsud/. -. Também nos disse que  ele  já havia morado no Brasil na década de 70. Foi uma troca legal, é impressionante como uma amizade nasce automaticamente de encontros entre ciclistas que se cruzam. Ali trocamos informações sobre condições da estrada, distâncias, clima … e possibilidades de acomodação.

Ele viajava no sentido contrário ao nosso. Nos despedimos e seguimos.

Dali  continuamos para o sul em direção a El Calafate. Após 20km, chegamos ao Rio Leona as 19:30hs , já escurecendo. No meu diário anotei 116,27Km, meu recorde por dia em viagem de bike. Fiquei satisfeita comigo mesma. Consegui acompanhar o grupo sem nenhuma dificuldade.

As margens do Rio Leona , esta o centenário Parador La Leona, uma pousada e restaurante. O lugar ficou  famoso  por supostamente ter hospedado  os bandidos Butch Cassidy e Sundance Kid. Mas segundo alguns historiadores a passagem dos assaltantes norte-americanos por ali  foi um  mal – entendido ou um golpe de marketing.

Nas fotografias das paredes do restaurante também estão fotos de outros famosos que teriam se hospedado ali foram os escaladores  europeus Lionel Terray e Cesare Maestri – conquistadores do monte Fitz Roy e do Cerro torre.

Ninguém sabe se é verdade. Pouco importa, isso não tira a importância do lugar. O local foi palco de muitas historias. Outra famosa é que naquela vizinhança, um puma, atacou o pioneiro Perito Moreno, que resistiu e sobreviveu heroicamente.

Mas, hoje o lugar  nos acolheu e ali  comemos uma comida quentinha e nos abrigamos do vento forte, que foi impetuoso o dia todo. Ali  eles também oferecem camping por 10 € por pessoa.O grupo optou por ele e eu decidi ficar com um dos quartos. Os dias que viriam seriam de camping selvagem. Então aproveitei a oportunidade de ter uma cama quentinha.

Na manha seguinte estava refeita do cansaço do dia anterior e pronta para seguir em frente.

2º dia  Do  RIO LEONA  a RIO SANTA CRUZ   70KM

Na manhã seguinte saímos as 10:30hs. Na minha opinião, um pouco tarde, porque era o horário que o vento começava a mostrar sua força. 

Do Parador La Leona, a estrada continua plana até uma pequena subida de aproximadamente quatro  km que nos levou até um planalto, com vistas incríveis. A partir dali começa uma subida e descida até chegar ao poderoso Rio Santa Cruz, que se origina do lago Argentino  atravessa toda a província argentina de Santa Cruz de oeste a leste para fluir para o Atlântico.

No percurso até ali, mais uma vez o vento  nos acompanhou. E que vento! São incessantes. Felizmente, nossa trajetória era em  direção ao sul ,  significa que eles estão ao nosso favor na maior parte do tempo.

Enquanto minhas pernas pedalavam , ia cantarolando uma música qualquer. Escutava o ressoar do vento em minha blusa, que se agitava como querendo voar. Não tarda muito encontro mais um bando de guanaco, camelídeo nativo, daquele lugar. Eu sorrio extasiada. Até ver uma carcaça de um deles dependurada na cerca de arame  – que me deixa penalizada . Soube depois que essa cena é comum por lá, na tentativa de fugir dos plumas  eles acabam presos nas cercas. Deve ser uma morte horrível pendurada de cabeça para baixo e não sendo capaz de se libertar. 

Chegamos!!!!

Não foi difícil chegar a Charles Fuhr  – meta do dia , pois o vento soprou forte quando estávamos chegando. Charles Fuhr foi no passada um tipo de parador, como La Leona, mas está totalmente abandonado e destruído, somente as paredes em pé deixavam o vestígio de um local que poderia ser um bom abrigo.

Quando chegamos estava lá, uma família de argentinos, aproveitando o dia para um churrasco a beira do rio. Já eram 17hs, a família ainda tinha carne e pão ( fim de churrasco) eles nos perguntaram se queríamos comer. Eu fui logo aceitando ,estava faminta e ainda tinha a oportunidade de não pensar em cozinhar o jantar do dia. Eles foram muito receptivos, conversamos sobre a Patagônia eles compartilharam conosco histórias e anedotas. Apreendemos um pouco mais sobre o lugar. Agradecemos e nos despedimos .Logo eles se foram.

E nós, seguimos pedalando mais um pouco ao entorno do rio em busca de um bom lugar para montarmos a barraca. Decisão do Rafaele não ficarmos nas ruínas do antigo parador.

3º dia  – RIO SANTA CRUZ  a  EL CERRITO 97KM

De charles Fhuhr a El Cerrito a estrada é toda asfaltada e, durante a maior parte deste trecho, o vento é favorável.

Começamos com um dia de vento forte e pelo menos uma parte do percurso a favor. Os primeiros 38 km são planos e começa a Cuesta de Miguez. Depois vem uma subida de 12 km com cerca de 600m de diferença de altitude. A cuesta nos leva à meseta. Uma espécie de platô , com ventos muito frio e fortes rajadas.

Em alguns pontos do percurso ,o vento soprou tão forte para o lado , que ocasionalmente me empurrava para o outro lado da estrada.  O esforço para voltar era absurdo. Meus braços sentiam. Soube depois que naquele dia as rajadas de ventos lateral nos platôs chegaram a 80 km por hora.

Para fugir do frio, do vento e da sensação absurda te desconforto, eu aproveitava sempre que possível  para acelerar. As vezes me distanciava do grupo.Quando percebia, parava para espera-los, mas o frio  era tanto que minhas mãos pareciam congelar ali parada, o som do vento ensurdecedor. Então , depois de alguns minutos parada ( que mais parecia uma eternidade) eu seguia, não esperava. Nesse momento mantive uma distancia considerável do grupo. Coisa que definitivamente não poderia ter acontecido , mesmo com toda a experiencia que tenho em viaje solo. Confesso – errei.

El  Cerrito

Foi assim que cheguei em El  Cerrito, a “cidade”   se resume em dois edifícios. Um é uma delegacia (não vimos) e o outro, AGVP que significa Administração Geral de Vialidad Provincial. Essencialmente, são uma rede de edifícios espalhados pelos pampas, que prestam serviços às rodovias e estradas

No verão, esse espaço de trabalho transforma-se  em área improvisada de Camping para ciclistas e fica cheio de barracas e bicicletas.Eles oferecem abrigo para a noite e muita solidariedade.

Eramos em três barracas e junto com o grupo chegou um casal (uma californiana e um asiático), mais uma barraca. O espaço na garage do lugar, ficou apertado. Tínhamos também que dividir o lugar com a casinha do Miguelito – um cão fofo.

Enquanto armamos as barracas, outros dois ciclistas apareceram. São chilenos e primos que decidiram passar juntos uma temporada pedalando. Como não havia mais espaço, ficaram ao relento. Ou seja, ali estavam 8 pessoas que no dia seguinte parariam no próximo posto de Vialidad Provincial em Taipe Aike. Se o espaço lá para acolher ciclista também fosse pequeno poderíamos ter problemas. Isso me trouxe um pouco de preocupação.

O dia realmente foi exaustivo, meu corpo estava com a musculatura fatigada, pernas e braços cansados e pescoço dolorido devido ao esforço contra a força do vento. Deixei minha preocupação de lado, fiz um jantar improvisado – sanduíche de atum e um  chá quente, e descansei. Foi uma noite tranquila.

   4º dia  –  EL CERRITO – TAPI AIKE 67KM

A partir de El Cerrito, existem duas maneiras possíveis de chegar ao passe de Cancha Carrera com o Chile. Seguir a estrada asfaltada para o leste , subir para Esperanza e depois voltar a sudoeste para Tapi Aike ( cerca de 140 km) ou pegar a estrada em rípio (70 km) e seguir  contra o vento que de  El Cerrito leva diretamente ao sudoeste de Tapi Aike. Escolhemos a segunda opção – menos carros, menos quilômetros.

 

As condições do ripio são boas nos primeiros 25 / 30km e pioram drasticamente, forçando-nos a pedalar 8-10 km / h.

Esse trecho tem a reputação de ser particularmente difícil devido as condições da estrada, o vento forte, muitas vezes contra e o frio (na verdade, ainda estamos no platô).Portando, o ideal era sair bem cedo, mas infelizmente saímos já passava das 9hs.

Eu havia acordado super cedo  fiquei ali, deitada sob um sol fresquinho que aquecia o meu rosto, refletindo sobre a minha aventura. Pensei em Florence Dixie –que em 1879 com apenas 23 anos se aventurou  por essas bandas, acompanhada de marido, dois de seus irmãos e Julius Beerbohm.

Havia lido no livro de Guilherme Cavalarri – Transpatagônia , que ela é considerada  a padroeira dos mochileiros e dos ciclistas.Foi fácil imagina-la cavalgando por aqueles pampas áridos,caçando guanacos.

 E o  pessoal foi se despedindo

primeiro o casal de jovens e logo depois os primos. Não demorou muito meu grupo também começou a levantar acampamento e eu fui me despertando do meu devaneio.

Deixamos El Cerrito e seguimos pela estrada de  rípio. A estrada seguia impiedosa, árida e vasta. A sensação de infinito e a monotonia da paisagem começava a me incomodar. Eu gosto da sensação de finitude – sabe quando há curvas ou uma mata fechada e que parece que a estrada termina e outra começa. Essa sensação me renova. Ali naquele vasto território isso não acontece.

Sensação de infinito e o som ensurdecedor foi para mim o maior desafio...

Sensação de infinito e o som ensurdecedor do vento foi para mim o maior desafio…

Havíamos pedalados por volta de uns 16 km , quando avistamos essa casa na estrada – Destacamento Tomas Sosa. Decidimos parar para nos abrigarmos um pouco do vento e aproveitamos para fazer uma sopa e nos aquecer. Saibamos que o trajeto dali para frente  seria difícil.

Quando faltava uns três quilômetros para chegarmos em Taipe Aike (que é outra “cidade” como El Cerrito, exceto que tem um posto de gasolina e um mini mercado!),o céu começou a ficar ameaçador, as nuvens escuras trouxeram com elas alguns pingos de chuva. A temperatura caiu consideravelmente. Aceleramos para tentar chegar antes que a chuva piorasse, mas não teve jeito chegamos no posto molhados e com a temperatura de -2 graus. O relógio marcava 20hs. Logo notei que a minha preocupação da noite anterior fez sentido. Havia no local oito ciclistas e todos os lugares com abrigo já estavam ocupados.

Em busca de comida

Rafaele e Alexandro haviam ido até o único mercadinho no local para comprar suprimentos – estávamos quase sem nada.

Eu e a Cris fomos conversar com o funcionário  do posto sobre a nossa hospedagem ali. Não havia espaço e o lugar que ele nos ofereceu era no relento – a chuva aumentava e com ela o frio. Eu comecei a conversar com ele e quase implorei para que nos deixasse dormir dentro da casa do posto. (isso não é permitido). Apelei tanto que ele se sensibilizou e permitiu que ficássemos lá dentro. A cozinha estava cheia com os ciclistas que chegaram antes. Havia dois brasileiros – que estavam percorrendo a rota no sentido contrário, um suíço, um americano, um francês ,os primos chilenos, o asiático e a californiana, além do nosso grupo.

Todos ficaram sensibilizados ao nos ver chegar molhados e tremendo de frio. Enquanto isso,Damien (o funcionário)  terminava de cozinhar seu jantar e gentilmente nos ofereceu um pouco da comida dele.

O Rafaelle e o Alexandro encontram o supermercado fechado e tiveram que pedir ajuda para que fossem atendidos. Conseguiram comprar algo.

Eu pedi para os primos Chilenos – Álvaro e Jaime um pouco de macarrão e fiz com atum. Logo todos foram deixando a cozinha. Fiquei ali conversando com o Damien – funcionário do posto, e a cada cinco minutos eu o agradecia. Realmente dormir no frio que fazia aquela noite, seria muito penoso.

Nesse posto é possível tomar banho e usar um banheiro . Mais uma generosidade dos funcionários dali. 

Abrigados alimentados descansamos.

Realmente era um dia em que deveríamos ter saídos as 7hs da manhã, não tenho dúvidas!!!!

5º dia  –  TAPI AIKE – CERRO CASTILLO (CHILE) 60KM

Saindo de  Tapi Aike,seguimos para o oeste, até a passagem da fronteira com Cancha Carrera. O caminho foi cheio de  altos e baixos.

O vento continuava a não dar trégua. Incrível, somente quando estamos ali, que é possível entender o que significa os ventos da Patagônia.  Ele pode ser brutal e pode enlouquecer.

Seguimos pedalando até chegar em um trecho de terra que nos levaria até Cerro Castillo. Depois de alguns quilômetros chegamos em Cancha Carrera última vila antes do passo Don Guilherme, mais um quilometro e chegamos na aduana argentina. 

 

Da aduana até Cerro Castilho, ainda tínhamos alguns quilômetros, mas não demorou e logo chegamos a uma estrada asfaltada e perfeita! Estávamos no Chile!  Passamos pela aduana, carimbamos nossos passaportes e seguimos.

Chegamos famintos e seguimos direto para o único restaurante aberto localizado no Hotel Patagônico. Um lugar muito bonito e aconchegante. Jantamos todos juntos e foi ótimo! Conversando com o dono do hotel – muito simpático, descobrimos que era possível acampar no quintal da casa dele. O grupo então segui para lá, enquanto eu me acomodava e me permitia ao “luxo” de uma cama quentinha. Estava cansada depois de sete dias acampando.

Cerro Castilho é a capital de Torres del Paine. Quase todos os prédios datam do início do século passado e os 300 habitantes da região guardam a memória da antiga estância Cerro Castillo, a maior na parte continental da região de Magalhães. A vila preserva a história do início das estâncias patagônicas.

Na manhã seguinte…

 6 º dia – CERRO CASTILLO – TORRES DEL PAINE 69KM

Logo de   manhã a Cris foi até o hotel e me disse que eles haviam decido ficar mais um dia no vilarejo. Pois na noite anterior haviam encontrado o Jaime e o Álvaro (os primos chilenos) e acamparam juntos. Lá ficaram até as 3 horas da madrugada conversando e bebendo o “pisco suor” – bebida típica do Chile e novidade para o Rafaele e Alexandre.

Perguntei sobre o plano deles em relação ao Parque torres Del Paine, ela me disse que a intenção deles era ficar apenas um dia por lá – para mim foi uma surpresa. O parque na minha opinião era a “cereja do bolo” do percurso. Ficar um dia a mais naquele pequeno povoada, sem atrativos, seria uma perda de tempo. Estava apenas há 69km de distância. Diante disso, não tive dúvidas conversei com o grupo e decidi seguir viagem sozinha. Ganharia um dia a mais no parque. Combinamos, então de nos encontrar, no dia seguinte.

Segui pedalando rumo ao Parque Nacional Torres del Paine em direção a entrada de Laguna Amarga, admirando a paisagem ao longo do caminho. Os  primeiros vinte quilômetros são de asfalto, e então começa o rípio que caracteriza todas as estradas do parque.

Parque Nacional Torres del Paine

Na portaria do parque, comprei o bilhete (os estrangeiros pagam 18.000 pesos chilenos, cerca de € 28).  e preenchi um cadastro, também fui informada de que não havia vaga nos acampamentos e que acampamento selvagem era terminantemente proibido e sujeito a multa. Descobri também que se exige reserva antecipada para pernoitar nos seus dez acampamentos e elas devem ser feitas com muita antecedência, principalmente no verão.  Reserve em bit.ly/reservecamping.

A única opção que ainda havia disponibilidade era o refúgio. Eu não tinha escolha a não ser pagar o custo absurdo de 110 dólares por noite em um quarto com mais três pessoas.

Dali da portaria até chegar ao Refugio eu ainda deveria pedalar por mais 7 Km.

Cheguei e comprei créditos de internet, sim a internet ali também é paga e cara. Então, mandei uma mensagem para a Cris contando sobre a indisponibilidade de acampamento e o preço absurdo do refúgio. Ela conversou com o grupo e decidiram que iriam acampar perto da entrada do parque. O que permitiria acordar cedo e atravessar o parque antes de ser aberto tecnicamente, evitando assim o caro bilhete de entrada. Dica dos primos Chilenos, que de Cerro Castilho em diante, seguirão pedalando juntos.

Nesse momento percebi que dali para frente estaria sozinha. Seria muito difícil reencontrá-los, já que estávamos sem comunicação.